A chantagem da Arábia Saudita: fato ou teoria da conspiração?

 

 

 

 

Na semana passada, publicamos matéria baseada em notícias do norte-americano The New York Times e do inglês The Independent. Dois jornais conceituados, que não costumam ser levianos.

 

Ambos publicaram que, de acordo com informantes, o governo saudita havia ameaçado por à venda 750 bilhões de ativos norte-americanos em poder do reino. O que seria uma catástrofe para Washington.

 

O motivo seria a anunciada publicação de 28 páginas secretas do relatório da Comissão de Inquérito do atentado das Torres Gêmeas e a discussão na Câmara de uma lei, com chances de aprovação, que dava aos EUA direito de processar chefes de governos estrangeiros.

 

Aparentemente, os sauditas teriam culpa no cartório. Do contrário, não fariam ameaça tão extrema para barrar as revelações das 28 páginas e a aprovação da lei.

 

Havia indícios de que as 28 páginas teriam sido escondidas pelo governo Bush por incriminarem o governo de Riad ou, ao menos, algum príncipe próximo ao trono.

 

Caso fosse verdade e a nova lei aprovada, a pressão da opinião públicas estadunidense poderia obrigar a Casa Branca a abrir um processo desastroso para a imagem saudita no exterior.

 

Possivelmente, foi para desatar esse nó que Obama viajou para Riad, onde encontrou o rei e sua corte.

 

Sabe-se que ele deu garantia de que, se aprovada, a temida lei seria por ele vetada. Quanto à publicação das 28 fuzilantes páginas, pouco havia de se temer, pois John Clapper, chefe de todas as agências de inteligência dos EUA, estava encarregado de censurar tudo que ameaçasse a segurança nacional.

 

Só os ingênuos acreditam que ele deixará passar eventuais fatos implicando os sauditas na preparação do atentado das Torres Gêmeas.

 

Tudo resolvido, o ministro do Exterior da Arábia Saudita, Abdel al-Juber, depois de conversar com John Kerry, falou aos jornalistas em Genebra que seu país era contra a lei porque inibiria investimentos de países estrangeiros nos EUA (que homens santos tão preocupados com os problemas norte-americanos...).

 

Negou terminantemente à imprensa que seu país jamais tenha ameaçado o governo dos EUA com represálias econômicas.

 

Caso as 28 páginas sejam apresentadas cheias de frases cortadas e Obama vete o projeto de processamento dos governos estrangeiros, o governo saudita sairá inocente como um cordeirinho.

 

E a História terá de registrar a participação do reino como mais uma teoria da conspiração. Como a leitura do episódio está recheada de “se” e “caso”, provavelmente ficaremos mesmo no escuro.

 

Leia também:


A Arábia Saudita ameaça quebrar os EUA


Luiz Eça é jornalista.


Website: Olhar o Mundo.

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