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A Arábia Saudita ameaça quebrar os EUA Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Segunda, 09 de Maio de 2016
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Acredite se quiser: Arábia Saudita, o maior aliado dos EUA no Oriente Médio, está colocando a pátria de Jefferson, Roosevelt, Frank Sinatra e Marylin Monroe não em maus, mas em péssimos lençóis.

 

É uma amizade que parecia sólida, alicerçada em importantes interesses mútuos.

Começou na 2ª Grande Guerra, quando o presidente Roosevelt percebeu que as vastas reservas petrolíferas do Reino poderiam atender às vastas necessidades militares do seu país.

 

Desde então, os sauditas vêm fornecendo petróleo aos EUA em troca da proteção do braço forte de Tio Sam, que até instalou uma poderosa base militar nas areias sauditas, pronta para o que der e vier.

 

Alguns anos depois, de olho na disputa com o Irã pela hegemonia no Oriente Médio, a monarquia quis aumentar seu poder bélico. E o bom Tio Sam não se fez de difícil: passou a exportar armamentos em quantidade crescente até chegar, apenas nos últimos seis anos do governo Obama, a um valor total de 190 bilhões de dólares.

 

Poderia haver um arrufo, em 2001, no atentado das Torres Gêmeas, quando 15 dos 19 criminosos eram sauditas. Se fossem iranianos ou sírios, certamente a mídia e os políticos dos dois partidos exigiriam no mínimo o bombardeio de Damasco ou Teerã. Como eram cidadãos da aliada Arábia Saudita, o fato foi considerado irrelevante por todos.

 

Mas era necessário descobrir os possíveis envolvimentos e para isso foi formada uma comissão de inquérito no Congresso.

 

Em fevereiro de 2002, quando ela terminou seus trabalhos, produziu o esperado relatório. Concluiu que o culpado fora a Al -Qaeda. Que agira sozinha.

 

Estranhamente, 28 páginas do relatório foram arquivadas sob o título de “Descobertas, Discussão e Narrativa sobre Certas Matérias Sensíveis” e rapidamente guardadas no Capitólio pelo então presidente George W. Bush, que as carimbou como classificadas (sigilosas).

 

As famílias das vítimas do 11 de setembro não ficaram satisfeitas. Com apoio de políticos e jornalistas exigiram que as 28 páginas fossem abertas ao público.

 

Bush contestou. Disse que publicar esta parte do relatório poderia prejudicar a segurança da América por revelar “fontes e métodos que tornariam mais difícil vencer a Guerra do Terror”.

 

Ou seja: não justificou nada.

 

Sob pressão da família, a discussão sobre o tema prosseguiu na imprensa e nas casas do Congresso.

 

Até que em 2008, durante a campanha eleitoral, o candidato Barack Obama prometeu que, sendo eleito, publicaria as 28 páginas.

 

Nos anos que se seguiram, Obama esqueceu sua promessa. Só que as famílias dos três mil mortos e dos mais de seis mil feridos do atentado das Torres Gêmeas não esqueceram.

 

Continuaram pondo a boca no mundo. Vieram a público fatos que tornavam obrigatório o exame das 28 páginas secretas: pessoas ligadas ao inquérito começaram a falar, novos indícios surgiram.

 

Quase todos implicavam de algum modo a Arábia Saudita. Rudy Giulani, prefeito de Nova York na época do atentado, contou que um príncipe saudita deu-lhe um cheque de 10 milhões de dólares para que ele desviasse a atenção do povo sobre o Reino. Giulani devolveu o cheque depois de rasgá-lo. “O povo norte-americano”, disse ele, “precisa saber exatamente qual foi o papel do governo saudita nos ataques. Nós merecemos saber quem matou nossos familiares e quase nos matou também”.

 

O ex-senador Bob Graham, ex-líder do Comitê de Inteligência do Senado, declarou: “penso que todas as evidências apontam para a Arábia Saudita. Penso que elas cobrem um amplo espectro, desde os mais altos níveis do Reino até entidades privadas”.

 

Por sua vez, dois congressistas, que viram os documentos secretos, também acabaram falando.

 

Stephen Lynch, democrata, revelou que o relatório oferecia evidências de ligações entre “certas personalidades sauditas” e os terroristas autores dos ataques de 2001.

Walter Jones, republicano, disse por que Bush se opôs à publicação: “Tem a ver com a administração Bush e seu relacionamento com os sauditas”.

 

O certificado de voo de Ghassan Al-Sharbi, um dos terroristas, o qual tomou 11 lições de voo, foi achado num envelope meio rasgado na embaixada saudita em Washington.

 

Dois dos sequestradores, Nawaf al-Hamzi e Khalid Mindhar, haviam sido instalados num apartamento em San Diego por Omar al-Bayouni, agente da Arábia Saudita (segundo o FBI). Bayoumi recebeu recursos do governo do Reino para sua estada nos EUA, através de uma empresa saudita de serviços aéreos, a Dallah Alco. Era um frequente visitante da embaixada, em Washington, e do consulado em Los Angeles.

 

Osama Bassman, saudita morador em San Diego, teve várias reuniões com os autores do atentado, al-Hamzi e al-Midhar. Ele recebeu 75 mil dólares da princesa Haifa, esposa do príncipe Bandar, embaixador nos EUA, supostamente para tratamento médico da esposa do dito Osama. Parte do dinheiro foi entregue ao agente Bayoumi e parte foi usado na manutenção dos dois terroristas nos EUA.

 

Estes são apenas alguns dos indícios que levaram congressistas dos dois partidos a patrocinarem uma lei para retirar imunidades a governos envolvidos em ataques terroristas nos EUA. Uma vez aprovada, seria possível processar o governo saudita em tribunais norte-americanos.

 

Obama fez lobby no Congresso para barrar essa lei que, de acordo com ele, poria em risco estadunidenses no exterior.

 

Acabou cedendo ao clamor público. Enquanto a lei avançava no Congresso, Obama finalmente resolveu publicar as 28 páginas. Antes, porém, seriam submetidas à censura de James Clapper, chefe dos serviços secretos norte-americanos, para cortar tudo que ameaçasse a segurança dos EUA. Ou que não fosse conveniente à Casa Branca.

 

Diante destes fatos, Abdel al-Jubeir, ministro do Exterior da Arábia Saudita, entregou no mês passado ao governo dos EUA mensagem do Reino, com ameaça de pôr à venda os ativos financeiros norte-americanos que possuía, num valor total de 750 bilhões de dólares, caso a lei passasse e as 28 páginas fossem publicadas.

 

Só se pode entender uma medida tão extrema se as 28 páginas conterem fatos com um poder explosivo verdadeiramente nuclear.

 

E cria uma suposição absolutamente justificável de que sejam claras as culpas do governo saudita ou pelo menos de algum príncipe próximo ao rei Salman, a ocupar uma posição importante no Reino.

 

Obama tremeu, é claro, a venda dos papéis seria uma pancada destruidora na economia. O mundo inteiro sofreria. Mas a Arábia Saudita também.

 

Como o rei e seus muitos príncipes não têm vocação para kamikazes, nem para terroristas suicidas, muitos economistas duvidam de suas ameaças.

 

O máximo que poderia acontecer é a Arábia Saudita contentar-se em romper relações com Washington, caso seus rugidos não assustassem.

 

Mais provável é que o censor Clapper elimine tudo que comprometa direta ou indiretamente o governo de Riad e seus príncipes com o atentado das Torres Gêmeas.

 

Se for por aí, Obama sairá um tanto chamuscado. Dúvidas surgiriam de que fatos incriminadores dos sauditas tenham sido cortados.

 

Não apenas as famílias das vítimas, o povo inteiro achará inaceitável que seu governo proteja um governo estrangeiro implicado, direta ou indiretamente, no talvez maior crime cometido contra a nação.

 

Os reflexos nas eleições presidenciais são previsíveis. Donald Trump, que é louco, mas não é bobo, já declarou que, sendo eleito, vai revelar as 28 páginas, sem rasuras! E muito mais! “Os inimigos da América não ficarão impunes!”

 

Em nossa opinião, Obama deveria desclassificar (tornar público) a íntegra das 28 páginas.

 

Se o governo de Riad rompesse relações, os EUA sofreriam muito pouco. Sua dependência ao petróleo saudita não existe mais.

 

Os EUA são agora o maior produtor de petróleo do mundo. Só importam dos sauditas 11% das suas necessidades.

 

Caso o governo de Riad corte suas exportações, Washington simplesmente mudaria para novos fornecedores, pois o mundo está abarrotado de petróleo, especialmente depois da entrada do Irã no mercado.

 

É verdade que o Pentágono teria de mudar sua base militar para outro país.

Sem problema! Seria fácil encontrar quem topasse. Como, por exemplo, as repúblicas da região antigas integrantes da extinta União Soviética.

 

Prejuízo mesmo sofreria a indústria de armamentos dos EUA, com a perda desse grande cliente, talvez o maior deles.

 

Mas é um pessoal que já ganhou muito dinheiro. Que o use produzindo outros produtos, preferivelmente com fins menos letais.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Segunda, 16 de Maio de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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