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Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 27 de Abril de 2016
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Certamente não é a primeira vez, nem será a última, que o Brasil vive crises políticas e institucionais, acompanhadas ou tendo por base alguma crise econômica. Nem é a primeira, e muito provavelmente não será a última, em que setores políticos de esquerda se veem perplexos ou sem conseguir processar os acontecimentos, ou analisar adequadamente a realidade.

 

Também não é nem será a última vez que tais crises resultaram, em boa parte, seja de erros cometidos por parte da própria esquerda, ou da análise errada que essa e outras parcelas da esquerda fizeram da realidade. A atual crise econômica, por exemplo, era previsível se o governo continuasse a aplicar uma estratégia frouxa, ou quase inexistente, de investimentos na agricultura de alimentos, na indústria de bens não-duráveis e, em geral, na industrialização. E, ainda mais, continuasse aplicando uma macroeconomia de juros altos, câmbio volátil e desonerações fiscais para os oligopólios.

 

Essa estratégia acabou sendo agravada com uma política de “ajuste fiscal” que conduziu a um desajuste econômico ainda mais profundo e a uma crise de difícil superação. Em outras palavras, erros de estratégia na política econômica acabaram pavimentando o caminho para a crise na economia. O que, por sua vez, abriu espaços mais amplos para uma ofensiva política conservadora e reacionária que vinha sendo atiçada com maior força desde as eleições de 2010.

 

Naquela ocasião, a grande burguesia já emitia sinais claros de que não suportava mais as políticas de inclusão social porque isso mexia com sua taxa de lucro. Apesar disso, o comando do PT e os petistas no governo perseveraram nas mesmas políticas que estavam alimentando a crise econômica e cevando a ofensiva reacionária.

 

Por isso, não enxergaram os deslocamentos políticos de setores moderados da esquerda no rumo da direita, a exemplo do PSB e do PV. Acharam que concessões ao PMDB e a outros agrupamentos políticos de centro, com cargos no governo, seriam capazes de barrar a ofensiva reacionária. E não avaliaram em profundidade a composição da Câmara eleita em 2014, nem a vitória de Eduardo Cunha como artífice de uma agenda regressista.

 

Por isso continuaram proclamando, erroneamente, que o impeachment se devia a um golpe de “vingança” de Cunha, ao invés de dizerem abertamente que nos encontramos diante de um golpe que visa aplicar uma agenda do grande empresariado estrangeiro e nacional. Agenda que, como diz explicitamente a revista Época, do oligopólio Globo, pretende repetir a política adotada “entre o início dos anos 1990 e o fim dos anos 2000”.

 

Isto é, uma política em que “o país abriu a economia, eliminou a hiperinflação, fez privatizações, começou a entender o valor da livre-iniciativa e de um bom ambiente de negócios”. E que, podemos acrescentar, levou à quebra do parque industrial nacional, à subordinação da política externa aos ditames dos centros dirigentes dos Estados Unidos e ao aprofundamento da miséria e das desigualdades sociais a níveis ainda mais degradantes.

 

Em outras palavras, os comandos do PT e do governo foram incapazes de ver quem era realmente governo e quem era simplesmente infiltrado. E adotaram uma política de concessões e conciliações que desdenhava o recrudescimento da luta de classes, afastava o governo e o PT de suas bases sociais, e os deixava à mercê dos falsos aliados e dos verdadeiros inimigos.

 

Para complicar a dificuldade em processar as movimentações econômicas e políticas do período, aqueles comandos foram incapazes de analisar com propriedade o desencadeamento da Operação Lava Jato e da apropriação hipócrita, pela direita, da bandeira de luta contra a corrupção.

 

Primeiro, não entenderam que a grande burguesia havia decidido cortar um de seus braços para que a Lava Jato tivesse legitimidade diante da opinião pública. Depois, subestimaram a necessidade de adotar medidas duras contra petistas que haviam cometido erros ou deslizes no trato das contribuições financeiras empresariais, mesmo legais. Consideraram que isso seria desnecessário para blindar o partido e o governo contra os ataques que tinham por objetivo desmoralizá-los e liquidá-los, e criar as condições para extirpar o conjunto da esquerda e as políticas de inclusão social.

 

O que pretendo dizer com isso é que não basta, neste momento, para processar o que está acontecendo, reconhecer genericamente que foram cometidos erros. Nem que os inimigos estão unificados em torno de uma agenda de retorno do neoliberalismo, que é preciso travar as lutas institucional e social, mobilizando setores políticos, que vão além da esquerda, em defesa da democracia e demais direitos populares inscritos na Constituição de 1988.

 

É imperioso ir muito além disso, principalmente porque os petistas estão no governo e a derrota desse governo, apesar de seus erros, constituirá um golpe profundo nas conquistas democráticas do povo brasileiro. É preciso acertar as contas com os próprios erros porque, sem isso, corremos o risco de voltar a cometê-los, embora com outras embalagens.

 

Nos casos relacionados a problemas financeiros e/ou tráfico de influência, continua imprescindível examinar os processos de todos os envolvidos e, a depender de cada situação, tomar medidas públicas de expulsão, desfiliação ou afastamento. No caso dos erros de estratégia política e econômica, urge criar um Estado-Maior que implemente uma nova estratégia, capaz de enfrentar a situação de defesa estratégica em que as forças de esquerda se encontram. O que significa substituir os que querem perseverar na errônea estratégia política e econômica anterior.

 

Com as medidas acima, deve-se enfrentar a Lava Jato fazendo-a aprofundar as investigações e os processos contra todos os corruptores e corruptos, sem exceção. É preciso pressioná-la para substituir os genéricos “indícios”, e “delações por ouvir dizer”, por provas consistentes. É preciso, sobretudo, exigir celeridade no processo contra o comprovado meliante Cunha, que usa seu poder regimental para prolongar e desfazer o trabalho da Comissão de Ética da Câmara.

 

Portanto, para processar adequadamente o momento atual, é necessário colocar as questões acima na ordem do dia. Sem isso, a esquerda, em especial o PT, continuará sem a legitimidade necessária para mobilizar os grandes contingentes de trabalhadores e de outras camadas populares e médias que ainda se encontram sob a influência do trabalho de desmoralização que foi levado a cabo, e continua sendo, contra os petistas e a esquerda, em geral.

 

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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