topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
O linchamento Imprimir E-mail
Escrito por Hugo Pereira do Amaral   
Segunda, 25 de Abril de 2016
Recomendar

 



"Não se luta contra bandidos utilizando atos de banditismo" (Vladimir Safatle).

A luta política no Brasil, nestes três primeiros meses de 2016, se desenrola segundo um roteiro conhecido de sociedades dilaceradas por uma crise em grande medida artificial e que, às cegas, buscam uma solução pior do que a crise inicial, pois operada pela violência assassina de "todos contra um".

Na história contemporânea, o mais horroroso (e demente) exemplo foi dado pela Alemanha nazista. O Judeu foi designado como a causa de todos os males, não somente da Alemanha mas de toda humanidade. A imprensa escrita, a rádio, a editoração de livros e panfletos se coordenaram para dizimar, pela calúnia metódica e calculada, a comunidade judaica.

Grandes manifestações, monitoradas por Hitler e seus comparsas, converteram-se em rituais periódicos de fusão de indivíduos em uma multidão unânime no seu ódio rancoroso ao Judeu.

 

Nessas multidões que se reuniam, periodicamente, em Nuremberg, e em quase todas as cidades da Alemanha, encontravam-se, como em toda multidão, pessoas boas, porém incapazes de discernimento moral e político e, por mecânica imitação, atreladas à intoxicação geral.

 

Era também composta de indivíduos viciados na prática de desvios socialmente tolerados por serem habituais numa sociedade em decomposição, tais como caluniar, difamar ou emitir julgamentos definitivos sobre qualquer um ou qualquer coisa. Mas sempre, é claro, seguros de expressarem, em nível invejável, as grandes virtudes do povo alemão. Eram, digamos assim, assassinos virtuais que ainda se desconheciam.

Naturalmente, nessas multidões havia, como sempre, assassinos de rico e promissor prontuário policial. Todos, coisa estranha, consideravam-se puros, puríssimos: sujos eram os judeus; puros e honestos, somente eles. Assim pensava, dizia e gritava essa fina e presunçosa flor da humanidade. Mais tarde, se converteriam em aplicados e diligentes genocidas com a colaboração silenciosa dos demais.

 

Com efeito, tudo, absolutamente tudo, era mobilizado para a consecução desse objetivo ulterior (entrevisto, sussurrado, inconfessável: o extermínio de todos os judeus).

Havia entre os judeus pessoas de grande valor moral, mas também, a exemplo de qualquer comunidade feita de pessoas reais e não imaginárias, pessoas desonestas e corruptas.

Os meios de comunicação se afiaram na divulgação e no uso distorcido e perverso de qualquer comportamento condenável de qualquer judeu particular. O caso era divulgado, comentado, ampliado e, pouco a pouco, considerado desvio constitutivo de todo e qualquer judeu. Toda a comunidade foi, num primeiro momento, criminalizada para, num momento posterior, ser exterminada. Considerava-se dito espirituoso, "inteligentíssimo", afirmar que "judeu bom é judeu morto".

Ouvi, recentemente, um vizinho desatinado dizer que "petista bom, é petista morto". Fiquei, num primeiro momento, estarrecido e indignado e, logo em seguida, lembrando-me do que foi o extermínio dos Judeus e de que estamos na Semana Santa em que se rememora a paixão e a morte Jesus, vale dizer, seu linchamento em Jerusalém, comecei a considerar na seguinte perspectiva a tragédia que vivemos nestes dias de março.

 

Declaro de imediato que sou católico e se estivesse naquele tempo em Jerusalém teria, provavelmente, participado do linchamento de Jesus. Pedro, o grande São Pedro, sucessor designado por Jesus o negou não uma, mas três vezes. A maioria de seus discípulos desapareceu e a multidão enfurecida que participava desse assassinato estava convencida de que realizava uma justa e redentora ação. Eram açulados pelos, digamos assim, meios de comunicação daqueles tempos. Lideranças religiosas e políticas, os manjados arruaceiros e os maledicentes de sempre, propagadores de boatos infames.

Não se tratava de judeus enquanto judeus, mas de uma multidão enlouquecida como qualquer multidão enfurecida. Os discípulos de Jesus faziam parte dessa multidão desatinada, e Jesus pediu ao Pai, chegando ao lugar em que seria crucificado, "perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

Com efeito, o mecanismo que desencadeia a busca assassina de um bode expiatório, para a resolução de crises numa sociedade, é tão antigo quanto a própria humanidade. A originalidade da mensagem de Jesus é, entre outras, denunciar o caráter fundamentalmente mentiroso desse mecanismo. E essa mentira só se revelou porque um ser radicalmente inocente se imolou para que a inocência de todos os bodes expiatórios fosse, finalmente, reconhecida.

No entanto, alguns dirão: "esses petista são culpados". Na verdade, todos somos culpados e quem não for atire a primeira pedra. E foi, de certa forma, para contrapor-se à lógica do bode expiatório e da reiteração dos linchamentos que se constituíram as autoridades judiciárias. É por essa razão que não há corrupção maior e negação maior do judiciário do que o que ocorre hoje no Brasil: autoridades judiciárias se transformaram em fomentadoras do linchamento. Mais precisamente: do linchamento do presidente Lula. Basta!

Veja-se René Girard, O Bode Expiatório, Paulus, 2004.

 

Leia também:


 

 

“O Brasil foi confrontado com o colapso final do sistema de representação política tradicional”


 

Gilmar Mauro: “A sociedade brasileira está dividida em cisão característica da luta de classes”

 

“É uma vergonha Eduardo Cunha comandar o impeachment” – entrevista com o deputado  federal Ivan Valente

 

Guilherme Boulos: “Se passar pelo impeachment, governo poderá ter de se recompor com o pântano parlamentar”

 

“O pântano no volume morto: degradação institucional brasileira atinge ponto mais agudo" – entrevista com o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes


Afinal, o que quer a burguesia?


 

A necessidade de reconhecer a derrota sem nos sentirmos derrotados

 

Belo Monte e a democracia

 

Jogo jogado?

 

Das injustiças e dos arbítrios

 

A agenda das contrarreformas no Congresso: 63 ataques aos direitos sociais

 

“Na política brasileira, está em jogo, acima de tudo, repactuação do poder e estancamento da Lava Jato” – entrevista com o deputado federal Chico Alencar

 

Assumir as derrotas, construir as vitórias

 

Brasil fragmentado na expectativa do dia seguinte

 

Sobre a vontade generalizada de ser massa de manobra

 

O buraco negro da conjuntura política nacional

 

A classe trabalhadora volta do paraíso

 

‘Governo arruinou a Petrobras; Brasil já perdeu janela aberta pelo Pré-Sal pra se alavancar’ – entrevista com o cientista político Pergentino Mendes de Almeida

 

O que pretendem os setores dominantes com o impeachment de Dilma: notas preliminares

 

“Lula é o grande responsável pela crise" – entrevista com o economista Reinaldo Gonçalves

 

Fábio Konder Comparato: “A Operação Lava Jato perdeu o rumo”

 

Sobre crises, golpes e a disputa do Planalto

 

Lula na Casa Civil: o que muda para a esquerda?

 

Referendo revogatório: que o povo decida

 

Não é por Dilma e Lula

 

‘Sistema político derrete em meio a dois clãs em disputa pelo aparelho de Estado’ – entrevista com o cientista político José Correia Leite

 

"Lula e o PT há muito se esgotaram como via legítima de um projeto popular" – entrevista com a socióloga Maria Orlanda Pinassi

 

Precisamos construir outro projeto de país, longe dos governistas

 

“A Operação Lava Jato ainda não deixou claro se tem intenções republicanas ou políticas” – entrevista com o filósofo e pesquisador Pablo Ortellado

 

“O Brasil está ensandecido e corre risco de entrar numa aventura de briga de rua” - entrevista com o cientista político Rudá Ricci.

 



 

Hugo Pereira do Amaral é sociólogo.

 

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates