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Nem choro nem vela: luta Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 20 de Abril de 2016
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O resultado da votação, na Câmara dos Deputados, para a abertura do processo de impedimento da presidente Dilma, era previsível. A direita havia chegado a um acordo quanto à tática de derrubar Dilma e deixar Temer e Cunha assumirem (não esquecer que, na prática, o meliante presidente da Câmara dos Deputados passará a ser o vice-presidente de fato).

 

Isso levou ao rompimento oficial do PMDB e de outros partidos de centro e da direita com o governo, e aos rachas que ocorreram em outras agremiações, a exemplo do PR. E o argumento de crime de responsabilidade em relação ao que chamaram de “pedaladas fiscais” lhes pareceu política e juridicamente defensável para julgar a presidente, principalmente depois que o STF referendou, embora em votação apertada, a “legalidade” do processo.

 

O que talvez não fosse previsível foi a desfaçatez, a falta de decoro, a baixaria, a breguice, a despolitização, o ridículo, o grotesco, o patético e o ódio com que a esmagadora maioria dos deputados pró-golpe de impeachment justificou seu voto “sim”. Era natural supor-se que manteriam a máscara da seriedade e da liturgia da posição que ocupam no aparato do Estado. Mas não quiseram perder a oportunidade e o desbunde da direita parlamentar foi geral.

 

Para pessoas que não conhecem suficientemente o povo brasileiro, uma sessão presidida por um deputado claramente imputado como corrupto e corruptor, e o espetáculo daquela trupe de tresloucados incultos, pode ter dado a impressão de que De Gaulle estava com a razão quando disse que o Brasil não era um país sério. A maioria do povo brasileiro não merecia essa vergonha e esse escárnio.

 

Com raras exceções, a esmagadora maioria dos votantes pelo impeachment sequer teve o cuidado e o pudor de esconder os motivos reais daquela votação. Além das razões relacionadas com a família, a esposa, os filhos, os pais, os avós, os tios, os eleitores, os bairros, as cidades, os estados, os produtores rurais, o coronel torturador, o funileiro da esquina e quem mais houvesse para citar, praticamente todos os declarantes do “sim” afirmaram que seu voto se relacionava ao objetivo de acabar, liquidar, defenestrar o PT do governo.

 

Alguns agregaram comunistas, “destruidores da família” e outros inimigos àquele objetivo. Mas não chegaram a 5% os que se deram ao trabalho de adicionar alguma justificativa ao propalado motivo de “crime de responsabilidade” relacionado a “pedaladas fiscais”. O “crime de responsabilidade” inafiançável consiste em que o PT e parte da esquerda estão no governo. O resto foi simples detalhe.

 

Por outro lado, esse resultado, mesmo que um recurso ao STF produza o milagre de reconhecer que a sessão da Câmara dos Deputados foi um embuste e um golpe, representou uma verdadeira “derrota estratégica” para a esquerda. Derrota que delineou mais claramente o quadro político brasileiro, seja no parlamento e nos diversos órgãos do Estado, seja nas classes sociais.

 

Ao empunhar sozinha a bandeira da luta contra a corrupção, e não vacilar em cortar na carne uma parte da própria classe dominante, representada pelo oligopólio da construção pesada, a direita mobilizou importantes setores da pequena-burguesia urbana e rural contra as conquistas sociais e políticas dos últimos anos, colocou setores do Estado abertamente a seu serviço, paralisou o segundo mandato do governo Dilma e destruiu a hipotética “base de sustentação” do governo no Congresso.

 

Para piorar, a política de “desajuste” econômico adotada pelo governo Dilma aprofundou a crise econômica e a paralisia da máquina governamental, e criou imensas dificuldades para mobilizar em sua defesa os setores populares e médios afetados pelo desemprego e pela crise econômica.

 

Nessas condições, a mobilização social contra o golpe só foi possível porque parcelas importantes da esquerda adicionaram à defesa da continuidade legal do governo Dilma as reivindicações de mudanças na política econômica e de continuidade das políticas sociais. A proposta de adoção de uma nova política econômica pelo diretório nacional do PT foi positiva, mas veio atrasada e não foi acompanhada de medidas concretas pelo governo.

 

Para fazer frente a tal “derrota estratégica”, o primeiro passo consiste em reconhecê-la. E realizar ações de “defensiva estratégica” ou mesmo de “retirada estratégica”, tanto no campo da política quanto da economia, que permitam à esquerda, em geral, manter e recompor suas forças, estreitar os laços com suas bases sociais e criar divisões na direita.

 

Em vista disso, o governo precisa, urgentemente, considerar que sua base política de sustentação é, hoje, constituída pelos partidos cujos deputados disseram “não” ao golpe. E, em consonância, reorganizar-se e estabelecer, em conjunto, um programa de ações imediatas que incluam mudanças na orientação econômica, a disputa política no parlamento e na sociedade, e a disputa jurídica.

 

Paralelamente, tanto no caso do PT quanto no de outros partidos e correntes de esquerda, é preciso trabalhar para reconhecer e superar os erros que levaram a presente situação. Para enfrentar o rolo compressor da direita, cujo comando está nos conglomerados financeiros que dirigem a economia brasileira, será preciso superar as ilusões “melhoristas” e “conciliadoras” e estabelecer um programa de reformas estruturais, de sentido socialista, que sirvam de rumo a qualquer escalão de governo de esquerda.

 

Ao mesmo tempo, será necessário acertar as contas com a antiga política de captação de contribuições financeiras empresariais, mesmo legais. Não é mais viável continuar tapando o sol com a peneira e tratar do assunto como se fosse apenas perseguição política. Só assim será possível estabelecer uma política de combate à corrupção que force a Lava Jato e outras operações policiais e judiciais em curso a realmente punir corruptos e corruptores, com base em provas cabais e não em suposições que possam livrá-los mais adiante por incoerências legais no processo.

 

Mais do que antes, é necessário evitar os surtos da “doença infantil do esquerdismo”. Ações de bloqueios de estradas, ruas e avenidas, por exemplo, dão noticiário, mas jogam possíveis aliados para o lado da direita. Black Blocs ou algo parecido têm o mesmo efeito. Bandeiras vermelhas são marca importante, mas a ausência ou presença rala de bandeiras nacionais permitiu à direita usar o verde e amarelo para encobrir sua hipocrisia. E não é mais possível manter uma política de comunicação que pressupõe a possibilidade de o Partido da Mídia usar seus meios de forma neutra e abrir espaços para a esquerda.

 

Finalmente, mas não o final, será preciso se entrosar nas lutas reais das grandes massas trabalhadoras e populares, e procurar conquistar parcelas significativas da pequena-burguesia que, como vimos, pode servir de massa de manobra poderosa da direita se não levarmos em conta seus interesses. A esquerda, e mais notoriamente o PT, precisa retomar os laços reais de ligação com os trabalhadores e as camadas populares e médias se verdadeiramente pretendem que a presente derrota estratégica seja superada a médio prazo. Em outras palavras: é preciso lutar, sem choro nem velas.

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Segunda, 25 de Abril de 2016
 

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