Putin, o lobo mau de sempre

 

 

 

 

A linha dura dos EUA não para de falar o diabo de Putin. E a fiel mídia internacional está sempre a postos para espalhar pelo mundo os supostos “podres” do presidente russo.

 

No mês passado, ele foi acusado de ter articulado o assassinato de um inimigo político, radicado no Reino Unido. Na verdade, não era considerado certo, falava-se em “provável”...

 

Sem tomar fôlego para descansar, os grandes veículos mundiais de imprensa, pouco depois garantiram que Putin era o homem mais rico da Rússia, com uma fortuna avaliada em 40 bilhões de dólares, amealhada através de negócios escusos feitos por seu país com os EUA.

 

Foi um funcionário do Tesouro norte-americano que fez a denúncia. Quanto a provas? Zero.

 

Não passou um mês e mais uma caracterização do tzar moderno como grande criminoso internacional. Ao divulgar os chamados Panama Papers, que implicavam milionários em firmas ocultas em paraísos fiscais, suspeitas de sonegação e lavagem de dinheiro, a grande mídia do Ocidente (inclusive do Brasil) ilustrou a matéria com uma foto de Putin, a ligar o líder moscovita ao grande escândalo.

 

E os textos afirmavam que amigos da família de Putin estavam entre os investidores e um cidadão próximo a ele, titular de um fundo de 2 bilhões de dólares, seria provavelmente um laranja do russo.

 

Diante da grande foto de Putin e do texto ambíguo, muitas pessoas devem ter sido levadas a crer que se tratava de mais uma trampolinagem do lobo mau das estepes.

 

Os Panama Papers incluíam também documentos que citavam Poroschenko, presidente da Ucrânia, o primeiro-ministro da Islândia e o pai de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, como proprietários de firmas nos paraísos fiscais.

 

Suas situações, embora inicialmente tratadas de modo secundário na maioria da mídia, eram bem mais graves.

 

Grandes manifestações de rua forçaram o premier islandês a se demitir. Ao confessar que lucrara belas libras e euros com as especulações do papai, Cameron foi atacado no parlamento e deputados trabalhistas sugeriram sua renúncia.

 

Quanto a Putin, como nada constava dele no episódio, ficou na cômoda posição de criticar a estranha sofreguidão midiática.

 

Mas ele que vá se preparando. Em breve, novas denúncias de suas presumíveis más ações deverão estar circulando pelo mundo.

 

O agit-prop de Washington não descansa.

 

 

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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