Brasil, cuidado com a intolerância!

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“Meu nome é Alabê de Jerusalém
Voltei a Terra pra matar saudade
Vim falar de amor, de tolerância e igualdade

...

Ó meu Brasil
Cuidado com a intolerância
Tu és a pátria da esperança
À luz do Cruzeiro do Sul
Um país que tem coroa assim tão forte
Não pode abusar da sorte
Que lhe dedicou Olorum”

 

(G.R.E.S. Unidos do Viradouro, 2016)

 

Uma mulher é abusada sexualmente num ônibus lotado. Chega em casa, posta uma foto numa rede social que prova o ocorrido. É achincalhada nas redes sociais, recebe mensagens ameaçadoras, tem sua conta hackeada na rede social. Nos sites de notícias, a maior parte dos comentários foram bloqueados, tal os horrores que estavam escritos.

 

Uma casa de acolhimento de adolescentes, no bairro Pilarzinho, é invadida por um “bando” encapuzado, armados com facas e correntes, que ameaçam os 12 jovens e os educadores sociais. Os invasores gritaram que a casa não é bem-vinda no bairro.

 

Em Quedas do Iguaçu, no Oeste do Paraná, dois sem-terra acampados, ligados ao MST, são assassinados e outros tantos ficam feridos numa emboscada preparada, tudo indica, por jagunços ligados a Araupel, com apoio da PM. Em nota, a PM acusa os militantes do MST de terem feito emboscada. Com feridos só entre aqueles que supostamente organizaram a emboscada, a versão da PM do caso pode ficar na história junto com outras falsificações grosseiras, como a do Riocentro em 1981 e a morte de Vladimir Herzog.

 

Em audiência pública na ALEP (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná), enquanto escrevia este texto, imigrantes foram verbalmente agredidos e intimidados.

 

Tudo isso aconteceu no estado do Paraná na mesma semana. Podemos citar outros tantos casos se ampliarmos o período. Não é coincidência. Não são casos isolados.

 

É fruto de um clima de intolerância que estamos vivendo em nosso país. Uma intolerância com quem é diferente, com quem tem de lutar todos os dias para conseguir seu sustento, seus direitos mais básicos.

 

Estamos vivendo um momento que estes segmentos intolerantes, que sempre existiram, mas que estavam “de pijama” desde o fim da ditadura civil-militar de 1964, se sentem à vontade para atuar por fora da lei, com apoio de muitos parlamentares e governantes, que acabam por jogar mais lenha na fogueira. São grupos minoritários, mas que a cada dia se sentem com mais poder e apoio.

 

Não é possível aceitarmos isso de olhos fechados. Estes ataques têm de ser todos condenados. As vítimas devem ser apoiadas. Os responsáveis tem de ser punidos. Se nada acontecer, a intolerância só vai aumentar.

 

Não podemos esperar que, como na história contada no samba que citei acima, o respeito e práticas democráticas dependam de uma entidade espiritual. Se assim acontecer, estaremos mesmo destinados a viver na época do todos contra todos e do cada um por si.

 

Bernardo Pilotto é sociólogo e presidente do PSOL-PR.

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