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Campanha da Fraternidade 2016 e sustentabilidade (3) Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sassatelli   
Segunda, 04 de Abril de 2016
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Vimos que o sistema capitalista neoliberal é insustentável e sua insustentabilidade é estrutural. A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 (CFE 2016) - cujo tema é “Casa comum, nossa responsabilidade” - faz-nos acreditar que uma “outra sustentabilidade” ou um “outro desenvolvimento sustentável” é possível e necessário. Esse outro desenvolvimento sustentável é construído por todos aqueles e aquelas que lutam para mudar o sistema capitalista neoliberal, abrindo caminhos alternativos e fazendo acontecer um projeto estruturalmente novo de sociedade e de mundo, ou seja, um projeto baseado em relações de igualdade, de justiça, de solidariedade e de irmandade. Como já disse outras vezes, é o projeto da sociedade do “bem viver”, que - à luz da Fé - é o projeto de Jesus de Nazaré: o Reino de Deus acontecendo na história do ser humano e do mundo.

 

A respeito do sistema dominante - que é o sistema capitalista neoliberal - o Papa Francisco afirma: “esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a colocar a dignidade humana no centro, e que, sobre esse alicerce, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos” (1º Encontro Mundial dos Movimentos Populares - EMPP. Roma, 27-29/10/14).

 

Esse sistema é o “estado de mal-estar social” ou a causa última de todos os males sociais e ambientais. Em linguagem teológico-moral, é hoje a concretização histórica do pecado social e ambiental ou pecado estrutural. Não podemos esquecer essa realidade.

 

No sistema capitalista neoliberal - por ser um “sistema econômico iníquo” (Documento de Aparecida - DA, 385) - a corrupção, a violência, a injustiça, a desumanidade e a imoralidade são constitutivas da própria estrutura do sistema e consideradas naturais.

 

As práticas pontuais de corrupção, de violência, de injustiça, de desumanidade e de imoralidade, que - quando descobertas - são denunciadas na mídia e provocam hipocritamente grandes escândalos. Na verdade, mesmo reconhecendo a responsabilidade das pessoas e dos grupos envolvidos, são simples reflexos de uma iniquidade estrutural muito mais profunda, que é a iniquidade do sistema.

 

O papa afirma categoricamente que “o sistema social e econômico é injusto em sua raiz” e “um mal embrenhado nas estruturas”. E declara: “devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Essa economia mata”. “Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, em que o poderoso engole o mais fraco”. “O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do ‘descartável’, que, aliás, chega a ser promovida”. “Os excluídos e excluídas não são ‘explorados’, mas resíduos, ‘sobras’” (A Alegria do Evangelho - EG, 53 e 59).

 

O nosso irmão o Papa Francisco lembra-nos também que “a necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar”. “Os planos de assistência, que acorrem a determinadas emergências, deveriam considerar-se apenas como respostas provisórias. Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais”.

 

E diz ainda: “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, mas às vezes parecem somente apêndices adicionados de fora para completar um discurso político sem perspectivas nem programas de verdadeiro desenvolvimento integral. Quantas palavras se tornaram molestas para este sistema!

 

Molesta que se fale de ética, molesta que se fale de solidariedade mundial, molesta que se fale de distribuição dos bens, molesta que se fale de defender os postos de trabalho, molesta que se fale da dignidade dos fracos, molesta que se fale de um Deus que exige um compromisso em prol da justiça. Outras vezes acontece que estas palavras se tornam objeto duma manipulação oportunista que as desonra. A cômoda indiferença diante destas questões esvazia a nossa vida e as nossas palavras de todo significado” (EG, 202-203).

 

Os protestos dos Movimentos Populares e do povo em geral - sem deixar de denunciar e combater as práticas pontuais de corrupção (como a da Petrobras e outras), que são reflexos de um sistema estruturalmente corrupto - devem ter como foco principal o próprio sistema e apontar caminhos novos que levem a uma mudança de estruturas.

 

“A economia - continua o Papa Francisco - não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum. Isto implica cuidar zelosamente da casa e distribuir adequadamente os bens entre todos”.

 

“A nossa casa comum pode comparar-se ora a uma Irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa Mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Esta Irmã, a Mãe Terra, “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos pensando que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8,22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”.

 

Em síntese, o Papa Francisco, de um lado, fala que a economia do sistema dominante - que é o sistema capitalista neoliberal - é uma “economia de exclusão e desigualdade”, uma “economia idólatra”; uma economia que “mata”, que “exclui” e que “destrói a Mãe Terra”, e nos pede para dizer “não” a essa economia. De outro lado, com o coração aberto e cheio de esperança, fala de uma “economia popular que surge da exclusão e que pouco a pouco, com esforço e paciência, adota formas solidárias que a dignificam”; de uma “economia popular e produção comunitária”; de uma “economia verdadeiramente comunitária”; de uma “economia de inspiração cristã”; de uma “economia justa”; de uma “economia a serviço das pessoas” (2º EMMP. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 7-9/07/15).

 

Somente nessa economia popular e comunitária é possível uma outra sustentabilidade ou um outro desenvolvimento sustentável, autêntico e integral.

 

Infelizmente, os partidos políticos que nestes últimos anos governaram e ainda governam o Brasil - inclusive o PT que foi uma decepção para os trabalhadores e as trabalhadoras - “são partidos ‘gestores’ e ‘administradores’ do sistema que temos”.

 

O PT introduziu no governo como inovação “o sistema de Bolsas e outras iniciativas que levaram à significativa e histórica inclusão social”. (Daniel Aarão Reis Filho. Entrevista: “A corrupção no Brasil é ampla, geral e irrestrita”. Diário da Manhã, 13/03/2016, p. 13). Não foi, porém, capaz, ou melhor, não quis (por ter-se comprometido - antes de ganhar as eleições - com o sistema capitalista neoliberal dominante) realizar mudanças estruturais significativas no Brasil, que permanece um país profundamente desigual e injusto.

 

O discurso de uma “outra sustentabilidade” ou de um “outro desenvolvimento sustentável”, possível e necessário, deve levar à “mudança” do sistema capitalista neoliberal no Brasil e no mundo. E é essa mudança que o Papa Francisco aponta.

 

Que a CFE 2016 nos conscientize, nos eduque e nos comprometa com essa mudança! Páscoa - para os cristãos e cristãs - é “passagem” para uma vida nova. E é essa “passagem” que desejo a todos os leitores e leitoras. Feliz “passagem”! Feliz Páscoa!

 

Leia também:


Campanha da Fraternidade 2016 e sustentabilidade (2)

Campanha da Fraternidade 2016 e sustentabilidade (1)


Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

 

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