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“Lula é o grande responsável pela crise" Imprimir E-mail
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação   
Qui, 24 de Março de 2016
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A nomeação de Lula para a Casa Civil ainda está travada na justiça e os desdobramentos da Operação Lava Jato continuam arrepiando o país, após divulgação de lista com mais de 200 nomes de parlamentares que a Odebrecht financiou ou ao menos considerou incluir em sua lista de cooptação. De toda forma, a vida precisa seguir e uma das frentes a ser enfrentada é a recessão econômica que continua aumentando o desemprego. Foi sobre todo esse quadro que o economista Reinaldo Gonçalves concedeu mais uma implacável entrevista ao Correio da Cidadania.

 

“Estou convencido que os progressistas têm mais razões do que os conservadores para serem a favor do impedimento de Dilma. Lula perdeu, para sempre, a maior parte do seu capital político. Ele é certamente o principal responsável pela crise moral, intelectual, social, econômica, política e institucional que atinge o país. Lula está enfraquecido moral, física, mental, legal e politicamente. O campo em que ele avança está minado ou apodrecido”, atacou.

 

Dessa forma, o autor dos livros Globalização e Desnacionalização e Desenvolvimento às Avessas desqualifica toda a tentativa do governo Dilma e da militância governista em reavivar o mito de Lula para os embates políticos que praticamente enlouquecem o país. E, apesar de reconhecer a dificuldade global da economia, ressalta que o Brasil patina em sua própria mediocridade ao não conseguir coordenar nenhum esforço conjunto para tentar diminuir os impactos da atual recessão econômica, a despeito de algumas opções em debate.

 

“A situação internacional não está particularmente favorável, mas não é uma restrição grave. O problema não é o mundo, a tragédia somos nós mesmos: invertebramento da sociedade, deterioração da moral, degradação das instituições e o Modelo Liberal Periférico com suas transformações estruturais fragilizantes. Não vale a pena perder tempo com a moralidade na política e nos grandes negócios e, menos ainda, com a intelectualidade brasileira que não escapou do processo generalizado de degradação”, resumiu.

 

A entrevista completa com Reinaldo Gonçalves pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Em primeiro lugar, o que você comenta dos últimos fatos da política brasileira marcada pela nomeação de Lula a Casa Civil, protestos de corte conservador contra tal decisão da presidente Dilma país afora e uma crise que continua se prolongando?

 

Reinaldo Gonçalves: A nomeação de Lula, além de ser ilegal segundo decisões de juízes e avaliações de juristas, é ilegítima. Politicamente é um tiro na nuca. Ela revela a degradação política e institucional a que chegamos, inclusive no que se refere ao papel da presidente da República. Devo ressaltar que os protestos têm contado com forças tanto conservadoras como progressistas. Tenho ido a todas as manifestações e encontrado pessoas de direita, centro e esquerda e, também, pessoas sem qualquer ideologia ou opção partidária explícita.

 

É um equívoco imaginar que o processo de impedimento parte dos conservadores. Esse equívoco só tende a reforçar o movimento pelo impedimento. Pessoas sensatas e responsáveis se sentem agredidas quando chamadas de "coxinhas". Agressão gera reação. Estou convencido que os progressistas têm mais razões do que os conservadores para serem a favor do impedimento de Dilma Rousseff e, também, da prisão de Lula.

 

Os amigos de Lula deveriam recomendar que ele fizesse delação premiada. Ele tem 70 anos e é milionário. Essa crise está destruindo a saúde física e mental de Lula. Com a delação ele paga multa e, provavelmente, pega prisão domiciliar por algum tempo. E, como consequência, sobrevive alguns anos longe da política.

 

Correio da Cidadania: A ideia, portanto, de que Lula possa criar um novo pacto de conciliação pelo país, com contribuição do PMDB, a fim de gerar uma estabilidade mínima para a continuidade da vida política e econômica, seria no mínimo ilusória, a seu ver?

 

Reinaldo Gonçalves: Lula perdeu, para sempre, a maior parte do seu capital político. Ele é certamente o principal responsável pela crise moral, intelectual, social, econômica, política e institucional que atinge o país. Lula está enfraquecido moral, física, mental, legal e politicamente. O campo em que ele avança está minado ou apodrecido. A fantasia de Lula era de papel crepom: hoje o líder global aparece como serviçal de grandes grupos econômicos, com graves implicações que isso tem, inclusive de natureza legal. Lula está sendo investigado por vários crimes graves. Lula tornou-se um figurante fantasiado de rei, mas que se acha protagonista!

 

Correio da Cidadania: De outro lado, enxerga possibilidades de a crise, com todos os seus traços de histeria, aumentar e acelerar o próprio fim do governo Dilma?

 

Reinaldo Gonçalves: Em trabalho recente estimo que o custo do mau governo Dilma chega a 4 trilhões de dólares. Isso representa 4 vezes o PIB argentino em 2015. A crise tem elementos concretos como queda de renda, desemprego, violência, péssima qualidade de serviços de utilidade pública, confiança no futuro escorrendo pelo ralo etc. É muito sofrimento físico e mental para o povo brasileiro. Tenho chamado atenção para o fato de que o Brasil apodreceu nos últimos anos. O movimento pelo impedimento é reflexo da crise sistêmica brasileira.

 

O cenário otimista é que, após o impedimento, haja um processo de reequilíbrio, um nivelamento do campo de jogo, inclusive com a recuperação da produção, renda e emprego. O impedimento é condição necessária, ainda que não suficiente, para o país sair dessa profunda crise sistêmica. Ainda que figurante supérfluo, Dilma Rousseff é uma das principais responsáveis. É a mediocridade esférica: ruim para trabalhadores e capitalistas, ruim para a direita e para a esquerda; ruim para o passado e péssima para o presente e o futuro etc.

 

Correio da Cidadania: O que pensa das supostas saídas para a crise econômica que parte da mídia e dos atores políticos já discutem, a partir do uso das reservas cambiais pra reativar a construção civil e emprego e retomada de parte da “fórmula de sucesso” do auge do lulismo?

 

Reinaldo Gonçalves: As reservas internacionais podem ser usadas para diminuir a dívida externa brasileira. Entretanto, o governo Dilma é absolutamente incapaz de definir e implementar qualquer estratégia. Exemplos: Banco Central e Petrobrás estão emitindo títulos no exterior a taxas de juros muito elevadas. Há total e completa descoordenação na área econômica. A proposta de vender as reservas não é detalhada. Parece muita alegoria e pouco enredo. Antes todos queriam os recursos do pré-sal, agora querem os recursos do FGTS e as reservas internacionais!

 

Correio da Cidadania: A seu ver, qual poderia ser a receita para que o Brasil saísse da crise econômica?

 

Reinaldo Gonçalves: No campo da urgência está a crise moral, política e institucional. Em primeiro lugar, a interrupção dos mandatos de Dilma Rousseff e Michel Temer; em segundo, o indiciamento, julgamento, condenação e prisão de Lula, Renan e Cunha; em terceiro, a próxima presidente do STF monta um governo provisório e convoca eleições gerais; em quarto, uma faxina geral no Legislativo.

 

Os atores políticos que chegarem ao governo, seja agora, em 2017 ou 2018, terão de enfrentar a herança maldita de FHC, a desastrosa (bombas de efeito retardado) de Lula e a tragicômica de Dilma. Esses três são responsáveis pela adoção e aprofundamento do Modelo Liberal Periférico que coloca o país em uma trajetória de longo prazo de instabilidade e crise. O Brasil não se recupera tão cedo: uma década perdida é o cenário otimista.

 

Correio da Cidadania: Como enxerga o quadro brasileiro frente à situação econômica internacional?

 

Reinaldo Gonçalves: A situação internacional não está particularmente favorável, mas não é uma restrição grave. O problema não é o mundo, a tragédia somos nós mesmos: invertebramento da sociedade, deterioração da moral, degradação das instituições e o Modelo Liberal Periférico com suas transformações estruturais fragilizantes. Não vale a pena perder tempo com a moralidade na política e nos grandes negócios e, menos ainda, com a intelectualidade brasileira que não escapou do processo generalizado de degradação. Concluo com uma publicidade: meu livro Desenvolvimento às Avessas (Rio de Janeiro: LTC, 2013). Nele concluo que o Brasil estava se afundando em uma trajetória de instabilidade e crise que iria atingir as instituições. Não deu outra!

 

 

Leia também:


Não há como recuperar a legitimidade da política sem ruptura radical com Lula e Dilma – entrevista com Reinaldo Gonçalves publicada em agosto de 2015.


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Valéria Nader é economista e editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

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Última atualização em Qui, 14 de Abril de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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