Obama abre o verbo em Cuba

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Obama chegou ontem em Havana acompanhado de sua mulher, Michelle, das filhas Malia e Sasha, e da sogra Marian Robinson. Só faltou o cão Bo, também conhecido por First Dog. Percorreu Havana Velha e, na catedral, foi recebido pelo cardeal de Cuba, monsenhor Jaime Ortega.

 

Hoje cedo, ele visitou, na Praça da Revolução, o monumento a José Martí, intelectual que liderou, no século 19, a luta pela independência de Cuba em relação à Espanha. Em seguida, foi recebido por Raúl Castro para uma rodada de conversações. Ao final, os dois mandatários deram uma coletiva à imprensa. Credenciaram-se para cobrir a visita de Obama 2.500 jornalistas.

 

Segundo Washington, em seu colóquio com Raúl Castro o presidente dos EUA ressaltaria os avanços nas relações entre os dois países, falaria do aumento de intercâmbio comercial e também “seria muito franco quanto aos temas sobre os quais há desacordo”, frisou Ben Rhodes, assessor de segurança nacional da Casa Branca.

 

À tarde, Obama teve encontro com empresários cubanos e, à noite, seria homenageado com um jantar no Palácio da Revolução.

 

Na terça, Obama discursará, para uma plateia de mil pessoas, no Gran Teatro de La Habana, inaugurado em 1838 e recentemente reformado. Quase todos os presentes foram convidados pela embaixada dos EUA, inclusive um grupo de jovens cubanos.

 

Este será o momento crucial da visita, quando o presidente estadunidense abrirá literalmente o verbo. Evocará a complicada história das relações entre os dois países e deixará claro que não é intenção dos EUA promover uma mudança de regime em Cuba, pois isso depende do povo cubano. A embaixada estadunidense em Havana se empenha para que o governo cubano autorize a transmissão do discurso para toda a ilha.

 

Mencionará ainda a ruptura entre os cubanos da ilha e a comunidade cubano-estadunidense, e insistirá na reconciliação entre eles. E, em tom diplomático, abordará a questão dos direitos humanos em Cuba. Não deverá, contudo, usar o velho tom ianque de quem pretende ditar regras.

 

À saída do teatro, o presidente dos EUA se reunirá com “membros da sociedade civil”. Leia-se: um grupo de críticos à Revolução Cubana, chamados “dissidentes”.

 

A visita culminará com a presença de Obama em um jogo de beisebol entre Tampa Bay Rays (EUA) e a seleção de Cuba.

 

 

Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.


Website: http://www.freibetto.org/

Twitter: @freibetto.

 

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