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‘O governo está encurralado e dificilmente sairá do atoleiro em que se meteu desde o começo’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Segunda, 14 de Março de 2016
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O Brasil amanheceu sob o impacto de uma das maiores manifestações políticas nacionais desde a chamada redemocratização, um histórico domingo de domínio conservador em diversas capitais e importantes cidades, cujo impacto foi ainda mais aterrorizante ao mais que enfraquecido governo Dilma. Para fazer uma primeira análise, o Correio da Cidadania conversou com Bernardo Pilotto, funcionário do Hospital das Clínicas de Curitiba e candidato a governador estadual pelo PSOL em 2014.

 

“Representa o desgaste da população para com o governo. Ainda que quem foi às ruas não represente o todo da população, a maioria apoia os protestos e apoia quem foi para a rua. Quem tende a capitalizar são grupos e partidos de direita que estão fora do establishment atual, tais como MBL e Vem Pra Rua. Ficou bem claro que PSDB, PPS, Solidariedade etc. têm dificuldades de dialogar com tais movimentos também, embora o foco resida no PT”, afirmou.

 

Como se nota, apesar do evidente ranço conservador e do corte de classe pouco representativo da população, a compreensão dos fatos é menos simplória do que sugerem os governistas e sua retórica “anti-golpe”. Aliás, tal elemento demonstra que o lulismo deverá ficar encerrado em suas velhas posições e métodos políticos, sem qualquer autocrítica.

 

Apesar do momento, Pilotto aponta que o perfil de tais manifestantes, em especial etário, é muito diferente daqueles que foram às ruas em 2013, o que sinaliza um espaço para se pautarem demandas de viés mais progressista no meio da luta política que volta a chacoalhar o Brasil. Por fim, volta a lembrar como o PT é vítima das próprias concessões e instrumentos criados para governar.

 

“É bom lembrar que a CPI da chamada ‘Privataria Tucana’ foi sufocada no Congresso Nacional quando Marco Maia (PT-RS) era o presidente da Câmara dos Deputados. Era uma CPI que poderia investigar desvios do governo FHC. Por outro lado, é a primeira vez no Brasil em que foram presos corruptores. Não é pouca coisa o dono da Odebrecht estar preso e condenado a 19 anos. Nesse sentido, a Lava Jato se beneficia da Lei Anticorrupção aprovada pelo próprio governo Dilma”, resumiu.

 

A entrevista completa pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como você avalia as massivas manifestações desse dia 13 de março, que colocaram cerca de 5 milhões de pessoas na rua sob a bandeira anticorrupção e em franco repúdio ao governo Dilma? Como avalia sua força e magnitude?

 

Bernardo Pilotto: Representa o desgaste da população para com o governo. Ainda que quem foi às ruas não represente o todo da população, a maioria apoia os protestos e apoia quem foi para a rua. Mostrou-se uma indignação ainda focada na questão da corrupção, espraiando-se pra pautas conservadoras e atacando medidas progressivas do governo, como Bolsa Família e programas sociais que nem deveriam ser considerados muito progressivos.

 

O governo está encurralado e dificilmente sairá desse atoleiro em que se meteu desde o começo do mandato da Dilma. De fato, não há governo, e agora existe um risco maior de a Dilma ser colocada pra fora, deixar de ser a presidente de fato e não só de direito, como agora.

 

Correio da Cidadania: Qual tipo de perfil você atribui a essas marchas tão massivas? Algum grupo político tende a capitalizar a insatisfação ou todos ficam na berlinda?

 

Bernardo Pilotto: Quem tende a capitalizar são grupos e partidos de direita que estão fora do establishment político atual, tais como MBL e Vem Pra Rua, que podem também capitalizar pelas vias tradicionais nas eleições, através de partidos de aluguel, mas como críticos destes mesmos partidos.

 

Ficou bem claro que partidos como PSDB, PPS, Solidariedade têm dificuldades de dialogar com tais movimentos também, embora o foco resida no PT.

 

Correio da Cidadania: O que imagina na política brasileira nas próximas semanas, em termos de consequências dessas manifestações?


Bernardo Pilotto: Acredito que depende um pouco do andamento da Lava Jato, que está um pouco fora do esquema político, já que vem pelo poder judiciário. Teremos de ver como a delação, ou não, do Delcídio na semana que vem irá impactar e, principalmente, depende da posição do PMDB.

 

O PMDB colocou um prazo de 30 dias pra assumir alguma postura, mas na verdade só esperava o resultado de ontem. Como houve muita gente na rua, o partido deve decidir largar o governo, o que seria a pá de cal na manutenção da Dilma no cargo.

Correio da Cidadania: Acredita que a crítica ao perfil de classe, cor e renda dos manifestantes de domingo são suficientes politicamente?


Bernardo Pilotto: Essa crítica não basta. Se olharmos uma faixa da manifestação, há setores que dialogam muito com a esquerda, a exemplo de funcionários públicos. A faixa salarial de 5 a 10 mínimos representa isso, trata-se de renda a partir de 4 mil reais.

 

Dizer que só havia ricos, elite, nas manifestações é fechar os olhos pra realidade. A manifestação é, sim, capitaneada pelas elites; é, sim, comandada por um setor de empresários e profissionais liberais. Mas a população em geral apoia, ainda que parte dela não tenha se sentido à vontade pra ir. E já vimos manifestações de pautas mais populares capitaneadas por pessoas de perfil de classe média.

 

Creio que a diferença do domingo é que não havia muitos jovens. Não é tanto o perfil econômico, apesar de este ser importante. Mas tem a questão da idade. Quem foi às ruas em 2013 não tem ido às ruas em 2015 e 2016, ao menos não sob o chamado desse movimento.

 

A chave da conjuntura é dialogar com quem estava nas ruas em 2013, porque me parece que esses não estavam nas ruas ontem, conforme as pesquisas de perfil dos manifestantes apontam.

 

Correio da Cidadania: O que imagina como saída do governo e dos setores lulistas, que também organizarão suas manifestações em defesa do governo e da democracia, como anunciam, ainda neste mês?

 

Bernardo Pilotto: Os setores governistas não têm saída. Vão ficar numa defesa cega do governo, achando que nada mudou no Brasil em termos políticos, que não existe uma nova geração, que dá pra continuar fazendo tudo como eles sempre fizeram, a exemplo de chamar os sindicatos, com o mesmo perfil, pra fazer atos em horários comerciais em dias de semana. Tais setores aparentemente não vão dialogar com ninguém além de quem já dialogam.

 

As medidas do governo são cada dia mais conservadoras, o que faz suas bases populares desgarrarem ainda mais. E não há nenhuma autocrítica, é tudo colocado como culpa da Globo, do Sérgio Moro, do “golpe da direita”, mas não se faz nenhuma crítica a respeito de com quem estão dialogando, quais setores estão recebendo sua atenção, seus métodos políticos...

 

Dificilmente os governistas vão conseguir agregar gente nova pra defesa de seu governo.

 

Correio da Cidadania: Acredita numa resposta à altura de setores mais pobres da população e dos trabalhadores em apoio ao governo e ao PT ou teremos um governo cada vez mais abandonado à própria sorte?

 

Bernardo Pilotto: Creio que ficarão abandonados. O governo não dá motivos pra ser defendido. Esses segmentos em geral já protestam todos os dias queimando pneus, ônibus, contra despejos. São manifestações desorganizadas do ponto de vista político, mas todos os dias ocorrem protestos dos segmentos mais pobres, que vão continuar lutando, até porque para eles lutar é questão de vida ou morte. Vão continuar lutando por fora dos sindicatos e dos aparatos tradicionais, que hoje estão bastante desmoralizados pelo apoio que assumiram de defesa incondicional do governo.

 

Correio da Cidadania: Quanto à esquerda descolada do lulismo, há algo a fazer num momento de tamanha comoção e volta de velhos apelos governistas a respeito de uma polaridade entre esquerda e direita, ricos e pobres?

 

Bernardo Pilotto: Tem muito campo. Há uma grande massa insatisfeita que não tem ido nesses protestos e está contra o governo. Tais pessoas podem vir a comparecer em protestos com pautas mais ligadas ao campo da esquerda.

 

De forma geral, a esquerda precisa começar a apresentar saídas econômicas para a crise porque, quando se discutem as saídas para tal crise, também econômica, PT e PSDB estão muito próximos. Ambos defendem a austeridade, o ajuste fiscal, a Reforma da Previdência, aumento de impostos etc.

 

Portanto, aplicam os mesmos pacotes nos governos federal e estaduais. É aí que entra uma brecha por onde a esquerda pode capitanear algum processo, defendendo taxação sobre grandes fortunas, auditoria das contas públicas, o combate à corrupção.

 

Assim, a esquerda pode firmar um campo na sociedade e, ainda que no momento não seja majoritário, terá um potencial para resistir ao processo de ajuste fiscal e de austeridade que vai continuar com o governo Dilma ou com o que vier depois, caso aconteça o impeachment, seja com Temer, Cunha, Aécio, qualquer uma da opções disponíveis no sistema político.

 

Correio da Cidadania: Pra finalizar, o que você comenta a respeito da Operação Lava Jato, com todas as suas nuances midiáticas, interesses direcionados, procedimentos por vezes questionados pela opinião pública? Apesar de todos esses aspectos, como você a analisa à luz da história?

 

Bernardo Pilotto: A Lava Jato é uma operação que se propõe a investigar os desvios na Petrobrás a partir de 2003. Portanto, incomoda um pouco quando se diz: “e o governo FHC?”. A Operação Lava Jato não está aí para isso, ela investiga a partir de 2003. E é bom lembrar que a CPI da chamada “Privataria Tucana” foi sufocada no Congresso Nacional quando Marco Maia (PT-RS) era o presidente da Câmara dos Deputados. Era uma CPI que poderia investigar desvios do governo FHC.

 

Também me incomoda a campanha contra o Sérgio Moro. Primeiro porque faz dele um herói. A pessoa pensa que, se o governo que ela não gosta fala mal do Sérgio Moro, logo, ele deve ser defendido. Além disso, os ataques na linha de que ele é filiado ao PSDB são mentirosos. Não que ele não seja ideologicamente uma pessoa conservadora, mas até aí reflete apenas como é a ampla maioria dos juízes brasileiros.

 

Um terceiro incômodo que sinto é a seletividade da indignação. Porque “condução coercitiva” e prisão sem critério são feitas todo dia no Brasil e não há uma comoção tão forte como quando acontecem com figurões.

 

Fora isso, de fato a Lava Jato vai mostrando seus problemas. Por exemplo, quando a mídia corporativa já sabe antes o que vai acontecer e, antes mesmo de o Lula receber a intimação da condução coercitiva, já estava lá em São Bernardo do Campo para filmar o momento.

 

Obviamente, existem jogadas combinadas ou vazamento de informações. Por outro lado, é a primeira vez no Brasil em que foram presos corruptores. Não é pouca coisa o dono da Odebrecht estar preso e condenado a 19 anos. Nesse sentido, a Lava Jato se beneficia da Lei Anticorrupção aprovada pelo próprio governo Dilma, o que é importante registrar.

 

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Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Segunda, 21 de Março de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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