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Escrito por Wladimir Pomar   
Qui, 10 de Março de 2016
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Mal havíamos enviado os comentários da semana passada quando o juiz Sérgio Moro, os promotores da Operação Lava Jato e a Polícia Federal deram uma demonstração inequívoca de que estávamos certos ao afirmar que cairíamos “em erro crasso” se considerássemos que a “aparente dispersão de alvos” da presente guerra política seria um “demonstrativo da isenção, da neutralidade e do republicanismo policial e judicial”.

 

O “alvo central” era e continuaria sendo “a dobradinha PT-Lula”. Tudo o mais era “o preço a pagar para levar a opinião pública a aceitar” aquela “isenção” e “neutralidade” e a apoiar “a liquidação (é liquidação mesmo) daquela força política de esquerda”. A detenção “coercitiva” de Lula, atropelando a letra da Constituição, e montando um evento midiático para desviar o foco dos verdadeiros implicados em casos de corrupção, visou criar o ambiente para dar o xeque mate no PT e em seu principal líder.

 

Não por acaso, no dia seguinte foram publicadas as longas condenações de vários acusados, a sugerir o planejamento impecável do grupo de trabalho da Operação Lava Jato. No entanto, também no dia seguinte, embora alguns setores sociais influenciados pelo Partido da Mídia tenham se regozijado com a “prisão” de Lula, ocorreu uma forte reação social e democrática, nacional e internacional, ao atropelo daquele grupo, e os apanhou desprevenidos. Seus principais integrantes viram-se compelidos a dar explicações esfarrapadas para justificar o atropelo da Constituição e a arbitrariedade de atos que têm por base “suposições”, “indícios”, “delações” e outras sandices que não justificam sequer a formação de processos policiais e judiciais.

 

Mais importante: ficaram evidentes os verdadeiros objetivos da Operação Lava Jato, o que pode causar um enorme prejuízo à luta contra a corrupção e ao desenvolvimento da democracia no Brasil. Na verdade, o país está diante do aguçamento de uma luta de classes sui generis, na qual algumas das frações dominantes da burguesia nativa e estrangeira, mesmo à custa de outras de suas frações, pretendem reverter todos os avanços políticos e sociais alcançados a partir de 2003, e impedir que o Brasil volte a ganhar musculatura industrial e soberania para seguir seu próprio caminho de desenvolvimento.

 

Nunca é demais repetir que o Partido da Mídia, composto de diversas empresas de comunicação de massa, assim como vários partidos políticos e setores da Polícia Federal, Promotoria Pública e Judiciário, estão a serviço dos objetivos daquelas frações de classe dominantes, consciente ou inconscientemente. Por isso mesmo, é inadmissível que o governo Dilma se contente em solidarizar-se com Lula e com o PT, ao mesmo tempo em que mantém uma política econômica que tende a afastar as camadas trabalhadoras e populares da liderança deles.

 

Apesar dos erros cometidos, não se pode negar que o PT e Lula realizaram esforços para reduzir as desigualdades sociais e ampliar os direitos democráticos. E que estão sendo atacados, destratados e perseguidos não pelos erros cometidos, mas justamente por aqueles esforços contra as desigualdades que são uma marca tenebrosa da sociedade brasileira. Contribuir para fazer o país regredir a 2002, como vem tentando o atual governo, só colabora para isolar o PT e Lula.

 

Por outro lado, os acontecimentos mais recentes não só fizeram emergir as energias das centenas de milhares de militantes do PT, e de outros partidos e agrupamentos de esquerda, para o que realmente está em jogo na tentativa de liquidar o PT e Lula, mas também começaram a causar mudanças positivas e indignação nos demais setores democráticos do país.

 

Assim, reiterando o que dissemos nos comentários da semana passada, mais do que nunca é “necessário retornar ao tempo em que o PT e Lula viajavam pelo país” e mantinham um estreito contato com os trabalhadores e as camadas populares do povo. É indispensável “partir para a disputa, em todo o território brasileiro, dos corações e mentes do povão”. Em primeiro lugar, acertando “as contas com os petistas que cometeram erros”.

 

Não basta admitir que houve erros, que muitos petistas se deixaram envolver e até se locupletaram com a utilização dos mesmos métodos corruptos de fazer política que fazem parte da história das classes dominantes brasileiras. É preciso fazer uma demonstração pública de que o PT está decidido a cortar na carne, excluir do partido os que cometeram tais erros, e constituir um órgão específico para investigar e punir os que cometerem erros idênticos no futuro.

 

Somente com essa demonstração efetiva da disposição de lutar contra a corrupção interna, Lula e o PT poderão ter sucesso em explicar o que realmente está em jogo na presente crise política, econômica e social para os “milhões de homens e mulheres que estão dispostos não só a serem guerreiros e guerreiras para defender” os direitos democráticos, “mas também para exigir que o governo mude sua política econômica e retome o projeto social de cunho democrático e popular”.

 

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Sexta, 11 de Março de 2016
 

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