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Trump não é o pior Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Terça, 08 de Março de 2016
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As últimas pesquisas mostram um total desencanto do povo norte-americano quanto às suas instituições políticas.

 

Números que passam dos 70% mostram que para a população os partidos perderam credibilidade.

 

Sente-se que a democracia está desvirtuada; que os grupos econômicos mandam mais, conseguem o que querem através de deputados, senadores, governadores etc.

 

Isso se reflete nos fenômenos Donald Trump e Bernie Sanders.

 

Trump vem vencendo as prévias republicanas porque se apresenta como um adversário do establishment, desvinculado das elites partidárias e corporativas. Cujos membros principais não o apoiam. Antes se horrorizam com sua provável vitória no Partido Republicano.

 

Já Sanders não consegue o mesmo sucesso de The Donald (como a imprensa o chama).

 

Mas o fato de um candidato se dizer socialista nos EUA e já ter vencido nas prévias de seis estados, além de perder por menos de 1% em outros dois, mostra que a revolta também chegou no Partido Democrata.

 

Os dois candidatos são independentes, malvistos pelas cúpulas de seus partidos. É claro que só nisso são iguais. Não partilham das mesmas ideias.

 

Enquanto Sanders mira a redução do poder e dos ganhos das grandes corporações e o aumento dos rendimentos das classes média e pobre, o histriônico Trump defende posições direitistas.

 

Por vezes até mesmo revoltantes. Como a expulsão dos imigrantes ilegais, a construção de um muro na fronteira com o México (pago pelo governo mexicano, que, aliás, já se recusou), as ofensas aos imigrantes latino-americanos, a proibição da entrada nos EUA de cidadãos islamitas.

 

Os seus concorrentes Ted Cruz e Marco Rubio não dizem nada disso. Mas partilham com ele outras posições que são claramente de direita: manutenção de Guantánamo (Rubio diz que aumentaria o número dos prisioneiros), condenação do acordo com o Irã, redução de impostos para as empresas, fim do OBAMACARE, volta do waterboarding (tortura sob simulação de afogamento).

 

Talvez em mais um ou outro ponto secundário Cruz e Rubio concordem com Trump. No fundamental, são inimigos de morte.

 

Os dois descendentes de cubanos defendem uma expansão da política imperial norte-americana. Mais verbas para as forças armadas, intervenção até militar em qualquer parte do mundo onde os EUA ou seus aliados próximos estejam tendo interesses contrariados, fortalecimento do país como único líder mundial.

 

Já Trump é um defensor do America First. Ou seja, quer os EUA voltados para si, cuidando dos seus próprios problemas, evitando guerras dispendiosas.

 

Se eleito, ele retirará as tropas estacionadas na Europa e no Pacífico (inclusive Japão).

 

Caso algum país queira que elas continuem para sua defesa, Trump cobrará as despesas. Os três pré-candidatos declaram amor a Israel, mas se os EUA for mediar um acordo entre judeus e palestinos, as divergências são radicais.

 

Com Cruz ou Rubio o governo de Washington sempre puxará sardinha para o lado de Telavive. Já Trump (que ousadia!) afirma que será imparcial.

 

Ao contrário da visão do Partido Republicano, aprovada por Rubio e Cuz, para quem Putin é um novo Hitler e a Rússia uma rival que quer tomar dos EUA a hegemonia global. Portanto, é uma nação inimiga, para alguns generais importantes a pior de todas.

 

Trump acha o contrário. Garante que manterá boas relações com Putin e seus dois países, juntos, semearão a paz pelo orbe a fora.

 

Ao contrário dos seus rivais, o candidato anti-establishment do GOP (Great Old Party) aplaudiu a entrada da Rússia na guerra contra o Estado Islâmico.

 

Já Cuz prefere que a coalizão anti-ISIS, liderada pelos EUA, resolva o problema através de um carpet bombing do território dos terroristas.

 

Talvez ele não saiba que no carpet bombing ondas de aviões bombardeiam sem cessar, metro por metro, toda a área visada. Claro que a população civil, que não tem nada a ver com o ISIS, seria trucidada em massa.

 

Por isso mesmo, o carpet bombing é hoje considerado crime de guerra, o que talvez Cruz não saiba.

 

Por seu lado, The Donald quer os EUA fora da Síria. Ele desdenha os rebeldes moderados (admirados pela dupla de adversários) como força frágil, dependente dos jihadistas e da Al-Qaeda para enfrentar Assad.

 

Aliás, para Trump a ideia de derrubar Assad, Kadafi e Saddam Hussein não leva a nada, a não ser o crescimento do terrorismo.

 

No que não deixa de ter razão. Ele condenou a guerra do Iraque: “eles (Bush e sequazes) mentiram. Eles disseram que havia armas de destruição em massa e não havia nenhuma, coisa que eles sabiam”.

 

Para Rubio, não houve erros na decisão de invadir o Iraque. E Cruz levantou uma série de desculpas, sem se pronunciar com firmeza a respeito do assunto.

 

Considerando todos estes fatos, dá para entender porque os líderes republicanos estão inconformados com a vantagem de Trump. Vários deles chegaram a afirmar que, caso o bilionário nova-iorquino conseguisse a indicação pelo Partido Republicano, votariam em Hillary Clinton.

 

Resumindo: enquanto Trump é um conservador populista, seus dois rivais são ultraconservadores.

 

Não há dúvida de que The Donald, com suas atitudes frenéticas, não seria um bom presidente. Longe, muito longe disso.

 

Mas, na opinião deste jornalista, com Cruz ou Rubio os EUA e o mundo teriam muito mais a lamentar.

 

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Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Terça, 15 de Março de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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