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É possível combater a direita e dizer adeus ao lulismo Imprimir E-mail
Escrito por Fábio Nassif   
Sábado, 05 de Março de 2016
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Não. Este não é um texto que pretende jogar água no moinho da direita brasileira que tenta, com apoio da mídia burguesa, derrotar completamente qualquer perspectiva de transformação social à esquerda.

 

A intenção principal das palavras a seguir é dialogar com quem, como eu, está impactado com a presença da Polícia Federal na porta da casa de um dos maiores líderes populares que a esquerda brasileira produziu nas últimas décadas. Nesta sexta, Lula foi ouvido pelas autoridades sobre uma investigação de relações promíscuas entre o ex-presidente e empreiteiras.

 

Ao que tudo indica, a condução coercitiva de Lula foi desnecessária. Seria mais um abuso contra um cidadão brasileiro, como acontece todos os dias por parte das autoridades e do Estado. E, obviamente, a grande mídia deitou e rolou, usou e abusou do fato para desgastar Lula. Diante do silêncio da mídia com outras suspeitas de corrupção de tucanos, peemedebistas e representantes da direita tradicional, o gosto amargo do dia é compreensível. É só lembrar os tantos aliados e opositores de direita que passeiam impunes por Brasília.

 

São muitas perguntas a serem feitas na atual conjuntura. São muitos interesses, muitas personagens e muitas suspeitas que corretamente levantamos diante de tal situação. Por ora é prudente refletirmos pelo menos o que não devemos fazer ou dizer por aí. E, principalmente, nunca perder de vista que nossas opiniões devem ser guiadas por aquilo que acreditamos que seja melhor para construirmos consciência política e um projeto a favor dos setores mais explorados e oprimidos da sociedade.

 

“Adeus, Lula?”

 

O filme alemão “Adeus, Lênin!” (que poderia muito bem se chamar “Adeus, Stálin”), mais do que fazer um resgate apurado e histórico do que foi o chamado “socialismo real” (que de socialismo não tinha nada), nos traz uma reflexão sobre um passado e um presente atolados de contradições e más perspectivas. Na ocasião, a Sra. Kerner entra em coma um pouco antes da queda do muro de Berlim. Acorda em 1990, após a queda do Muro. Alexander, seu filho preocupado com os impactos que a notícia do triunfo do capitalismo poderia gerar na saúde de sua mãe, busca formas de esconder tal realidade, principalmente através da edição de vídeos que simulavam uma Berlim antes da queda do muro.

 

Lula não tem absolutamente nada a ver com Lênin. Tampouco o “socialismo real” se assemelha num pingo sequer com o projeto dos governos petistas. O paralelo entre este filme e a atual situação brasileira que pretendo colocar é tão somente sobre as pessoas que parecem viver em uma internação hospitalar, insistindo em acreditar que estão sob uma realidade passada. Chama a atenção a grande quantidade de pessoas que, ao invés de aceitar as contradições de ambas as realidades – do passado e do presente – levantar do coma e se mover, preferem tentar se convencer de que estão vivendo uma realidade diferente da que objetivamente estão vivendo.

 

Como sugerem até os livros de autoajuda, o primeiro passo para qualquer superação é reconhecer nossas próprias derrotas. Existe um grande debate na esquerda sobre os impactos da queda do Muro de Berlim do ponto de vista dos setores que não defendem nem o chamado “socialismo real” nem o capitalismo. Não quero entrar nesta polêmica. Mas é muito evidente que o muro caiu sobre a esquerda socialista anti-Stálin.

 

No Brasil, o mundo do lulismo pode estar caindo. E aí existem as mais variadas reações diante de tal fato: quem busca acreditar que o muro não está caindo, quem corre pra reformar o muro, quem defende um murinho incapaz de fazer qualquer divisão entre os “dois mundos”, e quem, reconhecendo que o muro caiu na cabeça, quer pensar como sair debaixo dele para construir um mundo novo e muito diferente de ambos que estavam supostamente separados na metáfora utilizada.

 

O aprofundamento da polarização que tem dividido o país gira em torno da briga entre duas realidades desastrosas. De um lado defensores do lulismo e de outro os defensores de saídas ainda mais conservadoras para o Brasil. Ambas catastróficas. Ambas fruto de um muro que caiu sobre nós.

 

Nem direita, nem lulismo

 

Os motivos para afirmar que nem a saída apontada pela direita tradicional nem o resgate do lulismo devem nos mobilizar são em certo ponto parecidos. Sabemos, simplesmente por toda a história do país, que a burguesia, seus representantes partidários e o capitalismo como um todo não promovem nada para além de uma sociedade de morte, exploração, opressão, desigualdade e miséria. Não vale a pena gastar tempo com argumentos contra esta hipótese.

 

Vale, sim, debatermos porque não devemos defender o lulismo (ainda que se queira denunciar ilegalidades e espetáculos midiáticos contra o dirigente Lula).

 

A opção da ala majoritária do PT ao longo dos anos foi pela construção de um projeto de conciliação de classes com esta burguesia nefasta que temos no Brasil. Logrou-o com a eleição de Lula em 2002. E o líder operário governou para as velhas e novas elites por oito anos, seguido pela sucessora Dilma, que conseguiu fazer governos mais à direita ainda e hoje se rende a uma política estritamente neoliberal.

 

Não cabe a mim, neste momento, cravar se Lula foi beneficiado individualmente por esquemas de corrupção. Mas a tal realidade óbvia que vivemos nos diz que a escolha para chegar ao poder e governar com as elites empresariais e as velhas oligarquias necessariamente passaram por relações promíscuas entre o petismo e a burguesia. E, apesar de parecer, não há nada de novo nisso. O capitalismo funciona assim e ponto.

 

Defender o resgate do lulismo hoje é defender as pazes com essa burguesia corrupta que não tem – diferentemente do que acreditaram muitos petistas – projeto nacional de sociedade que possa realizar mudanças civilizatórias profundas em aliança com a classe trabalhadora. Alguns até acreditaram que esta burguesia poderia defender bandeiras anti-imperialistas, antimonopolistas e antilatifundiárias e realizar reformas estruturantes que poderiam servir para impulsionar processos de transformação mais profundos. Erraram.

 

O lulismo é o símbolo mais forte da conciliação de classes. Conciliação, neste caso, significa necessariamente traição de classe. E é por este motivo que Lula foi aceito pelo capitalismo global. Ele aceitou, aplicou e convenceu as massas de que estas regras do jogo eram administráveis.

 

À espera do “golpe” e do giro à esquerda

 

Desde a eleição de 2002 a militância petista é insuflada pela luta contra o “golpe” que estava sendo armado contra seus governos. Diziam que não deixariam Lula nem assumir a presidência depois da eleição. Com as denúncias do mensalão, outra vez a militância petista se mobilizou contra o “golpe midiático”. E emendaram esta tese repetidamente, por muitas vezes, durante todos os governos Lula e Dilma (incluindo as manifestações de junho de 2013). Esperam, até hoje, o tal giro à esquerda dos governos petistas.

 

O grande problema é não reconhecer que Lula foi o principal responsável por derrubar este muro em nossas cabeças. Antes de vencer em 2002, Lula e o PT já estavam aliados com parte da burguesia – incluindo a família Marinho, que ajudou a escrever a Carta ao Povo Brasileiro. Para se defender do mensalão, Lula deu ministros e muitos recursos à Rede Globo. E as negociações, tanto com a mídia burguesa como com outros setores das elites (como as empreiteiras, o agronegócio e os bancos) foram pilares fundamentais do projeto petista. Elas ganharam muito dinheiro com as principais políticas governamentais. Por este motivo a Operação Lava Jato é tão sentida por defensores deste projeto. Ela abala o pacto entre as forças construídas no bojo do petismo e as grandes empresas beneficiadas pelo lulismo.

 

Como consequência do desequilíbrio entre governo petista e empreiteiras, por exemplo, a crise também fragilizou a aliança com as velhas oligarquias. A direita brasileira ocupou as ruas e o cenário de crise econômica, social, política e ambiental torna a conjuntura ainda mais preocupante.

 

A mídia burguesa e a elite brasileira são golpistas. Sempre foram. Mas isso não significa que devemos isentar de responsabilidade quem se aliou a elas. Quem vendeu a ilusão de que poderíamos tê-las como aliadas, quem negociou com elas e quem governou para elas.

 

A reação mais despolitizada e prejudicial pra quem se considera socialista é seguir acreditando em um mundo que caiu. O projeto petista está agonizando. E é lamentável ver o nível de debate no qual se resume parte de sua militância. Hoje por hoje a única exigência é que também investiguem as corrupções da direita. Quando ouvem Guarujá respondem Paraty. Temo muito que algum dia, diante da rendição às pressões da direita tradicional, se vejam incorporando o slogan “rouba mas faz” do Maluf para defender seu projeto.

 

Não dão um piu sobre o verdadeiro crime contra a esquerda cometido pela direção do PT, por Lula e por Dilma: tentativa de homicídio da esperança, de amplas camadas da classe trabalhadora, na construção de uma sociedade socialista. Para os defensores do governo faz muito tempo que o medo - do “golpe” - venceu a esperança.

 

Não sabemos se Lula terá capacidade de reerguer o seu projeto. Mas sabemos que a construção de um processo revolucionário do Brasil passa necessariamente pelo adeus a Lula, ao lulismo e ao PT. Quem quiser seguir respirando por aparelhos numa cama de hospital, acreditando nas velhas novidades do lulismo, pode acabar perdendo o nascimento de um novo mundo que está sendo gestado.

 

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Fabio Nassif é jornalista.

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Última atualização em Quarta, 16 de Março de 2016
 

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