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A sociedade pode apontar saídas para um governo que acabou antes do fim Imprimir E-mail
Sexta, 04 de Março de 2016
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O governo Dilma acabou. Evidentemente, acabou antes do fim e vai agonizar até lá se seguir pelos caminhos que traça. Por “acabamento” me refiro especificamente à falta de abertura para pensar alternativas à retomada neoliberal, que fica nítida a partir do início do segundo mandato em 2015. Um exame mais apurado já anunciava um esgotamento quando o levante de junho de 2013 causou surpresa ao questionar o que aparecia como um consenso neodesenvolvimentista alicerçado na emergência da chamada “nova classe média”, que vigorava e parece ter voltado à tona agora com a sua faceta neoliberal, outrora oculta, bem destacada. Desde o levante, nada se teceu em termos de alternativas, apenas repressão. Nenhuma iniciativa consistente de diálogo com a sociedade, o que reflete um fechamento do sistema político em relação à sociedade.

 

Em um jogo de cena surpreendente e cínico, até o PT aparece agora "contra" o governo Dilma. Não descarta que ela saia do partido e inaugure a volta do PT à oposição de algo que ele mesmo criou, ainda que não se fale em momento algum em entregar os milhares de cargos comissionados. Os mais hipócritas clamam pela enésima refundação para quem ainda quer (ou precisa) se agarrar ao partido.

 

Outros vislumbram que o PT pode vir a compor um tal "governo de união nacional" com o PMDB mais forte ainda, quiçá com petistas e tucanos. Todas meras possibilidades que o tempo nos trará. Mas se o governo acabou por que não defender a saída imediata de Dilma? Primeiro porque não há projeto institucional alternativo, o que significa que uma "mudança" será apenas "mais do mesmo"; segundo, porque o problema não é pessoal, dela, mas estrutural.

 

Então, por onde podemos mudar? Me arrisco a dizer que, neste momento, fundamentalmente pelo âmbito da sociedade. Depois dos secundaristas paulistas e goianos, parece que os estudantes no estado do Rio de Janeiro vêm se organizando. Os professores estaduais entram em greve nesta semana, a UERJ para na semana que vem.

 

As mulheres que protagonizam o ‪#‎ForaCunha e lutam pela legalização do aborto podem constituir outra frente, em especial a partir do dia internacional de luta das mulheres, também na semana que vem. As favelas que se organizam contra a violência policial mais uma. Com essas frentes ainda muito latentes e fragmentadas, há uma sinalização de que a indignação está à solta frente a derrocada evidente do projeto "Brasil Maior", que a resistência da Vila Autódromo na zona oeste do Rio de Janeiro mostra há tempos e que ficará mais evidente no pós-Olimpíadas. Unificar as lutas não me parece o caminho, mas trata-se cada vez mais de buscar o que é comum nesta multiplicidade, enfatizando as pautas para romper com as polarizações e cortinas de fumaça que surgirão.

 

No que diz respeito ao terreno da mobilização, precisamos inovar pois não há nada mais conservador do que simplesmente convocar uma manifestação, que é uma forma aceita e reconhecida pelo poder. A premente aprovação do projeto de lei “antiterrorismo” nos coloca a necessidade de repensar as formas de luta.

 

As lutas também caem em rotinas que podem se abrir para inovação e o risco de manter formatos é a facilidade de reação e anulação. Passeatas, assembleias e greves existem há mais ou menos 200 anos e constituem um repertório “manjado”. No terreno das inovações mais recentes que ganham espaço nos repertórios de protesto, as ocupações e formas mais individualizadas ou "menores" se formam muitas vezes em interseção com o campo artístico e têm interlocução frequente com o cotidiano e o espaço urbano, inclusive no terreno da virtualidade com as tecnologias.

 

Não quero aqui diminuir a importância dos atos de protestos mais usuais, nem propor que os aposentemos, mas provocar uma reflexão sobre sua utilização e eficácia, ainda mais em tempos de vigilância ampliada com esse projeto de lei “antiterrorismo”. Parece-me que, para causar uma situação de mudança, estas formas mais tradicionais dependem de um engajamento maior e uma mobilização permanente, tal qual vimos recentemente em junho de 2013, mas isso nem sempre é possível.

 

No fundo, cada vez mais, é importante ter clareza das pautas que traduzam o desejo de mudança para escolher o melhor conjunto de táticas que operem na resistência às múltiplas estratégias de dominação, das quais o Estado e os governos são os mais evidentes, o que acaba deixando as corporações de fora dos nossos alvos. Isso quer dizer que não basta apenas ser “contra tudo que está aí”, característico de uma indignação difusa que deságue num ato de rua.

 

O que não dá mais é termos um poder constituído (política e economicamente) em mutação constante e nós, que lutamos, estarmos enrijecidos numa fórmula de convocar atos que apresenta limites cada vez mais claros. Precisamos inovar nas lutas para provocar a mudança que queremos.

 

Leia também:

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Marcelo Castañeda é sociólogo e pesquisador da UERJ.

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Última atualização em Terça, 08 de Março de 2016
 

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