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Turcos brincam com fogo Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Terça, 01 de Março de 2016
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Quando parecia possível um entendimento para por fim à Guerra Civil Síria, a Turquia resolveu armar um barraco.

 

Sete dias antes de se iniciar o cessar fogo, negociado para se levar alimentos ao povo das cidades sitiadas, os turcos iniciaram pesados ataques de artilharia a posições curdas próximas à fronteira sírio-turca, a região de Aleppo.

 

Parte dos disparos foi direcionada para cidades sob domínio do governo Assad. Os curdos vêm de numa ofensiva vitoriosa contra as tropas do Estado Islâmico, expulsando-as do norte da Síria, com apoio das aviações norte-americana (principalmente) e russa. Em diversos pontos atuam alados aos exércitos do governo.

 

Justificando suas ações, o presidente Erdogan declarou que jamais permitiria que os curdos, seus inimigos (que ele chama de terroristas), tomassem a cidade de Azaz, a oito quilômetros da fronteira com seu país.

 

É justamente através de Azaz que há muitos anos passam armamentos turcos e sauditas destinados principalmente aos rebeldes do Nusra (braço da Al-Qaeda na Síria).

 

O comando das forças de Ancara também exigiu que os curdos cedessem a recém-conquistada base aérea de Menangh à “Frente Levantine”, que integra o exército rebelde.

 

O governo de Damasco enviou um protesto à ONU, pedindo ação ao Conselho de Segurança contra essa violação de sua soberania. E os EUA apelaram para que os turcos parassem de bombardear os curdos agora e no futuro.

 

Mas também os advertiram para que ficassem por aí, não conquistassem mais territórios na região da fronteira.

 

Foram espertos: aparentemente estavam defendendo os curdos, mas na verdade queriam que eles não avançassem mais, completando o domínio de toda a fronteira turca, inclusive a cidade de Azaz, ocupada por grupos favoráveis aos rebeldes.

 

É essencial manter Azaz, pois é por ela que estão entrando os reforços e os armamentos turcos e sauditas para enfrentar a ofensiva russo-síria no norte do país.

 

Por sua parte, Erdogan não se tocou. Sua artilharia continua em ação. Mas ele foi além. Declarou que o Exército Islâmico não seria vencido sem forças terrestres e que a Turquia estaria disposta a assumir esse ônus.

 

Já teria, aliás, fechado um acordo com a Arábia Saudita, que já enviara aviões de combate para a base aérea turca de Incrilik.

 

O general Assiri, comandante do exército saudita, confirmou e acrescentou que esses aviões seriam apenas uma parte do envolvimento do seu país na Guerra Civil da Síria.

 

Já no dia seguinte, as coisas evoluíram com o primeiro-ministro turco Cavusoglu anunciando que seu país e a monarquia de Riad estavam trabalhando numa possível invasão conjunta por terra.

 

O governo de Ancara apelou para que outras nações aderissem, para deter a “brutal agressão do Kremlin” e expulsar os curdos da fronteira norte.

 

Embora o objetivo declarado da aliança turco-saudita seja o Estado Islâmico, estas declarações deixam claro que, se houver invasão, seria pelo norte, onde as forças rebeldes estão sendo derrotadas.

 

Um quarto de Alepo, a cidade principal e capital da região, está nas mãos do FSA (os moderados, pró-EUA), do Nusra e de outros grupos islâmicos, provavelmente jihadistas.

 

As tropas de Assad, com apoio dos aviões russos, vêm tomando todas as cidades das vizinhanças e completando o cerco da cidade.

 

Os observadores acreditam que a batalha por Alepo, que se aproxima, deixará o vencedor em condições excepcionais.

 

Caso os curdos, apesar da artilharia turca, tomem Azaz, ficará fechada a principal porta de entrada para os reforços dos rebeldes.

 

Com as quedas de Aleppo e de Azaz, Assad adentrará a conferência de Genebra com maior força para ter seus pleitos atendidos.

 

É o que Erdogan quer evitar a todo custo. O problema é que caso suas tropas e as da Arábia Saudita invadam a Síria pelo norte serão fatalmente enfrentadas pelo exército de Assad. Como Assad não seria páreo para elas, Putin seria obrigado a intervir.

 

Embora possa aumentar suas forças aéreas na região, teria contra si a força aérea da Arábia Saudita, recentemente equipada com os mais modernos modelos estadunidenses.

 

A briga seria boa mas... E na terra? Para não amargar uma derrota, Putin teria de enviar seu exército.

 

Diante disso, o que faria a OTAN, da qual a Turquia é membro? E os EUA?

 

Por enquanto, diante das bravatas de Erdogan, o departamento do Estado diz que enviar forças terrestres “não está sobre a mesa” e pede que haja entendimento entre curdos e turcos.

 

Putin e Obama não querem guerra de jeito nenhum, mas poderiam até ser levados a entrar nela.

Caso os russos vençam batalhas terrestres e bombardeiem concentrações de tropas inimigas (não é de se crer que ataquem cidades cheias de civis), os EUA acabariam tendo de intervir militarmente.

 

Veríamos russos e norte-americanos se enfrentando no campo de batalha. E, de uma hora para outra, desenha-se a Terceira Guerra Mundial.

 

Bem, essa visão apocalíptica está mais para o enredo de um filme de Spielberg do que para uma previsão razoavelmente realista.

 

Ainda é de se pensar que seja mínimo o risco de tamanha loucura acontecer. Por menor que seja, não deixa de ser um risco.

 

E Erdogan, o responsável, não fica nada bem na fotografia.

 

Turcos continuam ajudando o Exército Islâmico

 

Até romper com o Estado Islâmico, o governo turco fechava os olhos para o comércio do seu país com os bárbaros vizinhos. Caminhões entravam carregando barris de petróleo das áreas tomadas da Síria e do Iraque e voltavam abundantemente carregados com armas e munições.

 

Empresas inescrupulosas turcas compravam e vendiam do ISIS e tudo era contrabandeado com cumplicidade de oficiais ávidos por dólares.

 

Depois do Estado Islâmico, que é sunita, ter praticado um atentado contra xiitas turcos, matando mais de 100, o presidente Erdogan resolveu declarar guerra a esses terroristas.

 

Todas as relações comerciais com eles foram terminantemente proibidas, como seria lógico. Nem por isso os negócios entre as empresas e oficiais corruptos turcos com o Estado Islâmico acabaram de todo.

 

Um estudo do Conflict Armament Research (Pesquisa dos Armamentos nos conflitos), da União Europeia, revelou que 13 empresas turcas continuavam vendendo armas e seus componentes ao Estado Islâmico.

 

A solicitação do grupo europeu ao governo turco para que lhe permitisse examinar a eficiência dos regulamentos de Ancara para coibir o transporte desses produtos para território inimigo foi negada.

 

Como diz o ditado ancestral, “quem não deve não teme”. Talvez mais chocante foi a transcrição pelo jornal Cumhuriet (22 de fevereiro) da gravação de um diálogo entre Mustafa Demir, da liderança do ISIS na fronteira, e um oficial turco.

 

Soube-se então que Demir recebia dinheiro de contrabandistas e cooperava com os oficiais até a fronteira ser cruzada pelos caminhões transportando cargas ilegais.

 

O Cumhuriet já havia revelado em maio de 2015 que um comboio turco fora atingido por ataques aéreos. Ele transportava armamentos para os movimentos terroristas.

 

Publicando esse tipo de notícias, o Cumhuriet tinha mesmo de fazer Erdogan perder a paciência. Em novembro, Can Dundar, o editor-chefe, e Erden Gul, chefe do birô de Ancara, foram presos na prisão de Silivri, onde aguardam julgamento.

 

Sabe-se que o procurador-chefe vai pedir prisão perpétua para os dois. A acusação é de “reunir documentos secretos do Estado com o objetivo de espionagem política e militar, assim como tentar derrubar o governo da República da Turquia”.

 

Impressionante, mas pra lá de exagerado. Não é à toa que a Turquia é o país que tem mais jornalistas presos no mundo.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Webisite: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Terça, 08 de Março de 2016
 

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