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Campanha da Fraternidade 2016: terminou o carnaval, ficou o Zika vírus Imprimir E-mail
Escrito por Roberto Malvezzi (Gogó)   
Sábado, 13 de Fevereiro de 2016
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Quarta de cinzas começa a Quaresma. Vem de quarenta, isto é, o povo de Deus 40 anos no deserto, Jesus 40 dias no deserto antes de começar sua pregação.

 

O deserto é o lugar do nada, onde você está só com você e você só. Então, pode ser que aí, absolutamente desamparado, você se lembre de Deus. Portanto, biblicamente, deserto não é só um lugar geográfico, mas um lugar teológico. Você pode estar no meio de uma multidão e se sentir no deserto.

 

As Campanhas da Fraternidade sempre nos trazem temáticas de interesse maior do que a Igreja Católica ou outras Igrejas. Essa campanha é ecumênica (várias Igrejas), macroecumênica (outras religiões) e para todas as pessoas de boa vontade (toda sociedade, mesmo os ateus com fome e sede de justiça). Para as Igrejas está no contexto maior do cuidado com a criação.

 

A proposta fundamental está no saneamento básico, que segundo a legislação brasileira compreende: abastecimento de água; coleta e tratamento de esgotos; manejo dos resíduos sólidos e drenagem das águas de chuva.

 

Só a Bahia tem um item a mais, que agora se revela fundamental, isto é, o controle de vetores, esses bichinhos que espalham doenças como mosquitos, baratas, ratos, helmintos etc.

 

O Brasil já teve a SUCAM. Brincávamos que nos lugares mais remotos só íamos nós – pastorais sociais – e a SUCAM. Com esse organismo de saúde pública, tínhamos posto sob controle grande parte das doenças transmitidas por vetores como chagas, dengue, malária etc. Foi só abandonar o campo de luta que elas voltaram com toda intensidade.

 

O professor Moraes, da UFBA, que esteve conosco na elaboração dos fundamentos do texto-base da Campanha, escreveu em outro livro que há um século 45% de nossas mortes eram por doenças infectocontagiosas como varíola, malária etc. Hoje correspondem a apenas 5%. Mas se o descuido e descaso continuarem, sabemos que voltarão a ser de grande porte.

 

Afinal, àquela época éramos 40 milhões de brasileiros, 80% vivendo no meio rural e nossa média de vida era de 35 anos de idade. Hoje somos 200 milhões, 80% nas cidades e nossa média de vida está em torno de 75 anos da idade.

 

O bom é que hoje temos um Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), uma legislação e uma política de saneamento, além de cada município dever elaborar seu Plano Municipal de Saneamento (PMSB) se quiser receber dinheiro público para aplicar em seu território. A proposta federal é investir aproximadamente 500 bilhões de reais em 20 anos e, nesse prazo, sanearmos o Brasil. Será que dessa vez sairemos da insalubridade?

 

O plano deve ser integral (todas as dimensões) e universal (meio urbano e rural). Pergunta chave: seu município elaborou esse plano municipal? O prazo de entrega era o final de 2015. Portanto, chamem os vereadores, os prefeitos, o ministério público, mobilizem as comunidades, a mídia, façam o plano municipal acontecer.

 

Essa é a tarefa básica das pessoas, comunidades e do país inteiro. Não adianta ficarmos nos problemas, temos que avançar nas soluções.

 

Um país sem saneamento não é civilizado, multiplica as doenças e passa vergonha internacional. Os Estados Unidos liberaram os atletas olímpicos que não quiserem vir ao Brasil por medo do Zika vírus.

 

 

Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

 

 

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