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Brasil-Estados Unidos: a balança inicial desfavorável na primeira gestão Dilma Imprimir E-mail
Escrito por Virgílio Arraes   
Sexta, 05 de Fevereiro de 2016
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No dia primeiro de janeiro de 2011, Dilma Rousseff iniciou seu mandato presidencial. A expectativa em torno de sua gestão era-lhe bem mais favorável que a do antecessor, Lula da Silva, oito anos antes.

 

Além do mais, os efeitos da crise mundial pareciam diluir-se, ao chegar ao país, de acordo com a perspectiva governamental – vagalhão no hemisfério norte, ‘marolinha’ no sul, de acordo com o presidente Lula. Mais tarde, sua sucessora afirmaria que esta se transformara em uma ‘onda’.

 

O motivo da visão positiva no tocante a ela não foi em função de suas características pessoais, mas em decorrência do perfil assinalado como o desejado ou o necessário ao país pelos órgãos de comunicação tradicionais e consultorias econômicas mais conservadoras, desde o princípio do processo eleitoral: o tecnocrático, modelo exaltado nos Estados Unidos e observado com cautela na Europa Ocidental ainda na década de 60, especialmente na França.

 

Ministra de duas pastas ao longo da presidência de Lula, sendo a última a da Casa Civil, ela nunca havia disputado uma eleição – apesar da extensa militância política a datar do período mais sombrio da ditadura militar.

 

A experiência ministerial auxiliou-a a ser apresentada ao público como uma competente técnica, contraponto almejado ao intuitivo político, o presidente daquele momento. Assim, assistia-se à razão ou experiência conjugada com a emoção ou intuição na transição de comando do Brasil durante a primeira fase do trabalhismo – 2003-2010.

 

Diante da situação posta, o pleito presidencial de 2010 talvez tenha sido o mais enfadonho e despolitizado da história nacional recente, haja vista a disputa ter se centrado em supostas virtudes administrativas e afamadas experiências dos dois lados – de forma oficial, o trabalhismo petista versus a socialdemocracia peessedebista, embora ambos professassem outro credo político.

 

Não se pelejou naquela eleição para propor à sociedade a transformação da estrutura do país, obsoleta se cotejada aos centros mais desenvolvidos, porém para manter o leme da condução do modelo fixado década e meia antes: o neoliberalismo acanhado ou embaraçado, ao comportarem-se as duas principais coligações, quando à frente do poder, com práticas de direita, ao desfrutar de estreito afinamento com o setor financeiro e com o agroexportador, mas com a exposição de discursos de esquerda, mesmo sem muita convicção.

 

Desta maneira, a presidente Dilma Rousseff assumiu a chefia do Planalto com o compromisso de manter o rumo, ou seja, o de sustentar os modestos programas sociais – política compensatória – e a base econômica – agronegócio e venda dos títulos da dívida pública com os juros em patamares muito acima aos do arco norte-atlântico.

 

Por conseguinte, o relacionamento com a Casa Branca no primeiro quadriênio da presidente não poderia desaguar em modificações de monta, a despeito de o cenário global de teor recessivo não favorecer a opção socioeconômica do Brasil – a preferência pela inserção no mercado global através das commodities.

 

Mesmo assim, o valor das remessas de lucro manteve-se acima da média da administração de Lula. O mais beneficiado há muitos anos tem sido os Estados Unidos, com cifras superiores às de países como Espanha, Luxemburgo e Suíça.

Rousseff herdou do relacionamento comercial entre os dois um fardo: um biênio de déficit. Isto encerraria o período positivo dos anos 2000. Até o momento, apesar do baque econômico brasileiro, o que deveria desestimular as importações, o saldo continua bastante inclinado a favor dos norte-americanos.

 

Além da balança negativa, Brasília não auferiu nas negociações na Organização Mundial do Comércio bons resultados – a chamada Rodada Doha – com vistas a fortalecer as exportações agrícolas. Bilateralmente, Washington ia no mesmo compasso, ao posicionar-se reticente quanto ao maior ingresso do etanol – isto se alteraria apenas em 2011.

 

Por fim, faltaria ao governo superar a má vontade norte-americana por causa da posição do Planalto com vistas ao Irã; por outro, a brasileira concernente à postura da Casa Branca na deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em junho de 2009.

 

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

 

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Última atualização em Segunda, 15 de Fevereiro de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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