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A Lava Jato e a tese do quanto pior melhor Imprimir E-mail
Escrito por Emanuel Cancella   
Terça, 26 de Janeiro de 2016
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Ao editar a MP 703, alterando as regras para o acordo de leniência com empresas, a presidenta Dilma atendeu a uma reivindicação de trabalhadores ameaçados pelo desemprego.

 

Os mais pessimistas estimam que o desemprego no Brasil deve chegar a 10% em 2016. Nos cálculos divulgados pela Globo, no primeiro dia do ano, o país pode perder até 2,2 milhões de vagas formais em 2016.

 

A Operação Lava Jato, a pretexto de combater a corrupção, parou o Brasil. Todos os contratos com empresas envolvidas na investigação foram suspensos. Essas circunstâncias, ainda que justificáveis, contribuíram para aprofundar a crise. Qual a saída?

 

No auge da crise de 2008, o governo dos Estados Unidos, além de injetar cerca de 16 trilhões de dólares na economia, recorreu aos acordos de leniência, evitando mais desemprego e o colapso da economia. Em síntese, nesse tipo de acordo, punem-se os corruptos enquanto pessoas físicas, poupando-se as empresas, pessoas jurídicas, com a finalidade de manter a economia ativa e preservar os empregos.

 

Esse foi o principal argumento da presidenta Dilma Rousseff, quando editou a MP 703. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse ainda que a MP favorece o combate à corrupção: "a empresa vai pagar multa e terá que identificar os envolvidos na fraude, prestar informações e documentos que comprovem o crime". Os suspeitos de corrupção são afastados, investigados e, diante da comprovação dos fatos, punidos.

Mas, apesar da lógica, por que os operadores da Lava Jato e outros setores do Judiciário, reverberados pela mídia, reagiram tão mal à MP 703?

Não tenho dúvidas de que há um complô para aprofundar a crise, desmoralizar para desmontar a Petrobrás e o Estado nacional, facilitando a entrada de empresas estrangeiras tanto na operação e produção do pré-sal quanto nas obras que dependem de parceiros da iniciativa privada. Nesse caso, arruinando as nacionais para dar trabalho, nesse grande canteiro de obras que é o Brasil, às empreiteiras de fora. Mais uma vez, o grande prejudicado será o trabalhador brasileiro.

 

Como funcionário da Petrobrás e sindicalista, sou um leitor atento das notícias sobre a Operação Lava Jato, desde março de 2014. O Sindipetro-RJ sempre denunciou a corrupção na empresa. Muito antes do reality show em que se transformou a Lava Jato. Algumas vezes recorremos a meios pouco usuais, como escrachos na porta dos diretores envolvidos, e pagamos um preço alto por isso. Fizemos denúncias junto ao Ministério Público, mas tanto a grande mídia quanto a justiça fizeram ouvidos de mercador. Quem ficou no prejuízo fomos nós, representantes da entidade sindical, que acabamos processados.

 

Esse histórico nos deixa muito à vontade para criticar. Sérgio Moro está mais para John Travolta do que para magistrado sério. Ou, melhor, está mais para Sylvester Stallone, o espetaculoso Rambo, que atacava sem piedade quem ousasse contrariar os interesses estadunidenses.

 

Enquanto as denúncias dos sindicalistas foram sistematicamente silenciadas e engavetadas, as Organizações Globo concederam o prêmio de personalidade do ano ao juiz Sérgio Moro. Em editorial, o jornal O Globo defendeu a vinda das empresas norte-americanas para o Brasil, “para substituir as empreiteiras envolvidas em corrupção”.

 

Isso explica a implicância de Moro e da mídia grande com a MP 703. Na apuração dos atos de corrupção na Petrobrás, os promotores recorreram a grampos, vazamentos seletivos, denúncias infundadas. A Rede Globo teve acesso a um vídeo em que a mulher de um tesoureiro do PT sacava dinheiro da própria conta num caixa eletrônico, e foi exposta na televisão como criminosa antes de que se apurasse a verdade. Além disso, nenhum dos acusados em delação premiada ligados ao PSDB, onde se inclui o próprio Aécio Neves, foi investigado ou teve seu nome nas manchetes dos principais jornais e revistas do país. Isso não é por acaso.

 

Em meio a esse jogo sujo, está sendo decidido o futuro do país. A Petrobrás, com os impostos que paga, financia cerca de 80% das obras do PAC. Nesse momento, milhões de trabalhadores estão com seus empregos ameaçados. Vários estaleiros estão fechando as portas e empresas responsáveis por grandes obras estão parando seus serviços e demitindo trabalhadores.

 

Cabe a nós, trabalhadores, tirar a venda dos olhos. Vamos ocupar as ruas para defender os empregos, a comida e a escola dos nossos filhos. Vamos denunciar esse grande complô e o boicote às soluções apresentadas, na porta da TV Globo e do Ministério Público Federal.

 

 

Emanuel Cancella é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Fonte: Agência Petroleira de Notícias.

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