Anamorfose ou de frente ou de viés

 

 

 

 

 

Primeiramente, vamos explicar o que é anamorfose: uma imagem quando é vista de frente parece um objeto e, quando vista de outra posição, de viés, parece um outro objeto totalmente diferente.

 

Analisemos nossa conjuntura e cotidiano: a anamorfose, metaforicamente falando, se assemelha à nossa história: Brasil, pátria amada; Brasil, país do futuro. Visto de frente, parece um borrão confuso, visto de viés parece um objeto muito conhecido. Ou seria o inverso? Visto de frente parece um objeto conhecido de todos, e visto de viés um borrão confuso?

 

Visto de frente: parece que o Congresso Nacional pátrio (Congresso? Será?) se constitui de partidos políticos cuja função primordial é gerar ideias e desenvolvimento, com situação e oposição tendo pensamentos e proposições que representam a população. Visto de viés, aparece o objeto conhecido: são só “partidos”, aliás muito partidos, que na sua maioria absoluta são eleitos pelo poder econômico, pelos grandes capitais, que controlam e comandam “a pátria amada”, elegendo seus totalmente obedientes “despachantes”, em dois grupos: os incapazes e os capazes de tudo.

 

E a política (?) geradora de ideias, de desenvolvimento, fica cada vez mais atravessada, empobrecida intencionalmente. Tristeza e depressão nacionais programadas, com dívida interna e externa eternas, cada vez maiores. Verdadeira “queda de braço” contra ideias sociais e desenvolvimentistas.

 

Vamos mudar o olhar, invertendo: visto de frente, parece uma reunião no belo jardim da insanidade, personagens vestidos com roupagem elegante, fala quase elegantes, colarinhos brancos engomados, muita riqueza, acompanhados de uma mídia superprestativa e subserviente, para deformar, alienar, sobre os destinos da pátria e defender os lucros do capital.

 

Agora de viés: uma população que quase nunca foi ouvida, uma população que espera sempre uma conduta ética e correta para usar de referencial, não um “cobriu de lona é circo, descobriu é Brasil”, uma espécie de “vale-tudo”, uma espécie de “bang-bang”, onde o bandido torna-se o mocinho, com as armas fumegando nas mãos, acima da lei, disparando privilégios para os amigos e camaradas de fé. Retornando à anamorfose da intencionalidade: visto de frente é um borrão. De viés, outro borrão, apenas diferente.

 

Visto em qualquer perspectiva, de frente ou de viés, o que nós desejamos, ou melhor, queremos, sem anamorfismos: um país civilizado, justiça nas ações políticas, que nos livrem do colonialismo cultural, social, econômico, sem a ambivalência dessa visão dupla e paradoxal, e não uma ficção, um “me engana que eu gosto de desigualdades e privilégios”.

 

A indignação é total quando nos vemos representado “por isso”, e também quando vemos de frente desse viés anamorfoseado, adoecendo, borrando e golpeando a população.

 

Anamorfose: nem de frente, nem de viés: justiça social. Ousemos pela grande metamorfose: pela Educação, pela Saúde, pela Cidadania.

 

 

Daniel Chutorianscy é medico.

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