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Festival de besteiras Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Qui, 21 de Janeiro de 2016
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Faz falta um Stanislaw Ponte Preta no cenário político atual. O besteirol está à solta, na imprensa, no Congresso e em outras plagas. Por exemplo, lendo artigos de comentaristas especializados em economia, além das manchetes e submanchetes, dá para ver que a questão do “ajuste fiscal” se tornou um dogma. Dá a impressão de haver um grande exército a favor e uma tropa diminuta contra.

 

Na verdade, escondem o ouro, para não mostrar a cara do bandido. Por uma série de besteiras praticadas pelo governo e, principalmente, pelo ministro que defenestrou a si próprio por haver transformado o tal “ajuste” num total desajuste econômico, o ajuste fiscal se tornou uma necessidade. Mas o problema não reside em estar contra ou favor dele. Reside em saber quem vai pagar a conta do desajuste.

 

Se depender dos alunos da escola neoliberal, devem pagar a conta os trabalhadores, os desempregados, os aposentados, os ambulantes, os pequenos negociantes, os pequenos industriais, os pequenos agricultores. Ou seja, aqueles que, à boca pequena, são chamados “miuçalha”. Que aliás já a estão pagando. Pelos planos trazidos a público, devem ficar isentos dessa fatura os homens das financeiras, os donos do agronegócio, os grandes empresários industriais, os grandes comerciantes. Aqueles que chamam a si próprios de “forças produtoras”.

 

O pior de tudo é que, tirando a turma que não tem acesso ao que se escreve e fala nos jornalões, rádios e TVs, o governo também não faz qualquer esforço para elucidar a questão e colocar a cangalha em quem merece. Às vezes até parece concordar que a divisão realmente existente é a que opõe os que querem e os que não querem qualquer tipo de ajuste.

 

Outro exemplo das besteiras correntes é aquele referente ao “caos da saúde”. Isso já vem de algum tempo, tendo o Estado (federal, estadual e/ou municipal) como o patinho feio e incompetente. No entanto, tanto mexeram que acabou vindo à luz o grau exagerado de terceirização e/ou privatização da saúde.

 

Isso está não só propiciando altos lucros (legais e ilegais) para grupos de empresários agrupados em “Organizações Sociais”, mas também encarecendo os serviços de saúde e tornando-os uma balbúrdia geral. O “engraçado” é que nenhum dos meios de comunicação se atreve a colocar o dedo na ferida da privatização. Afinal, para eles os “setores privados” são o suprassumo da eficiência.

 

Algo idêntico está ocorrendo com o desastre ecológico causado pela empresa privada Samarco, na qual a Vale privatizada participa como associada. Há um silêncio ensurdecedor sobre esse desastre privado, fruto da privataria instituída nos anos 1990. Mas, se derem sopa, o Estado, na figura do governo federal petista, vai levar a culpa principal.

 

O caso Cunha é um besteirol à parte, com características peculiares. Não me lembro de nenhuma figura parlamentar tão cara de pau liso e escorregadio como o dito cujo. Na mais recente tirada, uma verdadeira pérola, defende não ser julgado como presidente da Câmara, porque estaria sendo acusado por ações que nada teriam a ver com essa instituição. E me pergunto que país é esse em que uma figura desse tipo consegue ter apoio de uma tropa de choque em que um pseudometalúrgico da “Força” (nada a ver com “Guerra da Estrelas”) é um dos principais expoentes.

 

A ação dos “black blocks” é outro caso típico. Alguns comentaristas ainda procuram dissociá-los dos manifestantes. Mas outros se perguntam indignados por que a polícia os prende e, ipso facto, os solta. Madame Alquiméia, conhecedora dos assuntos policiais, aventou que polícia não prende polícia, algo que deveria ser investigado por repórteres investigativos dos jornalões. A não ser, é lógico, que eles também façam parte daquela patota.

 

Apesar de todas as besteiras em curso, não há dúvida de que delegados da Polícia Federal e/ou promotores públicos, responsáveis pelos vazamentos das operações Lava Jato, Zelotes e outras, estão levando a palma. Eles estão transformando em “provas” processuais delações do tipo “Fulano falou pra Sicrano, que falou pra Beltrano, que falou pro Zorro, que falou pro Fantasma, que foram entregues 100 milhões de dólares da venda de petróleo pra Marte... pra campanha do PT”.

 

Até o FHC já caiu na real de que coisas desse tipo são besteirol puro. No começo até que ainda causavam impacto nos mais desprevenidos. Mas, de tanto se repetirem, paulatinamente estão virando galhofa. E correm o perigo de transformar as “operações” policiais e judiciais em piadas de mau gosto. Parece que o único que não está reparando é o ministro da justiça (com jota minúsculo mesmo).

 

É por tudo isso, e mais um montão de besteiras correntes, que sinto falta de Sérgio Porto, de codinome Stanislaw Ponte Preta, que seria capaz de ressuscitar seu famoso Febeapa, o “Festival de Besteiras que Assola o País”. Agora como Febeapa 2.

 

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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