Vaza plano norte-americano para futura Síria

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Enquanto o mundo aguarda a reunião de 25 de janeiro em Genebra, quando deverá se traçar o caminho para o fim da guerra da Síria, as chancelarias trabalham ativamente.

 

Jason Ditz, no Antiwar de 7 de janeiro, relata o vazamento de um plano do Departamento de Estado dos EUA que definindo o que deve acontecer em 2017, depois da paz entre os litigantes: com a entrada síria na democracia, depois de uma curta transição sem Assad, seriam realizadas eleições abertas a todos os candidatos, com exceção do presidente Assad e dos membros do seu grupo político.

 

O plano prevê que Assad deverá ficar no poder até o fim do governo Obama, pois os russos não vão topar colocá-lo no ostracismo. E Obama não vai aceitar tirá-lo na marra.

 

Já em 2017, o novo presidente norte-americano eleito (seja Hillary Clinton, seja um republicano qualquer) será alguém que não vacila em encarar uma guerra. Provavelmente vai usar mão de ferro para obrigar Putin a entregar os pontos.

 

E Moscou teria de arriar bandeira branca, pois o poderia militar estadunidense é muito maior.

 

Mas Putin é duro de roer. Não é certo que entregue os pontos no grito. Ele também tem seu plano pronto para a reunião de Genebra.

 

Concorda com os estrategistas dos EUA em quase tudo. Mas não aceita que Assad e seus partidários fiquem de fora das futuras eleições.

 

Seu argumento é doutrinariamente sólido: numa democracia quem escolhe seus mandatários é o povo. Não governos estrangeiros.

 

É um direito que não pode ser negado aos sírios. Se quiserem Assad e sua turma, problema deles.

 

Claro, nas constituições mundiais há diferentes razões que proíbem um cidadão de ser candidato.

 

Mas quem deve decidir se ele está enquadrado em algum desses ilícitos deve ser uma autoridade judiciária independente.

 

Nem o presidente Obama, para quem Assad perdeu a legitimidade de presidir a Síria, nem seu sucessor que certamente o repetirá, dispõem de atribuições legais para tomar decisões judiciais em países alheios.

 

Ao ser perguntado sobre o plano norte-americano vazado, alto oficial dos EUA tentou desmerecer sua importância: seria apenas um primeiro esboço.

 

Como pouco ou nada difere do que John Kerry vem falando, tem tudo para ser verdadeiro.

 

O plano só tem uma grave falha: como fará para que a Frente Al-Nusra, a Al Qaeda e o Jawlish, entre outros, batam palmas para a solução ocidental?

 

Parece mais provável que eles imitem os seus irmãos fundamentalistas da Líbia e passem a disputar o poder de armas em punho, criando um caos similar ao que acontece há quatro anos no país que foi de Kadafi.

 

Como se sabe, os estadistas norte-americanos e seus seguidores ingleses fazem questão de repetirem seus erros.

 

Quanto à reunião de 25 de janeiro, no início esperada com tantas esperanças, as apostas são de que vão dar em palavras solenes, bem escritas, porém vazias.

 

Como Genebra já se acostumou a ver.

 

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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