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Corram que as eleições norte-americanas vem aí Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 08 de Janeiro de 2016
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Não se pode negar que as grandes potências desejam o fim dos principais conflitos mundiais: Israel/Palestina, Síria, Ucrânia e Estado Islâmico (EI).

 

O problema é que cada lado quer uma solução do seu jeito, que lhe dê mais vantagens, o que, em geral, prejudica o oposto.

 

Apesar de tudo, em 2015 houve algum progresso no caminho da paz. O Acordo Nuclear com o Irã merece que se solte muitos foguetes para celebrar.

 

E a paz dos EUA com Cuba, embora falte o fim das sanções comerciais, também foi importante.

 

Mas ainda falta muito para o mundo se tranquilizar. No caso da Síria, os rebeldes, os EUA e demais aliados concordaram em discutir com os adversários do regime Assad e seus patronos (a Rússia e o Irã) a formação de um governo de transição que teria 18 meses para marcar eleições democráticas. Até agora isso era inaceitável para os rebeldes e países amigos.

 

Só resta um obstáculo para o plano ir em frente: Assad. Todas as forças unidas na rebelião exigem que Assad suma do pedaço antes das negociações começarem.

 

Obama já decretou que o presidente sírio (ele foi eleito) perdeu legitimidade. Ele é acusado de inúmeras violências e atrocidades, além do seu regime ser considerado uma ditadura.

 

Bem mais branda, aliás, do que a monarquia saudita, uma das nações propulsoras da rebelião dita democrática síria. Trata-se de uma monarquia retrógada – onde mulheres não podem sair à rua desacompanhadas de homens, as religiões não islâmicas são proibidas, não há liberdade de imprensa, nem eleições políticas, os opositores são punidos como criminosos (haveria 30 mil presos) e vigoram leis como degola e até crucificação, não necessariamente por crime de morte.

 

Mesmo tirando nota mais baixa do que Assad em direitos humanos, a Arábia Saudita é grande amiga dos EUA.

 

Já Assad não é. Pior: é amigo dos incômodos russos, que vivem criando caso com os interesses da Casa Branca.

 

A Rússia recusa a queda de Assa, não quer perder um aliado que lhe fornece base para a frota de Moscou no Mediterrâneo, sendo um dos seus dois únicos aliados na região.

 

Apesar desta controvérsia aparentemente insolúvel, no momento, há firme vontade das partes de se buscar uma solução nas negociações já marcadas para 25 de janeiro.

 

De um resultado positivo, com a paz reinando na Síria, depende a destruição do Estado Islâmico.

 

Não vejo como os sucessores de Gengis Khan, Átila e Hitler, poderão enfrentar as forças combinadas dos EUA e da Rússia.

 

Ainda mais reforçadas pelos exércitos de Assad e dos rebeldes unificados, mais os curdos, os turcos, os sauditas e o Catar.

 

Além das forças aéreas do Reino Unido e da França. E mais: sendo um país islâmico, o Irã também poderia contribuir com exércitos de terra, sem sofrer o ódio dos iraquianos medrado durante a ocupação estadunidenses.

 

Desta vez Golias não teria como perder. Não é de se crer que nessa possível guerra o EI seria totalmente destruído, mas seu Estado, sim.

 

Ele sobreviveria como um movimento clandestino, praticando atentados, com seus efetivos cada vez mais diminuídos depois de sua derrota afetar profundamente o recrutamento de novos efetivos.

 

Perdida sua mística de movimento islâmico invencível contra os opressores ocidentais, o EI não ofereceria mais motivação suficiente parta atrair muitos jovens desesperados.

 

Em todas as muitas reuniões que já se realizaram para discutir a guerra da Síria, a Rússia tem se revelado extremamente cooperativa.

 

Sabe-se que nas negociações de janeiro, ela estaria disposta a fazer concessões profundas, tais como concordar com a não participação de Assad nas futuras eleições, e até mesmo no governo de transição, desde que ele tenha um papel nas discussões de paz.

 

Mas, não seria uma rendição. Putin nunca abrirá mão de uma base naval na Síria, além de acreditar que terá sempre alguma influência nos próximos governos sírios.

 

De qualquer modo, a atuação russa no caso sírio vai gerar simpatia nos países da Europa.

 

A tese de Obama de que Putin pretenderia, aos poucos, apossar-se dos antigos satélites soviéticos e, posteriormente, tornar-se a potência hegemônica no continente começaria a fazer água.

 

Só não ruiria de vez porque Putin não vai devolver a Criméia à Ucrânia, de jeito nenhum. Teria contra si o próprio povo russo.

 

O que ele poderá fazer será retirar-se totalmente do leste ucraniano desde que o governo de Kiev garanta uma semi-autonomia a essa região de etnia basicamente russa.

 

A grande questão é: sem a volta da Criméia à Ucrânia, os europeus aceitarão levantar as sanções contra a Rússia?

 

Não será nada fácil. Obama envolveu todo o seu prestígio para convencer os países da União Europeia a sancionar os russos, mesmo contra os interesses econômicos deles.

 

Não vai recuar assim sem mais nem menos. É duvidoso que Cameron, Merkel e Hollande façam frente ao diktat da Casa Branca.

 

Se aqui as esperanças de paz são poucas, na questão palestina elas parecem ainda menores.

 

O próprio Obama já admitiu que não será ele que encaminhará a solução do problema.

 

Ele parece assustado por ter vencido a queda de braço com Netanyahu pelo acordo de paz nuclear com o Irã.

 

Ainda fez algumas ameaças de que a posição dos EUA eternamente pró-Israel na ONU poderia mudar, deu declarações de que as exigências de Netanyahu nas negociações de paz eram absurdas, alguns dos seus assessores próximos fizeram críticas duras a Israel...

 

Por enquanto, ficou nisso. O que se viu de concreto foi a Casa Branca condenar o movimento de Boicote aos produtos vindos dos assentamentos e um provável aumento da ajuda anual de armas ao exército israelense (nenhum outro país é tão aquinhoado).

 

A Europa, por sua vez, parecia ter perdido a paciência com as contínuas transgressões de Telavive das leis internacionais, dos direitos humanos e das decisões da ONU.

 

Depois de dezenas de condenações dos assentamentos, demolições de casas palestinas, violências do exército de Israel, leis duras contra adolescentes palestinos, ocupações de terras de palestinos etc. a União Europeia passou a agir.

 

Foi tornada obrigatória a indicação de procedência nos rótulos dos produtos dos assentamentos exportados, alertando os consumidores europeus.

 

Os assentamentos foram excluídos nos acordos entre a Europa e Israel, em qualquer área: econômica, esportiva, acadêmica, científica e cultural entre outras.

 

Mais importante: por iniciativa da França, iniciou-se a elaboração do projeto dos “2 Estados independentes”, com participação de palestinos, da Liga Árabe e vários países europeus.

 

A grande diferença sobre as diversas tentativas anteriores frustradas seriam

duas:

 

  • Discussões multilaterais, não restritas a palestinos e israelenses, mas com participação da ONU e outros países;

 

  • Prazo de um ano para se chegar a uma solução. Caso isso não aconteça, declaração imediata da independência da Palestina.

 

Esta ideia surgiu nos primeiros meses de 2015 como base inicial para conversações. As notícias apontavam adesões crescentes, inclusive dos EUA.

 

Obviamente, Israel era contra, pois pelo menos durante o regime de extrema-direita de Bibi Netanyahu, uma Palestina independente é inaceitável.

 

O próprio Bibi já afirmou durante a campanha eleitoral, além de nos anos anteriores ter direta ou indiretamente manifestado esta posição. Que, aliás, acaba de ser cruamente defendida pelo ministro da Educação, Benett, líder do Partido Lar Judeu: “Chegou o tempo de dizer que Israel (a Palestina) é nosso. Sair de uma defesa estratégica para um processo de iniciar a implantação da soberania israelense sobre os territórios sob controle israelense na Judéia e Samaria (regiões que formam a Cisjordânia)”

 

Talvez devido a outros acontecimentos que agitaram as relações internacionais em 2015, o novo projeto de paz para a Palestina sumiu da imprensa.

 

Temas como o acerto final do Acordo Nuclear com o Irã, o drama dos emigrantes, a invasão do Estado Islâmico e a guerra da Síria passaram a dominar os noticiários.

 

Aparentemente, a diplomacia mundial concentrou-se neles. O único projeto relativo a Palestina apresentado (e aprovado) na ONU foi o que propunha o hasteamento da bandeira do país na sede da Organização...

 

Abbas tentou levantar o ânimo do seu povo, anunciando que iria virar a mesa: retirar-se dos acordos de Oslo, que regulavam o processo de paz entre Israel e a Palestina, o qual não deu em nada durante 22 anos.

 

Acabaria com a cooperação administrativa e policial com Israel e lutaria pela independência, sem mais negociações inúteis.

 

Não fez nada disso. Desesperados, os jovens palestinos, especialmente de Jerusalém Oriental, partiram para ataques pessoais a cidadãos judeus, reprimidos com a maior violência pelas forças de segurança.

 

Enquanto durar esta luta sem esperança, de estilingues e facas contra fuzis e lança-mísseis, não se pensa em levar adiante o projeto multilateral de paz, idealizado inicialmente pela França.

 

Mesmo que acabe logo, não há indícios de que as discussões por uma paz justa na Palestina na ONU sejam retomadas rapidamente.

 

Ainda assim seu resultado é incerto. Não se sabe qual será a atitude Obama.

 

Certo que, sendo fim do seu mandato, poderá agir de acordo com sua consciência. Pela independência da Palestina, como já se manifestou.

 

Mas as eleições serão em novembro deste ano. Hillary Clinton, a candidata a presidente dos democratas, é francamente pró-Israel.

 

Irá Obama opor-se a ela e, provavelmente, à maioria dos candidatos aos legislativos do Partido Democrata?

 

Seja como for, se neste ano não acontecerem a independência da Palestina, a paz na Síria, a extinção do califado islâmico e um acordo na Ucrânia com o fim das sanções antirrussas, todas estas crises só tenderão a se agravar.

 

Todos os 11 candidatos a presidente pelo Partido Republicano são profundamente reacionários, defensores dos interesses imperiais dos EUA, prontos a defenderem soluções militares para problemas internacionais, quase todos inimigos da Rússia de Putin – que consideram um segundo Stalin.

 

Talvez Randy Paul seja diferente. Afinal é pacifista, inimigo do poder excessivo dos órgãos de segurança e defensor das liberdades básicas. Mas é pró-Israel incondicionalmente.

 

No lado democrata, Bernie Sanders tem posições avançadas em assuntos internos e prefere os EUA agindo sempre em conjunto com outros países, evitando ações unilaterais, tipo invasão do Iraque.

 

Infelizmente, sua concorrente, Hillary Clinton, tem muito mais apoios no partido e na imprensa, muito mais dinheiro e é muito mais conhecida. Será certamente a candidata democrata.

 

Quando secretária de Estado de Obama, demonstrou ardentes princípios beligerantes: defendeu o bombardeio de Damasco, a entrada dos EUA na “revolução” da Líbia e uma política agressiva na Europa, através da OTAN.

 

Está profundamente comprometida com os interesses de Israel, do qual sempre se declarou a melhor amiga.

 

Todos esses políticos, cujas ideias não são muito diferentes entre si, são bem-vistos pelos principais lobbies: da indústria armamentista, do petróleo e de Israel.

 

Com o novo presidente norte-americano comprometido com esses interesses, as chances dos principais problemas internacionais são muito ruins.

 

E impossível que os estadistas mais conscientes não estejam a par disso.

 

Se não encontrarem meios para harmonizarem seus interesses conflitantes em 2016 serão corresponsáveis pelo que virá a partir de 2017.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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