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Quem quis o Estado Islâmico? Quem o protege? Quem, ainda, precisa dele? Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma, para o Correio da Cidadania   
Quarta, 23 de Dezembro de 2015
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O show de barbáries e de violências, articulado e desenvolvido pelo califa Abu Bakr al-Baghdadi, enterra a tese de que a insurgência do Estado Islâmico (IS) seria um mal necessário para derrotar o exército do presidente sírio, Bashar al-Assad e, ao mesmo tempo, frear o expansionismo do Irã. Uma tese que ganhou muitos aplausos, sobretudo em Israel, pelo seguinte:

 

a) promove a gradual destruição do regime sírio;

 

b) abre as portas à balcanização do Iraque com a criação de três estados (curdo, sunita e xiita);

 

c) provoca o contínuo sangramento financeiro do Irã, que deve sustentar o Hamas em Gaza, os rebeldes iouthi no Iêmen e o Hezbollah no Líbano e nas montanhas do Golã sírio;

 

d) no conjunto, representa a solução ideal para garantir a segurança das fronteiras do Estado sionista e, sobretudo, o interior de Israel;

 

e) a continuação da guerra permite ao governo sionista manter isolado, em termos políticos, seu inimigo histórico, isto é, a ANP palestina e reprimir os novos grupos da resistência armada palestina que pretendem promover a deflagração de uma terceira intifada.

 

Por isso, os principais serviços de inteligência do Ocidente e do Oriente Médio — CIA (EUA), Mossad (Israel), DGSM (Francia), M16 (Inglaterra), AISE (Itália), BND (Alemanha), CNI (Espanha), MIT (Turquia), AMaA (Arábia Saudita) e SII (Qatar) — têm trabalhado bastante para garantir a organização do Estado Islâmico, além de promover um rápido crescimento e uma insuspeitável afirmação militar. A este propósito vale a pena lembrar que em 2014 havia cerca de 8.000 europeus - entre eles 1.500 franceses - alistados nas fileiras do IS, que a “grande imprensa europeia” chamava de “voluntários combatentes pela liberdade”!

 

Isso se explica porque os governos europeus, em termos políticos e diplomáticos, haviam decidido que o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, devia cair logo. Foi nessa lógica que o governo italiano – no lugar de considerar o relatório sobre as interceptações telefônicas realizadas – logo pagou dez milhões de euros aos intermediários do grupo jihadista sírio, Jabal Al Nusra, para o resgate das italianas Greta Ramelli e Vanessa Marzullo, mentoras desse falso sequestro. De fato, a Justiça italiana e, sobretudo, a Polícia Financeira (Finanza) nunca investigaram esse pseudo-sequestro e a imediata decisão do governo de pagar um resgate tão desproporcionado!

 

Explosão do terrorismo e organização da guerra total

 

Na Síria, os serviços secretos do Ocidente repetiram os mesmos erros que a CIA cometeu na Líbia, pelos quais o embaixador estadunidense Christopher Stevens foi assassinado. De fato, os diretores da CIA acreditavam que após a morte de Kadafi poderiam manipular com facilidade os grupos políticos da dita resistência. Assim, cometeram o erro de não prestar atenção aos projetos geopolíticos que as monarquias árabes haviam desenhado para o futuro da Líbia e, consequentemente, ampliar sua esfera de influência na região do Sahel, rica de petróleo, gás e, sobretudo, urânio.

 

Foi nesse conturbado contexto que o Catar e a Turquia se tornaram os principais responsáveis do sucesso do IS e, sobretudo, do seu enriquecimento, realizado com a cumplicidade dos conglomerados financeiros que permitiram à Turquia  “comprar a preço de banana” o gás e o petróleo roubado na Síria e no Iraque. De fato, a principal preocupação militar do IS foi a ocupação dos oleodutos, dos campos petrolíferos e, principalmente, das estações de bombeamento. Operações militares que foram realizadas em tempo recorde graças às informações “reservadas” fornecidas pelas “antenas” dos serviços secretos ocidentais.

 

Assim, os intermediários do califado arranjaram dinheiro para adquirir armas, munições e sofisticados meios de comunicação nos países europeus, camionetes 4x4 e caminhões japoneses e sul-coreanos, além de uma logística para alimentar o exército do IS, calculado com um efetivo de 80.000 pessoas, mobilizadas por um período de quatro anos.

 

Ninguém duvida mais que sem o suporte dos homens do MIT (Serviços Secreto da Turquia) e os petrodólares do Catar, o Estado Islâmico nunca teria existido. Isso porque o milimétrico grupo de terroristas liderado por Abu Bakr al-Baghdadi estaria, ainda, realizando pequenos atendados e assaltos nas ruas de Bagdá.

 

Quem quer o Estado Islâmico?

 

Apesar das milhares de velas acesas na Place de la Repubblique após os atentados em Paris e o duríssimo posicionamento do presidente Hollande contra o IS e seus protetores – em função do qual conseguiu silenciar a retórica nacionalista de Sarkozy e Marine Le Pen – nenhum jornal francês aprofundou em seus editoriais o controverso papel do Catar e da Turquia. Lembrando que o Catar é o país árabe que realizou fabulosos investimentos na França nos diferentes setores da indústria e, mesmo assim, financia os grupos armados jihadistas da Síria, da Líbia e os do Magreb (Ansar Dime, Aqmi e Mujao) que, recentemente, transformaram o norte do Mali em um inferno para as tropas francesas.

 

De fato, quando o primeiro-ministro do Catar, Hamad bin Jassen, esteve em Paris para condenar o violento tiroteio contra os redatores de Charlie Hebdo, por parte de dois militantes do IS, o governo francês ficou calado para não abrir uma crise de confiança com o Catar, visto que os bancos de Doha realizaram importantes investimentos em vários setores da indústria aeroespacial francesa, na construção civil, no setor hídrico, no agroalimentar e sobretudo no energético.

 

O verdadeiro problema é definir até que ponto o governo do Catar, da Turquia, da Arábia Saudita e dos Emirados Unidos são responsáveis pelas ações de terrorismo que Abu Bakr al-Baghdadi e seu braço direito, Abu Muhammad al-Aduani, planejaram nesses anos. Também, seria necessário definir se os chefes da “Intelligence” desses países árabes cometeram o mesmo erro dos serviços ocidentais que, para mostrar ao mundo a criação de uma “Task Force Sunita” para destruir o regime sírio de Bashar al-Assad, fechavam os olhos diante dos inúmeros massacres praticados pelos combatentes do IS.

 

De fato, se os Estados Unidos e a França queriam mesmo acabar com Bashar al-Assad, teriam apoiado unicamente a Coalizão Nacional Síria e seu braço armado, o ESL (Exército Sírio Livre), no lugar de permitir que o governo da Turquia desse autorização às empresas públicas turcas de comprar dos intermediários do IS o gás extraído na Síria e o petróleo do Iraque, cujos oleodutos transitam no território da Síria. Foi nesse âmbito que o governo turco deixou que a empresa pública turca que administra e gerencia os terminais petrolíferos do porto de Cayhan aceitasse a falsa documentação de venda de petróleo, elaborada por empresas fantasmas em Doha. Graças a esta triangulação, os homens do IS conseguiram vender a preços de banana o petróleo extraído nos campos petrolíferos iraquianos de Kirkut.

 

Além disso, as excelências da Casa Branca tinham o poder de congelar, com alguns telefonemas, a compra de armas, munições, meios de comunicação e produtos para a logística, bem como desvendar a cobertura que os bancos de Doha e de Istambul davam aos intermediários do IS na realização de transações financeiras internacionais.

 

Hoje há ainda quem diz que o bloqueio das contas do IS não pode ser realizado a mando dos EUA. Porém, ninguém quer lembrar que a Casa Branca e os países da OTAN, logo após a invasão do Kuwait, unilateralmente tomaram a decisão de bloquear todo tipo de contas correntes do governo e dos cidadãos do Iraque no exterior. Semelhante decisão poderia ter sido tomada, como forma de retaliação, após as dramáticas execuções dos reféns por parte do carrasco do IS, Jihad John, ou depois dos primeiros atentados nas cidades europeias. O absurdo desse contexto é que a CIA nada fez, mesmo sabendo que, a partir de janeiro de 2014, o IS estava ficando cada vez mais incontrolável e que a prática da violência gratuita e sua divulgação midiática havia desmobilizado o principal aliado dos EUA na Síria, isto é, o Exército Sírio Livre.

 

É nesse âmbito e graças ao silêncio dos serviços secretos ocidentais e dos árabes que o Estado Islâmico conseguiu comprar no mercado clandestino inúmeros lotes de munições e de armas pesadas, realizando os pagamentos em “cash” nos bancos de Doha, capital do Catar. Um silêncio que permitiu a viagem de milhares de contentores cheios de armas e munições através da União Europeia, até chegar aos portos de Benghazi e Misrata, na Líbia. Depois, todo esse material era carregado nos aviões cargueiros C-130 (alugados às fantasmagóricas empresas árabes), que voavam até as pistas de aterrissagem, as quais os homens do serviço secreto turco (MIT) haviam criado ao longo da fronteira com a Síria. Locais onde o IS enviava centenas de caminhões para recuperar as cargas sob os olhares “fraternos” dos homens do MIT turco.

 

Hoje, todo o mundo reconhece que a logística em uma guerra de movimento implica operações complexas que, para serem realizadas, precisam de uma estrutura profissional, do momento em que não se trata de transladar uma meia dúzia de caixas de fuzis, mas centenas de contentores, de viaturas e milhares de produtos para a logística que, por sua parte, devem ser redistribuídos cabalmente e com uma certa velocidade nos diferentes territórios ocupados pelos homens do IS, quase sempre em horário noturno para não serem bombardeados pelos caças-bombardeiros de Damasco.

 

Quando Obama, Cameron, Angela Merkel e François Hollande dizem que o IS “infelizmente conseguiu se organizar para fugir aos controles internacionais” estão escondendo a verdade, pois a CIA tem pleno conhecimento das atividades do mercado clandestino de armas.

 

Pra citar um exemplo, em 2000, a Casa Branca, para evitar que Vladimir Montesinos – ex-conselheiro pela segurança do presidente peruano Alberto Fujimori -, vendesse para as FARC (colombianas) quatro velhos lança-foguetes russos (Sam 7) e três caixas com 12 foguetes, organizou uma operação espetacular que acabou, inclusive, com o aprisionamento de Montesinos e do próprio presidente Fujimori.

 

Por isso, é impossível admitir que a CIA, o Pentágono e o Comando Geral da OTAN não sabiam que o Estado Islâmico estava se preparando para passar do terrorismo à guerra total, indo, assim, disputar com seus próprios aliados ocidentais o futuro geopolítico da Síria e do Iraque.

 

O papel da Rússia e do Irã

 

Não foi casual, mas antes dos três ataques contra civis por um “comando” do IS no centro de Paris, foram realizados mais três sangrentos atentados: a) na capital do Líbano, Beirute, para dar um terrível aviso ao Hezbollah libanês; b) no céu do Sinai, com a explosão de um avião Airbus russo provocando a morte de 256 pessoas, na maioria russas; c) na cidade curda de Suruch, com vistas a ameaçar os curdos da Turquia que apoiam a luta da minoria curdo-síria contra a invasão dos territórios do Curdistão sírio e do Curdistão iraquiano.

 

Pela primeira vez, esses atentados não obtiveram o resultado desejado pelos autores, isto é, provocar o medo e a resignação entre as vítimas. De fato, o Hezbollah, apesar dos 40 mortos, despedaçados pela explosão de um homem-bomba no bairro xiita de Beirute, não baixou a guarda e intensificou seus ataques contra as posições do IS na região de Aleppo, permitindo, assim, ao exército sírio realizar grandes operações e começar a cercar, cada vez mais, os bairros da periferia, onde estão entrincheirados os combatentes do IS.

 

Também a Rússia não ficou amedrontada com o atentado contra seu Airbus. Em resposta, o presidente Vladimir Putin oficializou a presença militar da Rússia na Síria, enviando mais navios e triplicando o número de caças-bombardeiros (Sukoi-30), com os quais se deu início um implacável bombardeio das posições do IS, mas também as dos outros grupos armados. Uma decisão que em termos de estratégia militar travou o avanço triunfal do IS em direção da capital síria, Damasco.

 

Ao mesmo tempo, o presidente Putin conseguiu romper o isolamento político e diplomático que a Rússia vivenciava após a anexação da Crimeia e a rebelião separatista no Leste da Ucrânia. Consequentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi obrigado a dialogar com Putin sobre: a) o complexo processo de transição; b) o futuro do presidente Bashar al-Assad; c) a definitiva ofensiva contra as posições do IS na Síria e depois no Iraque. É claro que não houve acordo nenhum, inclusive porque Putin exigiu ampliar a ofensiva política e diplomática contra quem financiou e deu suporte militar e logístico ao IS.

 

Atuando desta maneira, a Rússia voltou de cabeça erguida ao topo da comunidade internacional, inclusive porque foi o único país que teve a coragem de acusar publicamente o Catar e a Turquia, criando assim uma constrangedora situação no seio do G-20 e da própria União Europeia, que ainda deve avaliar o pedido de adesão à UE por parte da Turquia. Nesse âmbito, a Rússia conseguiu manter inalterada a linha operativa de sua intervenção militar na Síria, que é muito diferente da estadunidense e também daquela francesa, do momento que os primeiros atacam com aviões “drone” ou os F-15 somente os objetivos apontados pela inteligência. Contrariamente, os pilotos russos dos Sukoi-30 rastreiam os territórios ocupados pelo inimigo para depois atacarem as posições, até sua completa destruição.

 

Os analistas militares admitem que o IS não tem capacidade para suportar, por mais seis meses, o volume de fogo imposto pelos aviões russos, o exército sírio, as unidades de assalto do Hezbollah, dos curdos e dos Pasdaran iranianos, sobretudo se os aviões de EUA, França e Grã Bretanha voltarem a atacar com mais eficácia. Os mesmos reconhecem que o perigo maior são os financiamentos ocultos vindo dos bancos do Catar, com os quais os homens do IS podem resistir ainda mais, até consolidar sua presencia na região central do Iraque e nesse caso pedir uma negociação propondo a balcanização do Iraque com a formação de três estados: um sunita, outro curdo e o terceiro xiita.

 

Um projeto que poderia satisfazer as chancelarias dos países ocidentais, mas que é rejeitado em pleno pelo Irã, a Rússia e a China. De fato, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, alertou que o Irã nunca permitirá a balcanização do Iraque. Se isso vai acontecer, Rouhani prometeu uma ofensiva terrestre gigantesca, sobretudo se os contingentes do IS resolvem profanar as cidades sagradas xiitas de Karbala e Najaf e avançar em direção da fronteira iraniana.

 

Apesar das declarações otimistas de Putin é difícil perspectivar o fim do conflito na Síria e no Iraque no primeiro semestre de 2016. Infelizmente há ainda demasiados interesses em jogo. Desses, os mais salientes são:

 

1) a Turquia, os países árabes do golfo e Israel não querem que a guerra acabe com uma vitória militar da Rússia e do Irã;

 

2) Os países ocidentais e, em particular os EUA, apostam em mais dois anos de guerra. Nesse caso, e com a manutenção do preço do barril do petróleo a 35 dólares, a Rússia deverá reformular sua intervenção ou aceitar os termos de um acordo com os EUA sobre a balcanização do Iraque;

 

3) A despedida de Bashar al-Assad da política síria;

 

4) A continuação do conflito até 2018 pode criar sérios momentos de crise no próprio Irã, visto que ainda não se livrou das sanções, investiu cerca de 12 bilhões de dólares (quase 3% do PIB iraniano) na modernização do seu exército e pretende investir mais de 6 bilhões de dólares na construção de várias centrais nucleares para abastecer todo o país com energia elétrica.

 

 

Achille Lollo é correspondente na Itália do “Brasil de Fato” e do “Correio da Cidadania”, Editor do programa de TV “Quadrante Informativo”. Colabora com o “Antidiplomatico” e a revista “Nuestra America”.

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