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Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 18 de Dezembro de 2015
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Ninguém duvida que Obama seja um liberal, com muitas ideias até progressistas. Mas ele anda com uma turma...

 

Boa parte dela acredita que a vontade dos EUA deve ser lei no mundo e está sempre com o dedo no gatilho clamando por uma guerra contra aqueles que ousem dizer não ao diktat norte-americano.

 

Começamos com Ashton Carter, recentemente nomeado Secretário da Defesa. Ele é um dos defensores do jogo bruto com a insubmissa Rússia, por causa da audácia de Putin na questão da Ucrânia.

 

É o que se esperava de Carter. No governo Geoge W. Bush, foi um dos formuladores da política de “assassinatos seletivos” de terroristas no exterior, através de drones, até hoje cumprindo seus fins, ainda que na prática já mataram também cerca de mil civis inocentes.

 

Muito belicoso, Carter defendeu a modernização do arsenal nuclear estadunidense e o corte de outros itens (como benefícios sociais, por exemplo), em vez de gastos militares, durante a fase crítica das finanças da Casa Branca.

 

Não foi à toa que dois expoentes do war party, o senador McCain e Donald Rumsfeld, ex-secretário da defesa de George W. Bush, saudaram a nomeação de Carter como “excelente”.

 

Victoria Nuland, subsecretária de Estado para a Europa, compartilha das ideias de Carter. Ela também vê Putin empenhado em aumentar seu império às custas dos Estados vizinhos. Nuland foi agente ativo no golpe triunfante que tirou a Ucrânia da aliança econômica com Moscou.

 

A certas alturas, impaciente com a moderação dos europeus em lidar com a revolução, ela cortou uma conversa telefônica com o embaixador norte-americano em Kiev, exclamando: “foda-se a Europa”. Gravada pelo serviço secreto ucraniano, esta diatribe percorreu o mundo.

 

Outro saudosista da Guerra Fria é o general John Dunford, o chefe do Estado Maior das forças armadas.

 

Ele considera a Rússia a maior ameaça à segurança dos EUA, vindo a seguir a China e a Coréia do Norte. Todos comunistas ou ex-comunistas.

 

Para Dunford, o Estado islâmico não merece as mesmas preocupações dos outros três, sendo apenas o quarto na lista dos inimigos do american way of life.

 

Pela primazia negativa de Moscou, ele quer o envio de armas pesadas para a fronteira da Ucrânia com a Rússia. A ideia é flexionar os músculos de Tio Sam diante de Putin, assustando o urso russo e o mantendo nas suas estepes.

 

Na guerra da Síria, Dunford insiste na criação de uma “no-fly-zone”, proibindo voos no espaço aéreo em volta da fronteira sírio-turca.

 

Isso impediria que os aviões russos bombardeassem as frotas de caminhões que tem levado armas e suprimentos, não só aos rebeldes sírios, como também ao pessoal do Estado Islâmico (clandestinamente, espero).

 

Outro general vem a seguir: Philip Breedlove. Consegue ser ainda mais anti-Rússia do que Dunford.

 

Como comandante da OTAN, ele está sempre falando em agressões do Kremlin (nunca provadas), ameaças de invasões aos países bálticos, violações de territórios e espaço aéreos, planos soviéticos... Perdão, russos, para conquistar as riquezas minerais do Ártico.

 

Aparentemente Breedlove acha que a Rússia ainda é comunista e Putin o fiel seguidor de Stalin nos seu ardor imperialista.

 

Com a no-fly-zone, incidentes como a recente derrubada de um avião russo por um turco seriam facilmente previsíveis. Só que com consequências muito mais graves.

 

Todas estas pessoas, talvez com boas intenções, são inestimáveis colaboradores da indústria norte-americana de armas.

 

Em conflitos como os da Ucrânia, Síria, Afeganistão, Iraque, Iêmen (os EUA fornecem bombas e mísseis para os sauditas), Palestina, sem contar as inumeráveis e infindáveis guerras africanas, tal indústria está sempre em festa.

 

Ela mantém excelente lobby, cujo trabalho, na verdade, é mole. Tem o Pentágono a seu favor e divisas sempre pesam nas decisões de presidentes, democráticos ou não.

 

Dezenas, talvez centenas de políticos, estão sempre prontos a serem convencidos por argumentos impressos em dólar.

 

Além dos muitos políticos que são war mongerings por convicção. Um bando deles circula ao redor do presidente.

 

O resultado de todo esse trabalho é volumes de dinheiro iguais a tudo que se gasta em armamentos no resto do mundo.

 

Bem que Obama faz suas tentativas de buscar soluções diplomáticas, que não envolvam armas. Dá para entender quando ele é obrigado a ceder ao poder daquele complexo-industrial militar que o presidente Eisenhower advertiu há tantos anos.

 

Infelizmente, governos não julgados por suas ações, mas por suas práticas e resultados.

 

Leia também:

 

Estados Unidos: a movimentação da Rússia na Síria


Impasse no jogo duplo da Turquia

 

Acordo nuclear: rendição do Irã e a reação russa na Síria

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Quarta, 23 de Dezembro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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