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Scioli, Cristina e o kirchnerismo garantem a governabilidade e o ajuste de Macri Imprimir E-mail
Escrito por Eduardo Castilla   
Sexta, 04 de Dezembro de 2015
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Por estas horas não cessam os gestos do kirchnerismo para garantir a governabilidade de Mauricio Macri, a quem era definido até alguns dias atrás, sem mais, como alguém que iria implantar um ajuste brutal na economia argentina.

 

Isto não implica que este ajuste não vá, efetivamente, ser feito. Pelo contrário, a cada momento são mais claros os seus contornos. Assim, o jornalista Marcelo Bonelli acabou por conhecer o que viria a ser o plano que o macrismo propõe aplicar, de maneira imediata, logo no início do seu mandato: elevar o dólar aos 13 ou 14 pesos, ao mesmo tempo de impulsionar uma modificação importante no valor mínimo do Imposto dos Lucros.

 

Macri buscaria, assim, conquistar uma base social mais firme para seu nascente governo nas fileiras da classe trabalhadora com maior poder aquisitivo, enquanto lança uma medida que golpeará o salário do conjunto dos trabalhadores. Essa desvalorização é um pedido “urgente” lançado pelo grande capital. Pedido que, como ilustra o jornalista Alejandro Bercovich, já se traduz em efeitos, com setores das patronais aumentando os preços em função da medição do dólar que o Cambiemos anunciou durante a campanha.

 

São as razões do “país burguês” as que empurram rumo ao caminho do ajuste, não os desejos neoliberais do macrismo. Se o peronismo, no seu conjunto, se vê obrigado a reiterar, a cada momento, seu rol de “colaboração” e garante a governabilidade, é porque deve responder ante a este mesmo país burguês, mas desde o pranto, golpeado pela derrota.

 

Cada qual forja (ou tenta forjar) seu futuro

 

O kirchnerismo construiu seu poder sobre a polarização discursiva com atores de um ciclo político e social prévio e golpeado duramente pelo ano de 2001. Durante a década passada, o “pejotismo” (termo referente ao Partido Justicialista - PJ) se subordinou a essa fração política, graças ao duplo chicote do prestígio e da caixa centralizada no poder central, da qual dependia parte vital do funcionamento das províncias. Um sistema de “prêmios e castigos” que tem, diga-se de passagem, muito a ver com a votação anti-sciolista em Córdoba.

 

Logo após a derrota, a nova cena política obriga a todos que atuam no peronismo a buscar um novo futuro. Isso se faz, como não podia deixar de ser, na base das derrotas de rivais internos. Junto à guerra entre as facções, convivem os objetivos pessoais de cada dirigente, obrigados a lutar pelo seu próprio lugar.

 

Neste terreno em construção, Scioli joga por estes dias a carta de “grande estadista”, buscando mostrar um horizonte político que, paradoxalmente, nunca desenvolveu no último período. No dia 27 de novembro, disse que aceitou rapidamente a derrota “porque percebia uma tensão, uma expectativa muito grande” e “não iria por a Argentina em um estado que pudesse gerar situações violentas”.

 

Assim, a derrota eleitoral tenta ser revestida de certa “heroicidade”. Uma espécie de relato pessoal, que dificilmente consegue comover alguém. Seu aviso de que “vai colaborar” com Macri e entendeu a “mensagem de mudança” vão no mesmo sentido da localizar-se por cima das “pequenas intrigas”.

 

Guerra de facções

 

A disputa no interior do peronismo é também pela facção que terá protagonismo na hora de “jogar” o jogo parlamentar no Congresso. Veio com força o rumor que dizia que José Luis Gioja seria o líder do bloco peronista na Câmara dos Deputados. Carlos Kunkel, espada do kirchnerismo nesta câmara, saiu a afirmar o rumor. As versões que se conhecem dizem que o kirchnerismo sangra pela ferida. Houvera preferido a continuidade de Juliana Di Tulio.

 

Mas no novo esquema do poder político que se delineia no país, os governadores têm um peso substancialmente maior no Congresso. Ou para dizer mais precisamente, eles são aqueles que podem ditar o funcionamento do Congresso. O kirchnerismo se vê deslocado do centro da cena parlamentar pelo peronismo mais tradicional, o dos caciques territoriais que dominam um terço do território nacional e numerosos distritos. A enorme maioria dos parlamentares do bloco de sua coalizão Frente para a Vitória (FpV) pertence a esse setor, o kirchnerismo tem pouco mais de 20. Uma simples comparação permite entender de onde sai o poder para impor Gioja.

 

Não há, como imaginará o leitor, nenhuma contradição de princípio em ambos os setores. Tanto Cristina Fernández como Scioli respaldaram Gioja durante estes anos. O governador de San Juan foi uma das melhores invenções da Barrick Gold e das grandes multinacionais da mineração. Seu governo – e sobretudo sua política – estiveram postos em prol de garantir essas rentabilidades.

 

Na mesma linha de tensões se inserem mais duas disputas. A que define as autoridades do PJ e a luta da Auditoria Geral da Nação, que passará a mãos do peronismo dentro de dias. No último 27 de novembro, este amigo íntimo das grandes patronais agrárias que se chama Julián Dominguez afirmou que a derrota do peronismo na província de Buenos Aires se deve a que o espaço “se aburguesou”, ainda acrescentou que é necessária uma “renovação”. Paradoxal afirmação, de quem se reveste nessas fileiras desde décadas e passou pelo menemismo, o duhaldismo e o kirchnerismo.

 

Ao mesmo tempo, deu duas definições. A primeira, esperável: “de nenhuma maneira” apoiará Aníbal Fernández como titular da Auditoria Geral da Nação. A segunda contundente: o lugar de Cristina Fernández no futuro do PJ “dependerá do que diga o povo”. Um bom eufemismo para dizer que agora todos terão que remar, incluindo a recém ex-presidenta.

 

Facilitando a transição

 

Ainda na sexta-feira, 27 de novembro, foi realizado o esperado encontro entre Aníbal Fernández e Marco Peña. Não foi em um bar como havia gracejado o atual chefe de Gabinete, senão na própria Casa Rosada. “Hannibal” se justificou com um “pedido expresso” da presidenta. Não cabe dúvida. Já faz vários dias que Cristina afirmou: “não poremos paus nas rodas” da transição.

 

Assim, “assegurar a governabilidade” é a bandeira de todas as alas do peronismo. Cada qual buscará canalizar o descontentamento em relação ao macrismo nas suas bases. Enquanto isso, ajuda o novo governo; “pedir aos céus que o ilumine” e entregar-lhe um ministro são partes elementares no sentido de mostrar seriedade para a classe dominante.

 

O kirchnerismo ajudou no salvamento do país burguês depois da crise de 2001, contribuindo com a recomposição do prestígio das danadas instituições; colaborou com a governabilidade de Macri durante quase uma década na cidade de Buenos Aires, garantindo as normas a favor do grande capital que impulsionava seu partido, o PRO; respeitou à risca a grande propriedade capitalista, mais além do seu discurso contra “as corporações”.

 

Nada indica, portanto, que agora jogará a carta da desestabilização. Não está inscrito nos seus genes. Pelo contrário, a genética lhe dita o mais estrito apego às normas capitalistas quando o que está em jogo são os ganhos de seus chefes. Os dirigentes campeões de denúncias ao “ajuste macrista” já mostram que o “carrasco dos ajustadores selvagens” era só demagogia. Scioli no poder teria atuado da mesma maneira. Por isso, agora colabora com Macri.

 

Apenas a esquerda classista, que nestes 12 anos esteve nas ruas junto à classe trabalhadora, enfrentando a burocracia sindical peronista-kirchnerista e as grandes patronais, é que pode ser uma alternativa ativa ao enfrentamento do que, sim, virá.

 

 

 

Eduardo Castilla é jornalista do La Izquiera Diario, de Buenos Aires, onde este artigo foi originalmente publicado. (http://www.laizquierdadiario.com/)

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Segunda, 14 de Dezembro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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