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O outro lado das gravações do filho de Cerveró que a grande mídia não vai mostrar Imprimir E-mail
Escrito por Emanuel Cancella   
Terça, 01 de Dezembro de 2015
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É fundamental que as redes sociais divulguem trechos da gravação de Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. Nessa reunião, no último dia 4, em Brasília, participaram Bernardo Cerveró e o advogado de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, bem como o senador Delcídio do Amaral e seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira.

 

Na gravação, o senador se referiu ao banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, como "quem entraria com a grana" para financiar a fuga do ex-diretor da Petrobras. O parlamentar e o banqueiro foram presos, na manhã de quarta-feira (25).

 

O jornal Valor Econômico, de 25/1, publicou: “Acesso de Esteves à delação revela perigoso canal de vazamento”. (...) “Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece: constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo”, observa o procurador-geral da República Rodrigo Janot.

 

O vazamento das delações premiadas da Operação Lava Jato para a imprensa, principalmente para O Globo, já era questionado pelos juristas. Agora se revela o vazamento das delações da Lava Jato também para banqueiro. Vale lembrar que o banqueiro citado ofereceu um “mensalão” de R$ 50 mil por mês em troca do silêncio de Cerveró. E a Lava Jato, em troca do vazamento das delações para o banqueiro, teria recebido o quê?

 

Gilmar Mendes e Dias Toffoli também são citados na gravação

 

A página do Pragmatismo Político, edição de 25/11/15, às 16h39, publica: “no áudio, o senador expõe proposta a filho de Cerveró e cita os ministros do STF que poderiam ajudá-lo. Mencionando os nomes de Gilmar Mendes e Dias Toffoli”. Desafio a Rede Globo a divulgar essa informação.

 

Em discurso no STF, a vice-presidente, ministra Carmen Lúcia, afirmou que, “com o mensalão, o cinismo venceu a esperança”, e apontou que “o crime não vai vencer a Justiça”. É um discurso com tom indisfarçavelmente político, que alimenta o “antipetismo”, não por acaso.

 

É preciso lembrar à ministra Carmem Lúcia que o mensalão tucano, anterior ao do PT, não foi julgado e já está prescrevendo. Quanto ao ministro Gilmar Mendes, citado na gravação, não seria a primeira vez que ele é visualizado, como disse a ministra, “em águas turvas”, pois foi Gilmar Mendes quem deu, em 24 horas, dois habeas corpus para livrar o banqueiro Daniel Dantas. Também mandou soltar o médico estuprador, Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos, que depois fugiu e vive nababescamente no exterior.

 

A gravação também insinua sobre uma certa conta na Suíça, que teria resultado num acordo entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o senador Romário, conforme publicado em O Dia: “Em troca (do silêncio), o ex-jogador apoiaria Pedro Paulo Carvalho Teixeira à prefeitura do Rio nas eleições municipais do ano que vem...”

 

Em julho deste ano, a revista Veja publicou que Romário tinha conta não declarada na Suíça. O ex-jogador foi então a Genebra e divulgou declaração do Banco BSI que negava a existência da tal conta.

 

Mas, desde julho de 2014 o BSI pertence ao Banco BTG Pactual, de André Esteves, o banqueiro preso no mesmo dia que o senador Delcídio. Um detalhe: Guilherme da Costa Paes é irmão do prefeito do Rio e diretor do BTG Pactual – ou seja, isso tem cheiro de tramoia.

 

Delcídio está preso. Mas o que vai acontecer com a Lava Jato, os ministros do STF citados na gravação, o prefeito do Rio e o senador Romário?

 

Como diria o velho e sábio Stanislaw Ponte Preta: “ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”.

 

 

Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) – Agência Petroleira de Notícias.

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Última atualização em Terça, 01 de Dezembro de 2015
 

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