Correio da Cidadania

Corrupção & capitalismo

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O banqueiro André Esteves era exemplo da capacidade empreendedora dos "investidores" do "livre mercado". Hoje, deixou de ser "mocinho" e virou vilão na história do moderno capitalismo brasileiro. Vai ser largado por seus pares, por medo de contaminação.
Pura hipocrisia da parceria.

 

A participação de André Esteves na operação que vinha sendo organizada com o intuito de despachar Nestor Cerveró para o exterior, após habeas corpus a ser acertado com o Judiciário, é apenas um elemento a mais na comprovação de que corrupção não é raio em céu azul de um capitalismo "ético".

 

É apenas uma prova a mais de que corrupção e regime capitalista são categorias inerentes. O capitalista eficiente é aquele que, após esgotar a faixa de exploração da mais valia à sua disposição, vai encontrar espaço de expansão de "negócios" na privatização, por qualquer meio, principalmente os ilegais, da Res Publica, sem ser alcançado pelos limites da lei. 

Sonegação de tributos, evasão de divisas, contratos superfaturados com obras públicas e por aí vai... Foi aí que Esteves mostrou sua fragilidade e "incompetência". Foi pego depois de manobra mal feita.


Na privataria do mandarinato FHC a sinergia entre grande capital e corrupção já havia ficado evidente de forma explícita, tanto na entrega das teles quanto na venda da Vale, para não relembrar o tenebroso Proer (em que R$ 40 bilhões do erário passaram a alguns banqueiros da patota mais próxima).


Nas telecomunicações, com a clara intervenção do Planalto a fim de beneficiar Daniel Dantas, a partir do próprio Planalto.


Na Vale, pela forma desassombrada como se entregou ao Bradesco a tarefa de avaliação de preço mínimo, ridículo, menor que o lucro anual, permitindo ao próprio Bradesco se beneficiar na compra das ações.


Mas, naquela época, nenhuma tentativa desestabilizadora foi acionada, por conta do apoio incondicional da mídia de direita ao sociólogo dos príncipes. No pedido de "impeachment" que, na condição de deputado, consegui levar a Plenário, uma única notícia veio a público sobre os 100 votos obtidos a favor. Numa página de "funério" da Folha de S. Paulo.


O que há de importante na prisão de Esteves é que seu peso nas maracutaias da Bolsa é expressivo. Não por acaso as ações supervalorizadas de seu grupo desabaram quase 30% num só dia. São os demais, ainda não atingidos, tirando o seu da reta. Entregando o dito cujo às piranhas, na esperança de que elas se saciem com a importância do atingido.


Termina nele e em Delcídio a operação do Supremo? A valer a intervenção da ministra Carmem Lúcia - que ninguém ousa citar nas "tratativas" - certamente que não.


Um tsunami pode estar se armando. O que vem pela frente pode abrir grandes oportunidades a uma esquerda atenta e mobilizada. Que saiba focar no essencial do combate estratégico e jogue para segundo plano as suas diferenças internas.

 

 

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Política em transe


Milton Temer é jornalista e ex-deputado federal pelo PT (1998-2006).

Comentários   

0 #2 ta bom liberaloideLuiz Ramires 23-12-2015 16:18
Aff que preguiça de falar com liberaloides e defensores de assaltos à mão armada. A velha historia de q só com privatizações falaríamos no celular, a Vale faturou mais dps q foi doada. E jamais poderia obter o mesmo sob o modelo anterior, a exemplo da petrobrás, claro, de modo a se voltar à soberania e à criação de excedente de renda nacional, sempre com o velho papinho de marajas, cabides, e outros mimimis q se aplicam perfeitamente à farsa universal do mercado financeiro, consultores e onanistas afins. É cansativo demais. Apenas roubam o que deveria pertencer a todos, e rentabilizar favoravelmente a todos,respeitando nossas necessidades gerais, inclusive ambientais (obs: tá meio patético citar a vale como exemplo digno agora). E, por fim, como se realmente houvesse dinheiro "privado" nesse mundo, como se tudo não partisse de um incentivo, ou esquemão, estatal. No mais, quase uma década de crise do modelo pós-89, e continuam querendo mamar mais. Não à toa a nova missão é desmoralizar e depois saquear a Petrobras, cuja corrupção nada mais significa que o verdadeiro espírito de acumulação, por quaisquer meios. Belo faz de conta, esse q tolera uma sociedade onde o dinheiro é o objetivo e virtude número 1 e quem corrompe não o faz movido pelo puro e simples espírito "dinheirista", isto é, capitalista. Como nem todos podem ter meios de produção ou serem financiados pelo BNDES, restam os caminhos tortuosos. No fim das contas, todos querem grana, todos acumulam com fins particulares e a sociedade vê navios. Mas o espírito capitalista não tem nada a ver com isso...
Já o criador da internet, sempre preconizou seu caráter igualitário e libertador, totalmente contrário às ideologias de monopólio da informação e da cultura, mas a gente estaria no telefone fixo não fossem as privatizações financiadas com grana pública...
zzzzzzzzzz
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0 #1 Corrupção Et Capitalismo - RespostaEdzel Maia Coelho 22-12-2015 10:10
Na matéria há afirmação, pelo menos implícita, de que a corrupção é inerente ao capitalismo, ao mesmo tempo em que argumenta-se com certo viés esquerdista citando algumas privatizações do governo FHC.
Pois bem, já fui, no passado, defensor do PSDB e sua política, hoje não mais, dado seu posicionamento diante ao governo petista, ou seja, de apenas suposto antagonista, pois quando se trata de se opor às estruturas dogmáticas, o PSDB se coloca no lugar que ele mais gosta de estar, encima do muro.
No entanto, voltando às privatizações, tão alardeadas até hoje pelos "socialistas caviar", é importante ressaltar que foi sim o governo de FHC que equilibrou as finanças públicas e preparou o país para um período de crescimento e colheita dos frutos plantados à época, o que realmente ocorreu no primeiro governo do tal Lula.
Já em relação a venda da Vale, por exemplo, acho curioso que ninguém diz que a vale à época era um dos maiores exemplos de cabides de emprego existente, que a empresa necessitava investimentos da ordem de aproximados U$ 5,0 Bi, recursos que o governo não possuía, e que sem esses investimentos a empresa não poderia continuar concorrendo com outras empresas externas do ramo, já que a globalização estava em curso. Dessa forma, a empresa pode ter sido vendida por valor baixo sim, porém, à partir dessa venda e dos referidos necessários investimentos, aí sim, feitos pela iniciativa privada, com o choque de gestão na empresa, a então Vale do Rio Doce, hoje apenas Val, multiplicou por pelo menos mil seu faturamento, trazendo aos cofres públicos valores mensais em impostos, muito maiores do que a mesma empresa faturava em um ano, com a vantagem de naquela empresa ter sido resolvida a questão anteriormente citada, o cabide de emprego.
Assim também ocorreu com a telefonia, que nem mesmo é necessário colocar o bem que o segmento percebeu após sua privatização.
No que diz respeito à corrupção, perdoem, mas essa mazela não é característica exclusiva do capitalismo, ou do comunismo, ou do socialismo, mas sim do ser humano. Já vimos isso no Gênesis, com Caim mantando Abel seu irmão por inveja e ganância, ou com Judas, que traiu Jesus por algumas moedas, e assim por diante, mas talvez no capitalismo ela seja mais evidente, pelo fato de que nas democracias as informações correm com maior facilidade, mas dificilmente perceberíamos tanta corrupção no capitalismo quanto a existente em regimes comunistas e/ou socialistas, no entanto nesses regimes as informações não correm, já que o estado detém controle sobre tudo, inclusive sobre os veículos de comunicação, órgãos fiscalizadores e etc.
Por fim, não vejo como um regime socialista pode dar certo, tendo em vista que ele não se baseia em criar riqueza, mas em dividir as riquezas já existentes, que até pela lógica é fadado ao fracasso!
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