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Escrito por Gabriel Brito   
Terça, 24 de Novembro de 2015
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Se é cada dia mais difícil parar, sentar e assistir a seleção canarinha, o mesmo vale para a tarefa de cronicar suas partidas.

 

Assim, quem prosseguir linhas abaixo não deve esperar um relato vivaz do último Argentina x Brasil, por essas eliminatórias temidas como nunca.

 

Até porque nem as circunstâncias fizeram questão de colaborar. Previsto para a noite de quinta, as chuvas transformadas em torrentes ciclônicas pelos ventos do Rio da Prata adiaram o encontro.

 

Com isso, o jogo, não muito aguardado, passou para a pouco futeboleira noite de sexta. Ajudou o fato de as cargas d’água subirem continente acima, banhando a árida metrópole que nos abriga.

 

Em meio a tanto anticlímax, já havia soado estranho o anúncio da maior renda da história do futebol argentino, a superar os 20 milhões de pesos e mostrar ao mundo que por lá a cultura do ingresso a preço de ouro também aportou.

 

É uma impressão particular, mas parece haver na Argentina, nesta fase do futebol globalizado, o mesmo distanciamento que progressivamente vimos marcar a relação do brasileiro e sua seleção, com a torcida apaixonada ofuscada por aquela mais contemplativa.

 

Ademais, conforme falávamos nos microfones da Central3, as duas escalações pareciam das mais medíocres da história a alinharem no duelo, que por sua vez passa por sistemática campanha pela adoção oficial da alcunha de “Superclássico das Américas”, um tanto desprovida de autenticidade.

 

Posto isso, ainda me animei a comprar algumas cervejas e fruir a partida, ao lado de velhos amigos.

 

Não demorou para que as conversas paralelas da vida dividissem as atenções com as imagens que nos vinham por satélite.

 

Jogo repleto de movimentos previsíveis, ambos os times ordenados a não correrem risco, os argentinos um pouco mais incumbidos da vitória, afinal, se de fato quiserem viajar à Rússia, será preciso obtê-la pela primeira vez no Monumental de Nuñez na carreira de técnico de Tata Martino.

 

Do lado brasileiro, destacou-se a torcida especialmente corintiana pela continuidade da fé cebeefiana no trabalho de seu dileto ex-volante.

 

Se é pra ser sincero, eram de dar pena as referências técnicas de cada equipe. De um lado, um punhado de carrancudos atletas de marcação liderado pelo ataque reserva (a ocupar justamente o lugar de quem seria atração de peso); de outro, um conjunto de tipos não muito identificáveis, desde alguns símbolos do 7 a 1, entre eles um dos reis do Instagram, e outros que outrora fariam parte do que falávamos “terceiro ou quarto time que podemos formar”.

 

Ambos mal orquestrados, nada muito envolvente conduzia a partida. Abriu-se o placar numa escapada pelo lado de Higuaín para gol de Lavezzi (não lembro tão claramente da construção, mas esta breve descrição já traz a conotação de falha defensiva).

 

Incapaz de fazer os volantes passarem do “Paralelo 94”, o time dunguista continua carecendo de qualquer ideia respeitável, como se nota ao ver Elias jogar como Ralf na amarelinha.

 

Já aquele que jogou menos que Vasconcelos (viveremos pra ver a manchete “Ex-crítico de Neymar, Pelé morre aos xxx anos em Santos”?) pouco fez para superar as barreiras dessa memória ressaquenta.

 

Ainda assim, a leve melhora brasileira na segunda etapa, animada por jogadores de pouca trajetória no escrete, mas boa fase no campeonato nacional, foi premiada com o gol de Lucas Lima.

 

Houve uma bola na trave de Alisson e não muito mais a registrar, a não ser a nova presepada do zagueiro-camisa 10 que só queria nos dar alegria e terminou a jornada comentando atentados.

 

Justa, pálida e esquecível igualdade, ao contrário do preço da cerveja, que não para de subir.

 

 

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania e colaborador da webrádio Central3, onde o texto foi originalmente publicado.

 

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