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Austeridade na educação: estudantes respondem com mais 100 escolas ocupadas Imprimir E-mail
Escrito por Raphael Sanz, da Redação   
Segunda, 23 de Novembro de 2015
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Não foi no último dia 10 de novembro, com as ocupações da E.E. Diadema e da E.E. Fernão Dias, em Pinheiros na zona oeste de São Paulo, que começou o movimento dos estudantes secundaristas contra os desmandos do governo do estado de São Paulo na educação. Desde o início de outubro os estudantes vêm fazendo manifestações de rua contra a dita reorganização da educação proposta pelo governo estadual que pretende fechar 94 escolas além de outras centenas que serão “reorganizadas”, ou melhor, terão de lidar com o fechamento de turmas, de períodos inteiros e passar por mudanças de ciclos entre escolas.

 

Para o deputado estadual e professor Carlos Giannazi (PSOL-SP), essa proposta de reorganização do ensino é equivalente às medidas de ajuste fiscal, impostas à economia e trabalhadores brasileiros. “O Estado quer cortar gastos na rede, investir menos na educação pública, então inventou esse nome bonito que é a ‘reorganização’ para fechar 94 escolas e 750 turnos em todo o Estado de São Paulo – inclusive escolas que atendem a alunos com necessidades especiais”, denunciou.

 

E.E. Fernão Dias, a primeira de muitas ocupações

 

Quando a reportagem do Correio da Cidadania chegou à ocupação da escola estadual Fernão Dias, na última sexta-feira, o movimento de ocupações das escolas ainda era incipiente e contava com apenas seis delas ocupadas e fortemente ameaças de reintegração de posse, com a presença sempre ostensiva da Polícia Militar nos seus portões. O clima não era nada ameno. Ninguém entrava nem saía da escola. Todo o perímetro do quarteirão estava tomado pela PM que aguardava a chegada de sua Tropa de Choque. Ao que tudo indicava, o cenário estava armado para mais um show de violência e injustiça.

 

Camila Rodrigues, estudante do segundo colegial no Fernão Dias, veio à grade que dita a fronteira entre escola e rua para conversar com os jornalistas. Para ela, o ideal seria o poder público dar a devida atenção às manifestações anteriores e repensar esse pacote de medidas. Ela explica que a decisão por ocupar a escola veio de uma assembleia geral dos estudantes e a decisão foi unânime. “A ideia de ocupar surgiu de todos os alunos. Tínhamos que resolver alguma coisa, porque desde o dia 6 de outubro estamos fazendo manifestações. Teve semanas que fizemos até duas manifestações e não adiantou e nem resolveu nada, por isso ocupamos”, explica.

 

Ela ainda falou sobre a organização dentro da ocupação, mas quando perguntada sobre o número de estudantes ocupantes, foi enfática ao afirmar que não poderia dar a informação. “Aqui está bem organizado, não tem nenhum tipo de vandalismo, limpamos toda a sujeira que produzimos. Até aqui na frente, não sei se vocês puderam perceber, varremos as folhas, e não precisávamos ter feito isso”, contou.

 

Ela ainda explicou que as tarefas são divididas “horizontalmente” e de forma flexível, e que todos os participantes da ocupação estão engajados na organização do espaço. “Estamos usando a cantina da escola para fazer nossos alimentos. Agora mesmo estávamos almoçando o que as pessoas de fora estão dando para nós. Estão dando mistura, comida, pão, água, suco, tudo o que precisamos”, agradeceu.

 

Ajuste fiscal na educação

 

Do lado de fora da escola, havia toda uma rede de apoiadores composta desde alunos que ficaram para fora da ocupação, alunos de outras escolas da região, estudantes universitários, professores, militantes, pais e moradores do bairro. O deputado estadual Carlos Giannazi acompanhava a conversa entre estudantes e jornalistas que se travou nas grades da escola. Ele sustenta que a reorganização é um pacote de políticas de austeridade na educação, justificada pela insistente crise econômica, que se manifesta através das prioridades colocadas pelo governo. Isso explica, por exemplo, o crescente investimento na Polícia Militar com a recente compra de novas viaturas, enquanto quase uma centena de escolas corre o risco de fechamento. Aí fica a pergunta, respondida pelo deputado: onde está a crise?

 

“Para o governo do PSDB a educação não é prioridade e isso serve também para o PT. A Dilma cortou 11 bilhões de reais do orçamento federal, e ainda lançou o slogan ‘pátria educadora’, que é a maior farsa dos últimos tempos. Vemos Dilma e Alckmin de mãos dadas contra a educação, nos planos federal e estadual. É uma questão de prioridade, isso fica muito claro. Portanto, o governo utiliza a crise para cortar gastos também das outras áreas: cortou 30% da pasta da Cultura, assim como fechou 3000 mil salas de aula no início do ano e demitiu outros milhares de professores da categoria ‘O’ e cortou verbas de manutenção das escolas”, listou.

 

Primeira vitória

 

O clima esteve tenso. Às 19h do dia 10, a Tropa de Choque já se posicionava em rua lateral da escola e esperava o telefonema que marcaria o início da reintegração de posse. Do lado de fora, os apoiadores mostravam um sentimento dividido. Por um lado, demonstravam alegria em ver garra, organização e disciplina no movimento dos estudantes. Por outro, imperava a preocupação acerca da ação da polícia e suas possíveis vítimas. Olhos e corpos cansados discutiam maneiras de impedir a barbárie quando começou a chover torrencialmente por volta das 20h. A chuva tirou dos portões da escola tanto a polícia quanto os apoiadores.

 

Imprensa, militantes e estudantes esperavam a chuva passar em comércios próximos à escola e ficavam antenados na internet às informações sobre a reintegração. Pouco depois das 21h veio a notícia de que as reintegrações de posse de todas as escolas ocupadas da capital paulista haviam sido suspensas. A comemoração foi parecida à de um gol em final de Campeonato Brasileiro, mas ainda havia escolas em Diadema, Osasco e Campinas correndo o risco de reintegração de posse. Havia. Agora, dez dias depois, essas ocupações também estão consolidadas e resistindo às variadas tentativas de intimidação por parte do poder público.

 

A suspensão das ordens de reintegração de posse das escolas da capital deu um fôlego para o movimento dos secundaristas e mostrou às outras agremiações escolares ser possível lutar a partir dessa política de trincheira e reverter as canetadas austeritárias do governador Geraldo Alckmin.

 

O cancelamento das reintegrações de posse abriu precedentes para que outras dezenas de escolas também fossem ocupadas pelos estudantes e levou ao recuo da repressão, que se faz presente na forma da Polícia Militar, ou seja, sua presença menos ostensiva deu a sensação de segurança para estudantes, comunidade escolar e apoiadores em geral. Sem a ameaça da violência militar desmedida, o movimento cresceu, tanto na quantidade de escolas ocupadas quanto na intensidade das ações de apoio e solidariedade de outros setores.

 

“Esse governador Alckmin é um criminoso, um exterminador da educação pública do Estado de São Paulo. E logicamente há a reação dos estudantes, dos professores e das comunidades. A opinião pública está indignada e os alunos estão dando uma aula de cidadania. É um ato de legítima defesa dos estudantes, um ato de desobediência civil sadia, é a única forma de deter essa insensatez e esse crime praticado pelo governador”, avaliou Giannazi.

 

Do dia 13 para cá, diariamente vimos o número de escolas ocupadas aumentar. No momento do fechamento desta matéria já temos cerca de 110 escolas ocupadas em todo o estado de São Paulo e, ao que tudo indica, o número tende a aumentar.

 

Não por acaso, na tarde de quinta-feira (19 de novembro) saiu na mídia corporativa a informação dada pela jornalista Juliana Gragnani de que há um acordo para suspender a reorganização da educação, bem como o fechamento das escolas, até 2016. O anúncio foi feito pelo secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, durante audiência de conciliação entre governo, estudantes e professores.

 

A reorganização ficou oficialmente suspensa 48h após a desocupação de todas as escolas e as comunidades escolares deveram debater propostas para melhorar o ensino e apresentá-las ao Estado até o final do ano. Resta à comunidade escolar decidir se aceita ou não o acordo. Os estudantes secundaristas do estado de São Paulo podem se considerar vencedores, mas precisam continuar atentos, principalmente aos termos do acordo a ser estabelecido.

 

 

Extras

 

Vídeo gravado durante a visita à E.E. Fernão

https://www.youtube.com/watch?v=MRxpObbWFBI

 

Link para as fotos tiradas no último dia 13 de Novembro

http://rolenacidade.tumblr.com/

 

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Raphael Sanz é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Sexta, 04 de Dezembro de 2015
 

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