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Lama da Samarco: biólogo aponta impacto por 100 anos na vida marinha Imprimir E-mail
Escrito por Alceu Luís Castilho   
Sexta, 13 de Novembro de 2015
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O biólogo André Ruschi, diretor da escola Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz (ES), defende o fechamento da Samarco, mineradora responsável pelo rompimento da barragem de resíduos em Mariana (MG). Ele usou uma rede social para falar do impacto em três Unidades de Conservação, em particular o Refúgio de Vida Silvestre (RVS) de Santa Cruz, um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico.

 

“O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de metade do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos”, afirma. Ele aponta “assassinato da quinta maior bacia hidrográfica brasileira”, diz que a empresa é reincidente e debochou da prevenção.

 

Ele também critica o licenciamento para o projeto: “Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência. Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos?”

 

Em outra publicação ele fala sobre o “mar de lama” que se tornou a enxurrada de resíduos da Samarco: “não seria melhor evitar que a lama chegasse ao mar?


Quem teve a brilhante ideia de abrir as comportas das barragens rio abaixo em vez de fechá-las para conter a lama e depois retirar a lama da calha do rio? Quem ainda pensa que o mar tem o poder de diluição da poluição? Isto é um retrocesso da ciência de mais de um século!”

 

Vejam seu depoimento inicial dele, conforme publicado em sua página no Facebook:

 

Esta sopa de lama tóxica que desce no rio Doce e descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do Espírito Santo (ES), espalhando-se por uns 3.000 km² no litoral norte e uns 7.000 km² no litoral ao sul, atingindo três Unidades de Conservação marinhas – Comboios, APA Costa das Algas e RVS de Santa Cruz, que juntos somam uns 200.000 km² no mar.

 

Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos. O RVS de Santa Cruz é um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico.

 

Um hectare de criadouro marinho equivale a 100 quilômetros de floresta tropical primária. Isto significa que o impacto no mar equivale a uma descarga tóxica que contaminaria uma área terrestre de 20 milhões de hectares ou 200 mil km² de floresta tropical primária. E a mata ciliar também tem valor em dobro.

 

Considerando as duas margens, são 1.500 km lineares x 2 = 3.000 km² ou 300 mil hectares de floresta tropical primária.

 

Vocês não fazem ideia.

 

O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de metade do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos!

Conclusão: esta empresa tem que fechar.

 

Além disso, devem pagar pelo assassinato da 5ª maior bacia hidrográfica brasileira. Eles debocharam da prevenção e são reincidentes em diversos casos. Demonstram incapacidade de operação crassa e com consequências trágicas e incomensuráveis. Como não fechar? Representam perigo para a segurança da nação!

 

O que restava de biodiversidade castigada pela seca agora terminou de ir. Quem sobreviverá? Quais espécies de peixes, anfíbios, moluscos, anelídeos, insetos aquáticos jamais serão vistas novamente? A lista de espécies desaparecidas vai até que patamar? Se alguém tiver informações, ajudaria a pensar.

 

Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência. Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos? Qual a legalidade da licença para operação sem a garantia de segurança para a sociedade e o meio ambiente?

Sendo Rio Federal a jurisdição é do governo federal, portanto, os encaminhamentos devem ser feitos ao Ministério Público Federal.

 

André Ruschi
Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi
Aracruz, Santa Cruz, ES

 

 

Publicado originalmente no blog do jornalista Alceu Castilho, hospedado no Portal Outras Palavras.

 

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Última atualização em Segunda, 16 de Novembro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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