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A irracionalidade da lógica midiática Imprimir E-mail
Escrito por Valério Cruz Brittos e João Miguel   
Quarta, 11 de Abril de 2007
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Cada vez mais a mídia, ao absorver o modelo de realização da publicidade, constrói seus produtos de forma que a irracionalidade seja privilegiada na reação do público. Alguns fatos recentes são ilustrativos. O discurso do Papa Bento XVI, na Alemanha, onde comentava que Maomé pregava usando violência, ao ser colocado no domínio da opinião pública mundial, causou uma onda de protestos por parte das comunidades muçulmanas. Já a manifestação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, nas Nações Unidas, em Nova York, quando chamou George W. Bush de demônio, também se tornou tema de discussão, ora fazendo menção ao exibicionismo do chefe de Estado venezuelano, ora criticando a política equivocada norte-americana, motivada exclusivamente por seus interesses de expansão hegemônica.

 

Outro episódio que pode ser realçado é a polêmica em torno da morte ou não de Bin Laden. Já o discurso arquitetado pela Rede Globo, no Brasil, ao redor da ausência do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva ao derradeiro debate presidencial do primeiro turno, foi assumido pelo restante da mídia e, a partir daí, disponibilizado nos demais serviços informativos, numa tentativa propositada de fazer com que as pessoas se posicionassem preferencialmente contra seu não comparecimento. Não ocorreu o mesmo com os candidatos a governador (e o presidente anterior), que também primaram por não debater.

 

Recentemente terminou em Moçambique a segunda edição do programa Fama show, veiculado pela Soico Televisão (STV). Tal como na primeira montagem, conseguiu índices de audiência consideráveis, causando desconforto para a concorrência. Também foi visível o desfile de políticos naquela atração, em busca de granjear a visibilidade que tanto lhes interessa, na medida em que se aproximam as eleições autárquicas.

 

Poucos dias depois do Fama show, a mesma STV viu confiscados alguns dos seus bens pelo não cumprimento de uma decisão judicial, resultante do não pagamento de salário de uma antiga funcionária, fato inédito em Moçambique, onde a justiça não só tarda mas, freqüentemente, não chega. A polêmica entre a emissora e o Tribunal Judicial de Maputo (TJM) instalou-se. O grupo Soico, através de seus meios, a STV, a Soico FM (SFM) e o jornal O país, procurou colocar a opinião pública a seu favor. Dessa vez quem aproveitou para se visibilizar e criticar a pseudo-injustiça cometida pelo TJM contra a STV foram algumas individualidades da oposição, a associação das empresas jornalísticas e outras personalidades.

 

Por mais díspares que esses acontecimentos pareçam, são ilustrativos da lógica midiática, voltada para construções da realidade, processo possível pela presença jamais vista das tecnologias de informação e comunicação (TICs). Nesse sentido, os eventos somente ganham importância se forem ajustados aos protocolos da mídia. Nessa maratona vale tudo, as empresas querem audiência e atrair anunciantes, os políticos perseguem espaço para manifestar-se e até os setores mais radicais muçulmanos pretendem expressar via comunicação industrial sua revolta contra o império norte-americano e países europeus.

 

Essa confluência de interesses faz com que o funcionamento da mídia tenda a tornar-se esquizofrênico, desafiando quem tem preocupação de percebê-la. Assuntos com certa racionalidade despertam baixo interesse e pouco são pautados, na medida em que são incapazes de excitar. Pedro Bial, da Rede Globo, durante as eleições de 2006, mostrou aos brasileiros o que seu grupo de comunicação considera os problemas do Brasil. Exibido no Jornal nacional, não se sabia ao certo se era um espaço de jornalismo ou de entretenimento, em qualquer dos dois com conotação espetacular. O certo é que era muito divertido.

 

Seria possível ainda citar a relação da mídia com os institutos de pesquisa no último período eleitoral brasileiro como sendo também um dos aspectos que pesam na confusa complexidade da práxis: praticamente não se identificaram nos espaços comunicacionais críticas sérias às enormes falhas daqueles organismos. Enfim, todos os setores da sociedade cometem erros, menos a mídia, conforme ela própria, por considerar-se a fiel guardiã da democracia.

 

Assuntos muitas vezes sem relevância, ao serem pautados pelas indústrias culturais, acabam tornando-se objeto de discussão pública, numa escala e velocidade não conhecidas em outros contextos. Os fatos, construídos a partir do modo de operar do campo das mídias, quanto mais atiçam a dimensão do inconsciente, individual ou coletivo, mais importantes se tornam e mais são visibilizados. Assim, a mídia pode adotar a “perspectiva pela incongruência”, como dizia Kenneth Burke, invertendo deliberadamente o sentido de proporção, ou seja, se alguma coisa parece pequena, imaginar que é grande e vice-versa.

 

Claro, tudo pode ser relativo, menos as verdades veiculadas pelos meios massivos. É justamente assim que se manifesta a lógica caótica da mídia, que transborda as categorias de análise, tornada, assim, um constante desafio para seus observadores. Enfim, há sempre algo no fundo do seu inconsciente.

 

 

Valério Cruz Brittos  é professor no programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS (Brasil) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA.

E-mail: val.bri(0)terra.com.br.

 

João Miguel é professor na UEM (Moçambique) e doutorando em Ciências da Comunicação pela UNISINOS.

E-mail: joaomiguelmz(0)yahoo.com.br

 

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