topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Nomofobia e meditação Imprimir E-mail
Escrito por Frei Betto   
Terça, 27 de Outubro de 2015
Recomendar

 

 

 

Parece que estão todos acometidos de nomofobia, essa permanente dependência do celular, também qualificada de atenção parcial contínua. Há quem não consiga desligá-lo nem na hora de dormir. E, ao longo do dia, muitos são movidos pela hipnose provocada por suas emissões eletrônicas.

 

Nossos olhos não perdem o celular de vista: no ônibus, na rua, ao dirigir carro, durante a refeição, em plena reunião de trabalho. Ficamos o tempo todo conectados, atentos aos e-mails, ao twitter, ao facebook e a tantos outros recursos dessa era do homo digitalis.

 

Por que tanta dependência do celular?, indaguei de um grupo que se reúne para meditar. As respostas variaram: carência, disse um. Curiosidade, sugeriu outro. Temos dificuldade de manter vínculos reais e, na falta deles, apelamos aos virtuais, opinou um terceiro. Houve quem considerasse onipotência: trago o mundo em mãos e, com um simples toque, capto textos, notícias e imagens, e divulgo ideias e opiniões em tempo real.

 

A interrelação pessoal exige tempo, paciência e gera efeitos colaterais: apego, ciúme, inveja, competição etc. Na relação virtual, somos telegraficamente objetivos e geograficamente afastados.

 

O celular se tornou a janela indiscreta por excelência. O buraco da fechadura, agora dilatado. Protegidos pela distância física e pelo anonimato, usuários aproveitam para ridicularizar desafetos, xingar políticos, tornar o sério leviano e o leviano ofensa.

 

Propus ao grupo um fim de semana de abstinência de celular. Todos desligados do sábado pela manhã ao domingo à tarde. No início, uma experiência sofrida. E se minha filha ligar? Hoje é aniversário de meu afilhado e fico sem cumprimentá-lo?

 

Meditar é mergulhar na impermanência. Como diz um motorista de ônibus, fora eu e o trocador, tudo mais é passageiro. O celular se transformou em espelho de nossa alma. De simples telefone portátil, tornou-se um artefato de mil e uma utilidades... Não necessariamente úteis.

 

O acesso define o perfil do usuário. Se tem mente depravada, busca pornografia. O rancoroso prefere imagens de desconstrução de políticos. O invejoso, o mundo das celebridades. O curioso garimpa o que rola nas redes sociais.

 

A abstinência, dolorosa no início, foi tida como profundamente prazerosa no fim do domingo. Curtiu-se o silêncio digital. O espírito se descolou, enfim, do grude eletrônico. O distanciamento favoreceu o discernimento crítico. Uma funcionária pública exclamou: “Enfim, juntei meus cacos!” Um estudante de engenharia admitiu: “Me libertei da coleira eletrônica!”

 

O grupo concluiu que a dependência do celular suga-nos a alma e o tempo. Abster-se dele por horas ou períodos é um ato de sabedoria pós-moderna. E favorece a saúde da mente e do bolso.

 

 

Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do ouro” (Rocco), entre outros livros.

 

 

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates