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Tensões no Sínodo da Família Imprimir E-mail
Escrito por Frei Betto   
Sexta, 23 de Outubro de 2015
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Não se devem esperar grandes avanços na doutrina católica por parte do Sínodo da Família, que se encerra no próximo domingo. O tema central, a família, é espinhoso para os 270 padres sinodais reunidos em Roma, pois engloba questões consideradas, há séculos, tabus para a cúpula da Igreja Católica: divórcio, homossexualidade, uso de preservativo etc.

 

O papa Francisco difere de seus dois últimos antecessores por ter a coragem de pôr o dedo na ferida. E o faz com um olhar misericordioso para com os gays e aqueles que, fracassados no matrimônio, contraem segundas núpcias.

 

Sua atitude suscita, no seio da Igreja, fortes reações contrárias. Ouvi de um bispo que “enquanto Bento XVI estiver vivo, meu papa é ele”. Na Espanha, católicos conservadores se atrevem a fazer por Francisco esta oração: “Senhor, ilumina-o ou elimina-o”.

 

Na véspera da abertura do sínodo, 13 cardeais (7 europeus, 3 estadunidenses, 2 africanos e 1 da Oceania) expressaram, em carta ao papa, agora vazada por um vaticanista conservador, temer que ele manipule os trabalhos de modo a produzir um documento final sem levar em conta a opinião da maioria dos padres sinodais.

 

Francisco é um monarca absoluto. Juridicamente não está sujeito a nenhuma instância, exceto o juízo divino. Poderia impor normas e doutrinas aos católicos sem consultar senão a sua consciência, como fizeram papas anteriores. No entanto, decidiu adotar um comportamento que pode ser considerado democrático. Por isso convocou o sínodo. Quer ouvir as bases.

 

Em reação à carta dos 13 conservadores, na abertura do evento o papa se referiu “à hermenêutica conspiratória”, denunciando-a como “sociologicamente mais frágil” e “teologicamente mais fragmentadora”. Deu um basta à mentalidade que enxerga tramas e complôs por toda parte.

 

Conceder aos católicos divorciados e recasados o direito de receber a comunhão ou eucaristia foi o tema que prevaleceu nos debates sinodais. Reinhard Marx, cardeal de Munique, se posicionou favorável. “Quando a vida conjugal em um casamento canonicamente válido fracassou definitivamente, e o matrimônio não pode ser anulado (...), mas existe a vontade de viver a segunda relação na fé, educando os filhos na fé, então se deve permitir o acesso à eucaristia”, disse ele. Questionou também se as relações sexuais na nova união podem ser consideradas adultério, como reza o preceito vigente na Igreja Católica.

 

Um prelado mexicano, cujo nome não foi divulgado, manifestou-se a favor do cardeal Marx ao contar o caso do menino que, filho de casal separado, comparecia toda semana à catequese levado pelo pai ou pela mãe. No dia da Primeira Eucaristia, o garoto, ao receber a hóstia em mãos, repartiu-a em três e, após tirar um pedaço para si, deu metade para a mãe e a outra ao pai.

 

O sínodo reflete a tensão crucial da Igreja, a contradição entre o peso das leis canônicas e as exigências dos preceitos evangélicos. Como considerar adúltero o novo casamento, se o próprio Jesus perdoou a mulher acusada de adultério? Como banir da comunidade de fé alguém que, sendo homossexual, sinceramente se abre ao amor infinito de Deus?

 

O sínodo tratou também do “martírio silencioso” sofrido pelas vítimas de violência no interior do núcleo familiar, incesto e abusos sexuais. Francisco tem manifestado o mea-culpa da Igreja diante dos casos de pedofilia, bem como exigido rigorosa punição dos criminosos.

 

O fato é que a Igreja se encontra frente a um dilema: ceder à moral burguesa que dissocia sexo e amor, e enquadrar o primeiro no moralismo farisaico, ou focar a sexualidade como expressão do amor que une Pai, Filho e Espírito Santo e, portanto, prioriza a espiritualidade e relega a genitalidade a segundo plano.

 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

Website: http://www.freibetto.org/

Twitter: @freibetto

 

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