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Adeus Oslo. E agora? Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Segunda, 05 de Outubro de 2015
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No início de setembro, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, anunciou que preparava uma surpresa na Assembleia Geral da ONU. Seria uma autêntica bomba. Nem por isso a comunidade internacional ficou preocupada.

 

Ao procurar John Kerry esperando propostas para novas negociações de paz, Abbas recebeu em troca algo semelhante a um bocejo. O secretário de Defesa não tinha nada a dizer.

 

Logo em seguida, discursando no início da Assembleia Geral da ONU, o presidente Obama posicionou-se sobre os principais conflitos internacionais – mas ignorou o da Palestina.

 

E, ao mesmo tempo, os EUA votaram contra o hasteamento da bandeira da Palestina na sede da ONU. Somente 8 nações os acompanharam, entre 193 outras a favor da bandeira.

 

Abbas cumpriu sua promessa.

 

Declarou na ONU que a Palestina estava se desligando do Acordo de Oslo, já que Israel não vinha cumprindo suas cláusulas sistematicamente.

 

Citou a expansão dos assentamentos na Margem Oeste da Palestina (a Cisjordânia) e a negativa em libertar os prisioneiros políticos palestinos como exemplos.

 

O ora extinto Acordo de Oslo, assinado por líderes israelenses e palestinos em 1993, estabelecia basicamente:

 

  1. Independência da Palestina em 1999, com garantias de segurança para Israel, através de uma série de etapas;

2. Enquanto isso não saía, divisão da Cisjordânia em três partes: área C com 63% da superfície total da Cisjordânia com administração e segurança por Israel; área B com administração palestina e segurança a cargo de Israel; e área A, com administração e segurança a cargo de uma nova entidade – a Autoridade Palestina.

 

Para alguns observadores, a bomba do líder palestino não passava de uma bombinha de São João.

 

Diziam eles que a declaração de Abbas significará pouco em termos práticos. Para ser um estouro, teria de prever o fim da colaboração da polícia palestina com o exército de Israel e o abandono da solução dos dois Estados.

 

Muito discutível. A solução dos dois Estados continua sendo a única racional, só os palestinos (e judeus) mais radicais não a aceitam.

 

É de se crer que para a bomba de Abbas tirar os estadistas de sua zona de conforto, a polícia palestina precisa mesmo parar de colaborar com os órgãos policiais israelenses. Parece ser o que Abbas pretende.

 

No seu discurso, afirma que, com o fim do Acordo de Oslo, caberá a Israel assumir todas as responsabilidades de “poder ocupante”.

 

E quais são elas?

 

De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha: manter a ordem pública, providenciar alimentação e cuidados médicos à população, garantir a saúde pública e facilitar o trabalho das entidades educacionais, entre outras obrigações.

 

Até agora, estas atividades vinham em grande parte sendo pagas por doações internacionais à Autoridade Palestina.

 

Passando a administração dos territórios palestinos para o exército de Israel, não vejo porque os doadores – países árabes e europeus – iriam continuar mandando seu dinheiro.

 

Por sua vez, a perda da colaboração da polícia palestina seria muito sentida pelas forças armadas de Israel.

 

De uma hora para outra ficariam obrigadas a montar todo um aparelho de segurança nas áreas hoje administradas por Abbas. E envolver-se em mais conflitos com o habitual efeito colateral de mortes de manifestantes, rebaixando cada vez mais a imagem internacional do país.

 

Tudo isto custaria muito dinheiro e perdas políticas ainda maiores para Israel. Também há quem menospreze a saída de Oslo, dizendo que falta algo de essencial: o fechamento da Autoridade Palestina como entidade administradora de 40% do território da Cisjordânia.

 

Alguns dizem que isso jamais acontecerá, pois, para Abbas e seu grupo implicaria na perda de muitos cargos, poder político e das ricas doações das potências árabes e europeias. É um argumento ponderável.

 

No entanto, é bizarro a Autoridade Palestina continuar administrando as áreas A e B da Cisjordânia depois do seu líder retirar-se do Acordo de Oslo, que lhe atribuiu essa responsabilidade.

 

Seja como for, no discurso de ruptura, Abbas pede o reconhecimento da Palestina independente como membro completo da ONU.

 

E faz uma proposta radical: substituir as negociações bilaterais com Israel, até agora item essencial de todas as iniciativas de paz, por uma intervenção da ONU.

 

Ele reforça essa ideia pedindo a proteção da ONU para seu povo obter a desejada independência.

 

De acordo com o velho dito inglês, It Takes Two To Tango – é preciso dois para dançar o tango. Depois de 22 anos de negociações bilaterais frustradas, ficou absolutamente claro que Israel não aceita uma Palestina independente.

 

Abbas custou, mas, por fim, parou de dar murro em ponta de faca e resolveu apelar para que a ONU assumisse a questão.

 

Afinal, foi para resolver conflitos entre países que a ONU foi fundada. Se a ideia é lógica, nem por isso fará Netanyahu feliz.

 

A causa dos palestinos é absolutamente justa. Nenhum país pode ocupar militarmente outro por largos espaços de tempo. E ainda por cima tomar terras do seu povo como Israel faz através dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

 

A Palestina tem todo o direito de ser independente e reconhecida como membro integral da ONU.

 

A França já votou pelo reconhecimento no ano passado. Em 2015, o parlamento do Reino Unido exigiu que o governo Cameron fizesse o mesmo. A opinião pública alemã apoia a independência palestina e Angela Merkel deve embarcar nessa onda. A Rússia e a China, nem se discute.

 

No time de Netanyahu deverão ficar apenas algumas ilhas do Oceano Pacífico, o Canadá, talvez a Austrália...

 

Mas e os EUA? Com o veto deles, nada feito.

 

Obama já deu os maiores sinais que, desta vez, vai pensar bem antes de dizer amém a Israel.

 

Mas será que, depois da sua árdua luta pelo acordo nuclear com o Irã, terá coragem de enfrentar novamente Israel, seus lobbies nos EUA, o Partido Republicano, além dos democratas do Israel first?

 

Está em jogo a proclamação de independência da política externa norte-americana.

 

Leia também:


Mudanças radicais na Palestina

 

 

‘O Hamas é o pretexto da vez para a limpeza étnica e expansão territorial iniciadas em 1948’

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Sexta, 09 de Outubro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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