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Corrupção + nuclear = mistura explosiva Imprimir E-mail
Escrito por Chico Whitaker   
Terça, 29 de Setembro de 2015
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A prisão na Operação Lava Jato do presidente da Eletronuclear, construtora de Angra 3, lançou novas luzes sobre as consequências da corrupção: quando se trata de usinas nucleares, o delito tem uma dimensão muito maior que a do desvio de recursos públicos. Foi o que ocorreu em Angra 3: para que fosse possível financiar eleições e enriquecer aproveitadores, deixou-se de lado a segurança, que é uma exigência fundamental no uso da tecnologia nuclear. É o que se descobre na “caixa preta” dessa obra.

 

São de todos conhecidos os três mitos, mil vezes repetidos, da opção nuclear para produzir eletricidade: ela é a mais limpa, a mais barata e a mais segura.

 

O primeiro e o segundo são facilmente desmontáveis. É limpa uma tecnologia que cria enormes quantidades de lixo, que permanece radioativo por longuíssimo tempo, a ser “escondido” por milhares de anos? É barata se, ao custo de construção e operação das usinas agregarmos o do seu desmantelamento ao fim dos prazos fixados para sua vida útil, o dos depósitos de lixo, necessários e caríssimos, o das exigências de segurança que estão sempre aumentando? E o custo da assistência aos atingidos por eventuais acidentes?

 

O perigo está em acreditar no terceiro mito, o da segurança. Sabemos todos que não existe obra humana 100% segura. Falhas de projeto, de material ou dos operadores, assim como interferências externas, podem provocar acidentes. Sua gravidade é variável, mas há os chamados “acidentes severos”, em que ocorre o derretimento do reator nuclear e a explosão da usina. E esta explosão dispersa, no meio ambiente, toneladas de partículas radioativas (entre as quais, por exemplo, o césio-137, do qual apenas 19 gramas, encontradas num aparelho de radioterapia abandonado em Goiânia, em 1987, causaram muitas mortes e pavor).

 

Os defensores da opção nuclear dirão: a probabilidade de tais acidentes é mínima, tantos são os cuidados tomados. Mas sabemos que, quando ocorrem, são catastróficos, como em Chernobyl em 1986 e em Fukushima em 2011. E a “caixa preta” nos revelou que tais cuidados não foram tomados em Angra 3. Pelo contrário, foram empurrados pelos corruptos para fora de seu caminho. Vejamos.

 

Atropelou-se o próprio bom senso: o projeto de construção de Angra 3 (que é o mesmo de Angra 2) é da década de 70 e não foi atualizado com as normas de segurança exigidas pela Agência Internacional de Energia Atômica após os acidentes de Three Miles Island em 1979 e Chernobyl.

Engenheiros de segurança da Comissão Nacional de Energia Nuclear deram o alerta sobre o obsoletismo do projeto. Mas foram calados com punições, e seu parecer técnico foi desconsiderado. O Ministério Público Federal (MPF) soube disso e fez exigências. Recebeu uma resposta quase cínica: suas exigências seriam atendidas, mas depois de terminada a obra...

 

Assim, em maio de 2010, Angra 3 foi indevidamente licenciada. As dúvidas dos funcionários da CNEN e as exigências do MPF imporiam uma revisão do projeto, atrasando e talvez até inviabilizando a obra. Em junho a revista “Isto é” levantou esses problemas. Mas, para coroar, conseguiu-se arquivar uma Ação Civil Pública do MPF pela nulidade da licença concedida. Agora se sabe que propinas foram pagas desde 2009, antes mesmo da outorga da licença.

 

Como resultado, os moradores da região, do Vale do Paraíba e do sul de Minas, os turistas da Costa Verde e até a população do Rio e de São Paulo vivem hoje, sem o saber, frente ao perigo de uma indesejada, mas possível, explosão das usinas, com ventos caprichosos levando partículas radioativas para seus lares e jardins. Como aconteceu com a explosão de Chernobyl, em que uma nuvem desse tipo cobriu toda a Europa.

 

Os autores de tão tenebroso conluio deveriam ter uma punição equivalente à gravidade das consequências de sua ação. E esse escândalo mereceria muito mais espaço nos jornais do que a simples notícia de corrupção em Angra 3.

 

Pode-se com isso criar pânico? Haverá quem o diga. Mas não seria muito melhor se os potenciais atingidos por catástrofe como essa pudessem, mais informados, tomar consciência disso e agir para evitar o pior? Em vez de esconder irresponsavelmente a ameaça, deveríamos parar a construção de Angra 3, rever seu projeto e desmontar Angra 2.

 

Na Alemanha a usina de Grafenrheinfeld, que é a referência de Angra 2 e 3, está sendo agora desmontada, como o serão todas as suas usinas nucleares.

 

A segurança das usinas nucleares é muito mais que um problema técnico e econômico. É uma exigência ética: não se tem o direito de ignorar os riscos da manipulação do átomo. Em seu discurso ao receber o Prêmio Nobel de Física em 1903, Pierre Curie já se perguntava se a Humanidade estaria preparada para conhecer os segredos da natureza ou se isto lhe traria prejuízos.

 

Leia também:


Questão nuclear: carta aberta ao ministro Joaquim Levy


Propina nuclear

 

* versão ampliada de artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo.

 

Chico Whitaker, arquiteto, é membro Comissão Brasileira Justiça e Paz e milita na Coalizão Por um Brasil Livre de Usinas Nucleares.

 

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Última atualização em Sexta, 02 de Outubro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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