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Narrativas e narrativas Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 23 de Setembro de 2015
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Não deixam de ser alentadores os esforços de partidos, movimentos sociais e personalidades públicas no sentido de unificar os pontos de vista capazes de barrar a ofensiva conservadora e reacionária, que inclui o impedimento da presidenta Dilma como “lição de casa”, a liquidação das liberdades democráticas inscritas na Constituição de 1988, a consolidação do ajuste neoliberal e o ingresso em novo ciclo de privatizações e subordinação ao que chamam de cadeias produtivas globais.

 

Nesse caminho, porém, continuam subsistindo vários escolhos. Um dos mais recorrentes, sustentado principalmente por algumas correntes petistas, consiste em procurar uma narrativa condizente com o que consideram os feitos positivos dos governos do PT. Pior, alguns deles consideram que nessa ausência de narrativa dos feitos reside o principal problema do PT e do governo.

 

Não há dúvida de que, em matéria de comunicação social (que inclui a produção, difusão e massificação do material de informação e formação da opinião pública), muitos petistas e o atual governo perderam a batalha quanto a seus próprios feitos. Sua narração, ou narrativa, é incompleta, mal elaborada, pouco difundida e em nada massificada. Pior: toda essa narrativa não sabe falar para o povo, porque grande parte dos petistas perdeu o contato com esse povo e não sabe mais como se comunicar com ele.

 

No entanto, mais grave do que isso é que grande número de petistas e membros do governo não possuem uma narração, ou narrativa, de seus defeitos e erros, por considerarem o reconhecimento desses defeitos e erros um crime de lesa pátria. Com isso, esses petistas e governistas abandonaram um dos instrumentos científicos fundamentais de desenvolvimento da humanidade. Tentativa e erro, análise e superação do erro, têm sido um instrumento fundamental de progresso dos homens, em todas as épocas históricas. Como deixaram de analisar os erros e defeitos, esses petistas e governistas têm dificuldade em corrigi-los.

 

Por exemplo, desde 2011 não foram poucos os petistas a defender que a estratégia de crescimento via consumo precisava ser corrigida, adotando-se uma estratégia que combinasse o consumo a fortes investimentos produtivos. No entanto, os governistas acharam mais fácil dizer que os indicadores econômicos eram bons e não havia perigo de sermos confrontados por uma crise. Portanto, demoraram a elaborar propostas de correção estrutural, ficando despreparados para enfrentar a ofensiva neoliberal quando alguns desses indicadores econômicos começaram a apresentar problemas.

 

Ou seja, na prática foram coautores dos problemas atuais. Mas, como não conseguem reconhecer tais erros, desgastam-se buscando narrativas para os feitos positivos, que hoje são águas passadas. Chegam a reconhecer que o modelo se esgotou, mas são incapazes de dizer que tal modelo não é senão a errônea estratégia adotada, que funcionou apenas enquanto a situação internacional era favorável. A própria presidenta Dilma, quando assume timidamente a possiblidade de haver cometido erros, parece incapaz de indicar de quais erros está falando.

 

Algo idêntico e, de certo modo, grosseiro, diz respeito à contribuição financeira para as campanhas eleitorais. É muito bom elogiar o STF por haver assumido que tais contribuições são inconstitucionais e estão proibidas. Mas é muito ruim não reconhecer, pelo menos para a militância petista e para sua base social, que grande parte do PT escorregou pela senda dessas contribuições, comprometendo sua ética, abrindo chance para oportunistas se locupletarem em nome do partido e permitindo que a direita classificasse o PT como corrupto.

 

Em outras palavras, como têm dificuldade em reconhecer e analisar seus erros e defeitos, muitos petistas buscam inutilmente uma narrativa que os salve. Gastam esforços em vão. Sem o reconhecimento e a análise dos erros não será possível construir qualquer narrativa compreensível, nem dar continuidade aos feitos positivos, que existiram, mas já são parte do passado. Para realizar novos feitos positivos é preciso suplantar os erros e os defeitos que impedem a adoção de medidas que permitam superar a presente crise econômica e política, que está rapidamente se transformando em crise social.

 

Nesse sentido, alguns tentam um desvio. Reconhecem que o atual ajuste econômico é um desajuste. Enxergam a contradição da Operação Lava-Jato, com sua face republicana e sua contraface que ameaça os direitos democráticos. Vislumbram que não mobilizaremos nossa base social se o governo continuar aplicando uma política que penaliza e sacrifica tal base, enquanto permite altos lucros ao sistema financeiro. Sentem que não poderemos dividir a burguesia e a pequena-burguesia, e isolar os magnatas das finanças, se não adotarmos políticas de juros baixos, câmbio ajustado e desenvolvimento industrial. Mas, apesar de tudo isso, consideram que devemos apenas nos limitar a apoiar e empurrar o governo. Talvez não raciocinem que, na situação em que se encontra o governo, diante de um precipício, “empurrá-lo” pode significar o pior.

 

O grande problema dos petistas e do governo não consiste em saber se vai ou não ocorrer esse empurrão. É evidente que o PT ainda tem uma razoável base social. Ela continua fiel, apesar dos descaminhos em que o partido e o governo entraram. O que pode ajudar o governo e o PT a sobreviverem à queda. O problema consiste em saber se, apesar da sobrevivência, o que sobrar do PT terá condições de retomar o caminho que se propôs trilhar quando foi fundado, ou se vai virar um trapo, como aconteceu com o velho partidão comunista após 1964.

 

O PT, e o governo que formalmente dirige, precisam sair da atual peleja com o moral elevado. O que exige corrigir o presente desajuste econômico, que contradiz o discurso da campanha eleitoral de 2014. Algo que, nas condições políticas atuais, dificilmente poderá ser processual. Se o governo foi capaz de fazer um cavalo-de-pau nos compromissos eleitorais, por que não pode promover um cavalo-de-pau que atenda aos reclamos da maior parte do povão?

 

Por outro lado, não basta ajustar o desajuste. Será também necessário superar a estratégia até então adotada. Não é mais possível continuar supondo um desenvolvimento econômico e social baseado unicamente no aumento do poder de compra e no consumo da população. Sem combinar esse aumento do consumo com fortes investimentos para o crescimento da produção industrial e de alimentos, não só as frações burguesas e pequeno-burguesas desses setores econômicos, mas também grande parte da base social do PT, continuarão sendo conquistados pelo discurso (ou narrativa?) neoliberal de combate à inflação como panaceia geral.

 

Ou seja, do ponto de vista social também será necessário adotar uma estratégia que rompa a falsa aliança com o grande capital financeiro e oligopolista (em que só o lado petista acreditava, enquanto aquele capital manipulava corruptoramente a aliança, e se movimentava para liquidar o petismo). Essa situação é ainda mais complexa porque a maior parte da burguesia industrial e grande parte da pequena e média burguesia agrícola estão intimamente associadas a esse grande capital financeiro.

 

Nessas condições, a única forma de dissociar aquelas frações burguesas da grande burguesia financeira e oligopolista consiste em fazer com que as empresas estatais disputem aquela aliança e atraiam tais frações burguesas para seu lado, como já ocorreu em alguns poucos momentos da história brasileira. Não é por acaso que, através das forças políticas da direita, o grande capital financeiro procura destruir ou desmembrar a Petrobras e, em seguida, as demais estatais. Basta dar uma olhada na campanha diária de The Globe e demais membros do Partido da Mídia a respeito da necessidade e das vantagens de retomar as privatizações.

 

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Segunda, 28 de Setembro de 2015
 

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