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Escrito por Raphael Sanz, da Redação   
Sexta, 11 de Setembro de 2015
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Muitos intelectuais, economistas, sociólogos e militantes políticos já relacionaram o sistema das dívidas – antes externas e internas, hoje públicas – com o neocolonialismo. Faz total sentido. Desde a conferência de Breton Woods, em 1944, ante uma Europa destroçada pela mais destruidora das guerras já travadas pela humanidade, foi redesenhado todo o sistema financeiro e as diretrizes da economia mundial. A finalidade era garantir a prosperidade do mundo capitalista a partir da reconstrução do pós-guerra.

 

Foi então criado o Fundo Monetário Internacional, com vistas a socorrer financeiramente os países destruídos pela guerra e, em seguida, o Banco Mundial para socorrer o paupérrimo terceiro mundo, que passaria a sustentar o bem-estar social do pós-guerra europeu. Além, é claro, de uma entidade que investisse com a mão ainda mais aberta no business dos países ricos: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criado em 1959.

 

Tendo em vista diversos desvios que poderiam ocorrer devido à tamanha boa vontade dos líderes mundiais e sua classe executiva, também foi criada a Organização Mundial do Comércio (na época, OIT), como uma espécie de tribunal internacional comercial. E para acalmar os ânimos, já em frangalhos, também se instituiu um tribunal militar, ou melhor, um Conselho de Segurança da ONU. É interessante o uso de algumas palavras.

 

O que aconteceu de mais frequente após a reconstrução da Europa? Os organismos financeiros emprestavam quantias quase infinitas de dinheiro para governos autoritários ou corruptos – ou os dois – que ou desapareciam com esse dinheiro, ou o investiam na manutenção do seu poder político, não necessariamente no bem estar da população e na infraestrutura pública do país.

 

Foi o caso do Brasil durante os anos de ditadura militar, que se segurou em um milagre econômico feito por empréstimos a juros altíssimos. Como em muitos países vizinhos, o regime caiu no Brasil deixando os cofres vazios e uma dívida impagável que reverbera até os dias atuais. Uma pena não ter se criado um tribunal de dívidas odiosas em Breton Woods...

 

Com o passar do tempo, a dívida foi sendo jogada nas bolsas de valores e, uma vez no mercado financeiro, inchou até explodir.

 

Mais ou menos no período da redemocratização do Brasil e do agravamento das consequências do “milagre” econômico, nasceu Fepa Santander. Hoje, com seus 30 e poucos anos, Fepa é militante do núcleo paulista da Auditoria Cidadã da Dívida e pai da menina Madalena, nascida em julho deste ano. Para ilustrar o tamanho da dívida pública brasileira e o quão odiosa ela pode ser considerada – oficialmente – caso uma auditoria seja feita, a associação da qual Santander faz parte decidiu calcular o quanto a pequena Madalena já deve, com alguns poucos dias de vida.

 

Dividindo o total dos juros e amortizações da dívida pública (sua parcela odiosa, que gira em torno de 5,5 trilhões de reais), pelo número de habitantes do território brasileiro, aproximadamente 204 milhões, chega-se à cifra de pouco mais de 26 mil reais por cabeça a serem pagos ao sistema da dívida.

 

Em outras palavras, Madalena – e toda sua geração nascida na metade do austero ano de 2015 – já veio ao mundo devendo 26 mil realidades. Esse é o pecado original que um dia terá de pagar. Que todos temos. Não adiantarão promessas nem confissões para nos salvarmos desse purgatório. Se tudo depender dos caminhos que nossa política está trilhando, teremos de nos adaptar a uma permanente penitência que contará com mais cortes de direitos, aumentos de impostos e assim por diante.

 

Ou então, se ainda estivermos dispostos a acreditar na tal democracia, podemos começar a por a nossa Constituição em prática, auditando a odiosa dívida.

 

Leia também:


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Raphael Sanz é jornalista.

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Última atualização em Sexta, 18 de Setembro de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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