Rugas e botox

0
0
0
s2sdefault

 

 

Na telinha, várias propagandas com fins de dar sensação de que o capitalismo é eterno. Entre elas, a de um produto para tirar rugas das pessoas, como se fosse vergonha mulheres e homens envelhecerem; diz que podem ficar jovens para sempre. Está certo que a tecnologia faz sucesso e conta-se até a estória de que Roberto Marinho não teria morrido, mas sido embalsamado, para ser ressuscitado no futuro longínquo.

 

Pura mentira, porque mulheres e homens envelhecem e depois morrem. Isso faz parte da vida: nascer e morrer.

 

Se a vida fosse eterna e existisse céu, purgatório e inferno seriam pequenos para tanta gente rezando, se penalizando e farreando ao redor da fogueira.

 

A crise capitalista colocou o mundo de cabeça para baixo. Mauro Iasi nos conta, ironicamente, que numa Espanha imaginária há uma greve inusitada: as prostitutas de luxo se recusam a fazer sexo com os banqueiros. E os mortos pobres estão sendo despejados de seus jazigos por falta de pagamento.

 

Enquanto isso, Marta, que não é mais Suplicy, saiu do PT e anda dizendo que vai concorrer à prefeitura da capital paulistana não importa por qual partido. Ela começou como sexóloga na Rede Globo, mas é importante não esquecer que quando disputou a prefeitura paulistana com Gilberto Kassab deixou que os publicitários da sua campanha insinuassem que o oponente poderia ser gay.

 

Resultado: perdeu a eleição.

 

Mesmo que Marta não queira, o capitalismo já deu o que tinha que dar. Está com os dias contados. Mas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entende diferente.

 

Já anunciou que vai concorrer à presidência da República em 2018, diz ser possível vencer a crise capitalista e que o Brasil vai voltar a crescer.

 

Não bastasse o espontaneísmo e oportunismo, Lula e o seu  lulismo são mesmo velhacos. Acha que o capitalismo vai durar para sempre e reduz a questão à disputa de um mero embate eleitoral, institucional, entre petistas e tucanos. E que os petistas seriam “melhores” do que o pessoal do PSDB.

 

Mas é tudo farinha do mesmo saco e cada qual com a sua “receita” mágica para “salvar” o capitalismo tupiniquim.

 

Em todo o mundo, o capitalismo está em crise e o problema chegou ao Brasil. Veio devagar e agora com força. Pra valer.

 

Mas tem gente que acha ser possível, equivocadamente, reformar o capitalismo. Outros criticam, em cima da perna, as experiências socialistas.

 

Uma das poucas críticas pertinentes é que o socialismo não pode ser estalinista e com as ideias perniciosas de Josef Stalin – embora seja importante reconhecer que Stalin foi decisivo na vitória contra os nazistas na segunda guerra mundial.

 

O veterano Miguel Urbano Rodrigues, do Partido Comunista Português, bem sabe disso. Quase aos 100 anos, ele não desiste da luta pelo socialismo, tem consciência de que a morte virá, mas até lá continuará no embate, na peleja de classes.

 

Além de não estalinista, o socialismo que nos batemos e tanto queremos será desenvolvimentista, respeitando o ecossistema e sem agredir a natureza. Afinal, o marxismo sempre defendeu o meio ambiente e o melhor exemplo é o livro Dialético da Natureza, de Frederico Engels.

 

Leia também:


Não há como recuperar a legitimidade da política sem ruptura radical com Lula e Dilma – entrevista com o economista Reinaldo Gonçalves


Fim de ciclo – Editorial


A fórmula mágica da paz social se esgotou – Paulo Arantes, especial para o Correio


‘A depender de governo e oposição, caos social vai se aprofundar’ – entrevista com o historiador Marcelo Badaró


Apoio ao governo Dilma como o mal menor ou construir um terceiro campo independente? – por Valério Arcary


Contribuições para uma agenda econômica alternativa – análise do economista Paulo Passarinho


*Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados