O castelo de cartas do PT

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Como um castelo de cartas que se desmancha com um simples sopro da crise capitalista mundial, o Partido dos Trabalhadores (PT), seus aliados e o pessoal da esquerda que aderiu estão desesperados e procuram culpar os tucanos e a direita pelo seu próprio fracasso.

 

Zé Dirceu e José Genoíno, com passados combativos, estão estrepados. Foram abandonados pelos seus pares, embora tenham feito o que o ex-operário Lula e a direção partidária queriam, como fazem todos os outros partidos institucionais, incluindo os de direita.

 

Irão para a cadeia.

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pelo lulismo que destruiu o PT, pretendia tornar “humano” o capitalismo e com o apoio de muita gente de esquerda, incluindo a grande maioria de antigos militantes da Ação Popular (AP), que não foram para o PCdoB e aderiram acriticamente ao petismo.

 

Não levaram na devida conta que a economia tem dinâmica própria e é impossível tornar “humano” o capitalismo e administrar as suas crises. O PCdoB também está nessa e acredita que o seu bastião não é mais a Albânia e sim a China, hoje um país capitalista como outro qualquer.

 

As manifestações, com milhares de pessoas, em 16 de agosto passado, pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff, são de partidos de centro-direita, de direita e extrema-direita (alguns já foram base de apoio do lulismo) com a participação de muita gente da classe média e da antiga base social do governo petista.

 

Vestidas com roupas verdes e amarelas, as pessoas davam cor a um nacionalismo chauvinista.  Nada parecido com o Fora Collor, em 1992.

 

Hoje, o PT e Lula são aliados de Fernando Collor. Não haverá golpe e o Fica Dilma, movimento dos partidários do governo petista, aproveitou o cenário econômico mais favorável (amanhã é inevitável que a crise capitalista mundial se acentue) para consolidar seus acordos com banqueiros e as classes dominantes.

 

Em São Paulo o movimento de oposição cresceu no período da tarde e mais de duas mil pessoas se manifestaram em apoio a presidente Dilma.

 

Como sempre, além de matar pobres e negros, a PM paulista exagerou e disse que quase meio milhão de manifestantes em todo o estado participou dos protestos contra o atual governo federal.

 

Por isso, é hora das verdadeiras correntes de esquerda tomarem as ruas com as suas bandeiras proletárias, contra a matança de pobres e negros nas periferias das cidades, pelo direito das mulheres decidirem o que fazer com o próprio corpo, o direito da livre opção sexual, contra o ajuste fiscal que beneficia banqueiros, capitalistas e penaliza o povo pobre. Vamos lutar por serviços públicos de saúde, educação e transporte eficientes.

 

Não queremos gente que sabe assinar o nome, mas sem leitura porque é analfabeto funcional. É hora de a esquerda marxista assumir a luta nas ruas, nas fábricas, no campo e ampliar a sua base social.

 

Exigir a punição dos facínoras de ontem e de hoje. Partir para construção de um partido operário, um partido comunista, não estalinista e sem as ideias nefastas de Josef Stalin.

 

E não aceitar que se fraude a história.

 

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Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular.

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