O STF, o PT e o Brasil*

 

 

O STF tem cometido erros políticos e técnico-jurídicos que devem ser criticados, mas as críticas principais devem ser dirigidas aos quadros do PT que firmaram os acordos políticos que mudaram a orientação do partido. Em consequência, foram levados aos acordos financeiros escabrosos com partidos claramente de direita, como o antigo PL, o PP, o PTB e os setores mais “fisiológicos” do PMDB. Acordos políticos e financeiros que terminaram em toda essa tragédia.

 

Essa mudança de rumo permanece, apesar da mudança de ênfase para o desenvolvimento, ou seja, para o desenvolvimento capitalista monopolista. As políticas sociais de caráter assistencialista e focalizado não alteram esse rumo social-liberal, nem o quadro geral do país. O PT e alguns de seus aliados deixaram de ser antimonopolistas para se converterem em pró-monopolistas, defensores firmes de uma política de união nacional e aliança com grandes grupos econômicos brasileiros.

 

Quanto ao julgamento, a essa altura, que podemos fazer? As sentenças são irreversíveis. Devemos atuar para criar uma crise institucional e uma atmosfera golpista? Ou nosso rumo deve ser oposto – lutar para fortalecer e ampliar as liberdades e garantias democráticas, inclusive no combate multilateral e intransigente à corrupção? Vamos entregar essa bandeira novamente à direita conservadora e ao centro moralista? O STF não deve ser criticado, ao contrário, pelos parcialismos e pelas insuficiências no combate à corrupção, visíveis na própria Ação 470?

 

Vamos, ademais, esquecer o papel ativo de Dirceu e Genoíno no enfrentamento dos próprios setores de esquerda do PT? Fizeram alguma autocrítica desse papel ou estão reafirmando a inflexão de rumo, tentando confundir os setores divergentes no campo popular?

 

Vejam a aliança com Maluf e o PP em São Paulo, ou o papel de Gerdau no governo Dilma. Podemos esquecer as contrarreformas previdenciária e tributária, que estão na raiz dos acordos políticos e financeiros com a direita e que levaram à cisão do PT, à criação do PSOL e à exclusão ou distanciamento de outros quadros de partidos aliados?

 

*escrito em 30/11/2012

 

 

 

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Duarte Pereira é jornalista.

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