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Quem é o terrorista? Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Qui, 30 de Julho de 2015
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Hillary Clinton não tem dúvidas: é o Irã.

 

Em recente entrevista, depois de aplaudir o Acordo Nuclear com os iranianos, ela advertiu: “mas temos ainda de nos preocupar com o mau comportamento e ações do Irã, que continua o Estado que mais patrocina o terror, que se opõe e solapa os governos da região e representa uma ameaça existencial a Israel”.

 

Numa só frase, a pré-candidata a presidente norte-americana conseguiu cometer três erros. Pespegar nos iranianos a mancha de líder no terrorismo internacional, lugar-comum repetido há anos nos EUA, é algo a ser questionado nesta fase de sensatez marcada pelo reatamento com Cuba e o Acordo Nuclear.

 

Tomemos as mais duras acusações ao Irã nos últimos tempos: o planejamento de atentados contra o embaixador saudita nos EUA, a sede da AMIA (Associação Israelita da Argentina) e a diplomatas israelenses na Geórgia e na Índia.

 

As culpas iranianas na conspiração para assassinar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA são mais do que discutíveis.

 

Na investigação de um crime, é sempre preciso definir “cui bono?”, ou seja, “a quem interessa?”, “quem ganha com isso?”

 

Conforme analista da Rand Corporation, quanto à conspiração contra os embaixadores: “não parece atender aos interesses do Irã essas ações, de qualquer modo concebível... Poriam em risco todos os objetivos e estratégias do Irã”.

 

Kenneth Kassman, do Serviço de Pesquisa do Congresso, diz que atribuir o crime a altas lideranças do Irã “é um desafio à credibilidade”.

 

O coronel Lang, ex-analista top do Oriente Médio para a Agência de Inteligência da Defesa, considera as acusações ao Irã “lixo”.

 

Para Gary Sick, expert em Irã na Universidade de Columbia, a conspiração “afasta-se de todas as políticas e procedimentos iranianos”.

 

O repórter investigativo Gareth Porter conclui sua análise afirmando: “o aspecto mais suspeito do caso da administração é a mais completa ausência ou qualquer citação direta de Arbabsiar (o cidadão indigitado) sugerindo interesse, muito menos advogando o assassinato do embaixador saudita e outros ataques, em encontro com o informante da DEA”.

 

Em contraste, suspeitas bem mais substanciais existem da participação da Israel e dos EUA em ações terroristas em território iraniano.

 

Nos últimos quatro anos, aconteceram assassinatos de três cientistas do Irã e tentativas contra um quarto, todos eles cientistas nucleares.

 

“Cui Bono?”

 

Os países mais interessados em desestabilizar o programa nuclear iraniano parecem uma boa resposta. Aliás, confirmada por depoimentos de peso.

 

Dois membros graduados do governo Obama informaram no programa de TV NBC News que o Ocidente estaria usando mercenários do MEK, movimento terrorista anti-Irã, para realizar atentados contra cientistas nucleares desse país, financiados, armados e treinados pelo Mossad (serviço secreto de Israel).

 

Esse serviço de espionagem israelense estaria por trás do assassinato do cientista nuclear Darioush Rezaibejad, conforme fonte da comunidade de inteligência de Israel revelou ao insuspeito jornal alemão Der Spiegel.

 

Quanto à explosão na AMIA, que matou 85 pessoas, deixando 300 feridas, em 1994, os investigadores consideraram seis diplomatas iranianos suspeitos de organizarem esse atentado.

 

O juiz de instrução concordou e, em 1995, solicitou à Interpol a prisão para interrogatório dos seis implicados, o que foi negado pelo governo de Teerã.

 

Nos anos seguintes, houve a apresentação de várias novas provas, o afastamento de juízes e promotores, até que, em 2008, a causa foi assumida pelo procurador Alberto Nisman. Ele solicitou abertura de processo contra a presidente Cristina Kirchner acusando-a de retirar o pedido da Interpol em troca de uma transação comercial do interesse de Buenos Aires. Fato desmentido pela própria Interpol.

 

O Tribunal Superior arquivou a solicitação por falta de provas. O caso de AMIA continua em aberto.

 

Em sua análise, Gareth Porter mostra que a criminalização dos seis iranianos baseou-se principalmente nos depoimentos do MEK, inimigo de morte do governo iraniano. Sem muita credibilidade, portanto.

 

Considerado terrorista pelo Departamento de Estado dos EUA, por apoio a Saddam Hussein na guerra contra Iraque e participação no massacre de xiitas, o MEK foi liberado no ano passado, justamente durante a gestão de Hillary Clinton.

 

Sua afirmação de que quatro dos seus elementos participaram de reunião da alta cúpula iraniana, na qual o então presidente Rajsanjani ordenou os ataques terroristas à AMIA, não é para se levar muito em conta.

 

A Estimativa Nacional de Inteligência dos EUA, em 1991, concluiu que Rafsanjani havia cancelado os excessos revolucionários anteriores e adotado um comportamento mais convencional desde sua eleição a presidente, no mesmo ano.

 

Além disso, a penetração do MEK nos mais altos conselhos do Irã é mera bazófia: no máximo não passariam de infiltrações nos níveis mais baixos.

 

Outra acusação, a de que o ex-presidente iraniano Banisard teria tido “conhecimento direto” do atentado, não se sustenta: esse cidadão sofreu impeachment em 1981, vivendo deste então em Paris, 13 anos antes da explosão da bomba.

 

Também merecem pouco (ou nenhum) crédito, testemunhas como Mesbahl, ex-agente iraniano. Conhecido pelos analistas dos EUA como um “denunciante em série”, ele é autor da história absurda de que Teerã seria o responsável pelo atentado contra as Torres Gêmeas...

 

Outra testemunha pelo menos duvidosa é o ex-diplomata Motsamer, agente da CIA, de acordo com o MSM News, cujas informações foram aceitas pelo juiz Juan Galeano, afastado do caso diante de um vídeo no qual oferecia 400 mil dólares para um certo Carlos Tellardin arrumar evidências contra o Irã.

 

Membro do FBI, que acompanhou a investigação, revelou a Porter, em 2007, que os registros de telefonemas do iraniano Rabbani com pessoas dadas pelo promotor argentino como integrantes do “grupo operacional” do ataque não eram mais do que especulações. Nem o FBI nem as autoridades de Washington consideravam serem evidências do envolvimento de Rabbani.

 

Estes e outros fatos demonstram que está longe de ser provada qualquer participação do Irãn no atentado da AMIA, cuja investigação prossegue.

 

Por fim, nos atentados a bomba contra diplomatas israelenses na Índia e na Geórgia, as acusações contra o Irã valem pouco.

 

Para Will Hartley, editor do Jane´s Terrorism & Insurgency Centre, “esses ataques foram altamente amadorísticos, faltou a sofisticação de que normalmente se esperaria de uma operação executada ou pelo Irã ou pelo Hizbollah”.

 

Para apontar os autores no incidente da Índia a necessária definição de cui bono praticamente isenta o Irã.

 

Esse país não teria nenhum interesse em arriscar sua importante relação com a Índia, como diz o New Delhi´s Economic Times: “por que o Irã iria enfiar os dedos nos olhos do seu melhor cliente?”

 

Quanto à acusação da senhora Clinton de ser o Irã agente de desestabilização dos governos do Oriente Médio, é um tanto bizarra.

 

Afinal, Teerã apoia e presta ajuda política e militar ao governo do Iraque, contra o ISIS. E ao governo da Síria, eleito democraticamente, embora sujeito de pesadas críticas da ONU.

 

É certo que a revolta dos houthis, no Iêmen, tem Teerã a seu favor. Mas, por enquanto, ninguém nega que a ajuda tenha se limitado a apenas fornecimento de víveres.

 

Finalmente, mesmo a falada promessa iraniana de destruir Israel é uma falácia. Declarações do ex-presidente Ahmadinejad foram erroneamente traduzidas para algo como Israel seria “varrido do mapa”. Sua explicação posterior de que falara no fim desejado do regime sionista e não do país ou do povo israelense, jamais tendo usado a expressão “varrido do mapa”, foi ignorada.

 

Como também se ignora a assinatura do governo iraniano na Iniciativa de Paz Saudita, em 2002, confirmada em 2009, de que reconhecia o Estado de Israel.

 

Ou mesmo a linha pacifista do presidente Rouhani, que ficará fortalecida depois da aprovação do Acordo Nuclear.

 

Leia também:

A última barreira ao Acordo Nuclear


Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Terça, 04 de Agosto de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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