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A capitulação do Syriza implode a integração geopolítica da UE e a pretensa solidariedade europeia Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Terça, 28 de Julho de 2015
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O novo governo grego que Alexis Tsipras reformulou na quarta-feira, despedindo os oito ministros que não aceitaram assinar o acordo com a Troika, votou na madrugada da quinta-feira o decreto-lei que autoriza a implementação do novo Memorando imposto pela Troika (FMI, Comissão da União Europeia e Banco Central Europeu). Um memorando duplamente pior que o primeiro, assinado em 2012, pois visa rebaixar os salários e as aposentadorias, privatizar todos os serviços e as empresas públicas, repassando, assim, a economia grega às multinacionais europeias e estadunidenses, inclusive o patrimônio histórico-cultural.

 

Desta forma, Angela Merkel pôde colocar outra bandeirinha alemã no mapa europeu, visto que o governo grego, após a assinatura desse segundo Memorando, perdeu toda sua soberania, tornando-se apenas o gerente de um programa de privatização e o “capataz” de reformas institucionais que serão implementadas nas próximas semanas na maneira e nos tempos “sugeridos” pelos técnicos do FMI.

 

Apesar das manifestações realizadas pelo partido comunista KKE, a confederação sindical PAME e os grupos anarquistas, a sociedade grega e, sobretudo, os moradores da populosa capital Atenas permaneceram perplexos e desiludidos. Pois, não é fácil aceitar esse novo Memorando depois de ter vivido o sonho de, finalmente, reconquistar a própria soberania. Não é fácil entender por quais motivos, após 48 horas do referendo, todos os projetos e as promessas desvaneciam juntamente da renúncia (forçada) de Yanis Vanufakis.

 

Não foi fácil, também, compreender a reviravolta do primeiro-ministro Alexis Tsipras, que desta maneira legitimou a desmobilização popular e a imediata capitulação do governo e do partido Syriza. De fato, as grandes manifestações populares contra a Troika, organizadas pelo governo, as promessas feitas pelos líderes do Syriza nos últimos cinco meses, as ameaças de greve geral ou a pretensa ruptura com Eurogrupo hoje são apenas uma linda lembrança política. O drama é que dessa lembrança, no Syriza, não sobrou absolutamente nada!

 

Angela Merkel e seu ministro das finanças, Wolfgang Schauble, ainda devem estar comemorando a capitulação do governo grego, visto que depois da vitória do NÃO nunca pensaram em reverter a situação grega em tempos tão rápidos e com extrema facilidade. Por isso, muitos analistas apresentam duas hipóteses sobre a capitulação de Tsipras:

 

a) foi um jogo de cartas marcadas para impedir a consequente rebelião popular após a vitória do referendum;

 

b) ou foi uma tremenda infantilidade política por parte das lideranças do grupo majoritário do Syriza e em particular de Alexis Tsipras.

 

Hoje, o novo contexto político grego está determinando importantes modificações nos cenários políticos europeus, em particular:

 

1) a implosão da integração geopolítica da União Europeia;

 

2) o desconforto político na esquerda europeia com a capitulação do Syriza;

 

3) o fim do conceito de solidariedade entre os Estados-Membros da UE.

 

Implosão do programa de integração geopolítica da União Europeia


Durante 46 anos, de 1957 até 1992, o projeto de integração econômica europeia (CEE) foi inicialmente sustentado por seis países europeus, que em 1986 aumentaram para 12 (1). A principal tarefa dessa organização regional ficava limitada em disciplinar as trocas econômicas na chamada “Comunidade Econômica Europeia”. Porém, após a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, voltou-se a falar em integração política europeia para favorecer a formação de governos liberais nos países que anteriormente eram ligados, política, econômica e militarmente, à União Soviética.

 

Consequentemente, com o Tratado de Maastricht, a União Europeia passava a ter 28 Estados-Membros, sendo que os programas de integração geopolítica da União Europeia sempre revelaram o monitoramento teutônico, sobretudo com os governos conservadores de Helmut Kohl (1982/94) e de Angela Merkel (2005/13), que exploraram até as últimas consequências o potencial financeiro dos bancos alemães.

 

De fato, o crescimento da indústria alemã reforçou ainda mais seu sistema financeiro que, em breve tempo, passou a controlar a maioria dos títulos soberanos dos novos Estados-Membros da União Europeia. Ao mesmo tempo, os bancos alemães se tornaram, também, os principais financiadores do endividamento dos países da União Europeia, permitindo assim ao governo da Alemanha adquirir um poder político quase absoluto.

 

É necessário dizer que a integração geopolítica nunca abordou a complexa questão da união territorial dos Estados-Membros da União Europeia, que com o Tratado de Maastricht passaram a usar uma moeda comum chamada de euro. Uma moeda que, na realidade, era o marco alemão disfarçado, e não é casual que o Banco Central Europeu foi instituído na cidade alemã de Frankfurt.

 

A hegemonia econômica e, sobretudo, financeira da Alemanha extrapolou quando Angela Merkel conseguiu impor no Parlamento Europeu uma regulamentação orçamentária para todos os Estados-Membros da União Europeia. Desta forma, a Alemanha conseguiu reduzir bastante o poder decisório e soberano dos Estados, em particular dos pequenos e daqueles com economias em crise ou pouco desenvolvidas, tais como Grécia, Portugal, Espanha, Lituânia, Estônia, Letônia, Polônia, Hungria, Romênia e Bulgária. Se depois considerarmos o posicionamento dos Estados propriamente germanófilos (Eslováquia, Rep. Tcheca, Eslovênia, Croácia, Finlândia e Áustria) e o apoio, quase incondicional, da Casa Branca, do FMI e da OTAN, é fácil entender por que na Comissão Europeia e no Parlamento Europeu houve sempre uma maioria que votou em favor das propostas apresentadas pela Alemanha.

 

Um contexto que, em termos políticos, atrelou os programas de integração geopolítica da União Europeia à política internacional do governo alemão, determinando uma relação de dependência que o governo alemão tem explorado sabiamente, para criar vínculos políticos importantes e promover o desenvolvimento da lógica liberal nesses países. Na prática, a liderança da Alemanha, gradualmente, determinou a implosão dos programas de integração geopolítica da União Europeia.

 

O desconforto político na esquerda europeia com a capitulação do Syriza


A formação do Syriza e logo depois sua primeira vitória, em 14 de maio de 2014, nas eleições europeias, determinou na esquerda a certeza de que era possível quebrar a hegemonia do neoliberalismo e poder voltar a fazer respeitar a decisão soberana dos povos. Em seguida, em janeiro de 2015, quando Alex Tsipras liderou uma campanha eleitoral com o objetivo de renegociar os termos para construir uma economia sustentável na Grécia, a esquerda europeia achou que o modelo neoliberal europeu estava entrando definitivamente em crise. Por isso, a experiência política do Syriza quase virou um modelo para muitos agrupamentos políticos europeus. Na Itália, por exemplo, foi até criado e mantido o logotipo partidário “Por Uma Outra Europa – Lista Tsipras”!

 

Não há dúvida de que para o povo grego, e também para os componentes da esquerda europeia, os primeiros cinco meses de governo de Alexis Tsipras foram o apogeu de uma dialética política que amedrontou os tecnocratas da Troika. De fato, “a questão da dívida grega” foi tratada pelos tecnocratas da Troika com extrema dureza, não só para punir os gregos que tinham votado em um partido rebelde. Para as “excelências” de Bruxelas era imperativo queimar a lógica política de Alexis Tsipras e Yanis Vanufakis, que podia se tornar um exemplo para toda a esquerda europeia anticapitalista e anti-neoliberal, visto que os dois tinham desembarcado em Bruxelas falando em “possível reconstrução da economia sustentável após o vendaval do liberalismo!”.

 

A capitulação do partido Syriza e a desqualificação política de Tsipras e Vanufakis foram também determinantes para atingir àqueles agrupamentos nacionalistas antieuropeus que esperavam utilizar a “questão grega” para ganhar espaço junto dos seus eleitores e, assim, conseguir romper as normas da política de austeridade da União Europeia.

 

Um contexto que as excelências conservadoras da Alemanha julgaram extremamente perigoso, de forma que a primeira-ministra Merkel logo entrou em campo enquadrando todos os possíveis aliados de Alex Tsipras, enquanto o ministro das Finanças, Wolfgang Schauble, assumia o papel do durão e recorria ao terrorismo midiático, anunciando a “expulsão da Grécia da União Europeia durante cinco anos até reformular sua situação econômica e financeira”.

 

Se considerarmos que no Syriza nunca foi avaliada a possível saída da União Europeia, bem como o abandono do euro e a volta ao dracma, é fácil imaginar o que aconteceu na maioria desse partido quando os tecnocratas da Troika começaram a falar em Grexit, comissionamento, moeda paralela etc. etc.

 

Na realidade, Alexis Tsipras e Yanis Vanufakis iniciaram a confrontação com a Troika já bastante fragilizados, porque não tinham o chamado “Plano B” com o qual contestar a estrutura da dívida ou impor a definitiva ruptura. O Syriza, bem como a maioria dos componentes da esquerda europeia, são predominantemente europeístas e muitas deles até aceitam conviver com os ditames da OTAN. Portanto, a capitulação do governo grego produziu o efeito espelho em quase todos os componentes da esquerda europeia, tanto que na Espanha os dirigentes do Podemos agora enfrentam grandes dificuldades em dizer que poderão modificar os ditames dos tecnocratas de Bruxelas.

 

Fim do conceito de solidariedade entre os estados membros da UE


Quando Alex Tsipras se encontrou com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, depois reuniu-se com o presidente Francês, François Hollande e a seguir dialogou com Martin Schultz, líder do partido socialdemocrata alemão, estava convencido de ter ganhado três grandes aliados na batalha contra os tecnocratas de Bruxelas, além de poder contar com a ajuda financeira do governo francês e do italiano para criar um “fundo de salvação”, com o qual poderia impor novas regras e promover na Grécia o crescimento de uma economia sustentável.

 

Na realidade, a solidariedade se reduziu a um cordial aperto de mão diante dos fotógrafos e dos jornalistas. Nunca se manifestou em termos de ajuda financeira ou possíveis pressões para modificar os ditames dos tecnocratas de Bruxelas. Praticamente, quando Alex Tsipras contava receber manifestações de solidariedade por parte dos governantes europeus, reparou que ele e seu povo estavam sozinhos. Aliás, os governantes dos países germanófilos, bem como os de Portugal e Espanha, apontaram o dedo contra a Grécia e apoiaram com veemência as ameaças de Wolfgang Schauble sobre a possível “saída temporária da Grécia da União Europeia por não ter as contas em dia como eles, que tinham feito muitos sacrifícios”.

 

A ausência de um mínimo de solidariedade política e financeira, certamente, levou Alexis Tsipras e a maioria do Syriza ao desespero, aceitando o caminho da capitulação. De fato, a crise da Grécia demonstra claramente que nenhum Estado europeu quis ajudar o país helênico, isto é, um país europeu que a própria União Europeia havia arruinado com seus programas de austeridade.

 

Nota:

1) França, Alemanha Ocidental, Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido, Irlanda, Reino Unido, Dinamarca, Espanha, Portugal e Grécia.

 

 

Leia também:

 

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Grécia: um Referendo para renegociar a dívida ou se salvar de pagar a dívida? coluna anterior de Achille Lollo

 

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania

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Última atualização em Terça, 11 de Agosto de 2015
 

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