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Leilão de petróleo é para “tapar buracos” Imprimir E-mail
Escrito por Fatima Lacerda   
Quarta, 22 de Julho de 2015
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A expectativa dos analistas é de que o próximo leilão de petróleo e gás no Brasil, marcado para 7 e 8 de outubro, deve ser um fracasso. As análises se baseiam no leilão do México, em 15 de julho. Dentre os 14 blocos ofertados, apenas dois foram arrematados. O leilão realizado em Angola, no ano passado, também obteve resultado bem abaixo das expectativas.

 

Destoa dessa análise o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, atualmente membro do Comitê Central do PC do B. Ele admite as dificuldades do cenário internacional, que impôs uma queda significativa no preço do óleo desde junho de 2014. Vai além. Em artigo publicado no Vermelho, órgão oficial de seu partido, reconhece que a tendência só piora a realidade dos produtores. São dele as palavras:

 

“Esse quadro perdura e tende a se agravar, por um fator previsível: um produtor gigantesco, o Irã, prepara-se para injetar no mercado, gradativa, mas seguramente, algo como um milhão de barris por dia de petróleo. É nesse ambiente que os investidores ficam reticentes, chegando até a vender campos produtores”.

 

Mesmo assim tenta justificar o leilão de outubro, no Brasil, contrapondo a essas adversidades a larga experiência da ANP que já realizou 12 leilões desse tipo, “modelo já testado e aprovado”.

Apela, também, para o atrativo dos blocos a serem ofertados na 13ª rodada de licitação, 266, sendo 182 em terra e 44 no mar: “A lista (...) talvez pudesse ter sido melhorada, mas é boa, comtempla áreas onde o sucesso exploratório é provável. Tudo isso trabalha no sentido do êxito para a 13ª rodada da ANP” – diz.

 

Nesse raciocínio, vários aspectos são motivo de perplexidade. O primeiro deles é que um membro do Comitê Central de um partido que se intitula “comunista” e que tem por tradição defender a presença do Estado na economia, sobretudo em setores estratégicos, trafegue com tanta desenvoltura na visão puramente mercadológica. Ou seja, não importa se o país vai vender um bem estratégico, como o petróleo, a preço vil. O que importa é atrair, facilitando de todas as formas a presença e a atuação da iniciativa privada.

 

De fato, o preço é vil. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) fixou em R$ 990 milhões o preço mínimo para as áreas de petróleo e gás a serem leiloadas em outubro, menos da metade do que estava previsto pelo Ministério de Minas e Energia, segundo informado pelo jornal Valor Econômico.

 

O mais lamentável, no entanto, é estarmos, os brasileiros, nas mãos de uma elite retrógrada, com mentalidade colonialista e vendida aos interesses externos, que tem demonstrado fartamente sua aversão e preconceito contra o povo, esbravejando até mesmo diante das mais tímidas medidas de distribuição de riqueza e renda. De outro lado, essa é a “esquerda” que se vê, a de Haroldo Lima. Uma esquerda que raciocina como a direita e naturaliza a venda de bens estratégicos, num momento que reconhece como sendo desfavorável e, pior, tentando justificar o injustificável.

 

Aliás, justificativa existe. É para que as contas do governo fechem no final do ano. É para satisfazer o sistema financeiro e continuar cedendo à agiotagem internacional que representa o pagamento da dívida externa e interna. Não é para oferecer, com o dinheiro arrecado, um futuro e um presente melhor ao povo.

 

O governo esperava arrecadar com “concessões” (estradas, portos, aeroportos, campos de petróleo) algo em torno R$ 18 bilhões. Certamente ficará bem abaixo disso, entregando o que for possível ao setor privado por qualquer dinheiro. Assusta pensar que tentará suprir o “déficit” com a venda de ativos da Petrobras. Ou seja, entregando o bilhete premiado, matando a galinha dos ovos de ouro, como costuma dizer o coordenador do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RJ), Emanuel Cancella.

 

Sem planejamento estratégico para alcançar o desenvolvimento e superar as questões que afligem o povo - ávido de necessidades como casa para morar, terra para plantar, educação de qualidade, saneamento, atendimento médico, emprego, transporte decente - as nossas elites governantes, sejam os que já estão nos cargos ou os que farejam golpes, não têm um projeto de nação. Estamos órfãos. A saída é construirmos nós próprios, povo brasileiro, alternativas que nos emancipem. Nas ruas, com consciência e coragem.

 

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Fátima Lacerda é jornalista da Agência Petroleira de Notícias.

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Última atualização em Sexta, 24 de Julho de 2015
 

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