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O 7 x 1 foi um ‘acidente’ apenas para quem se dá bem com a atual estrutura do futebol Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Quarta, 08 de Julho de 2015
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Completamos um ano da partida que marca para sempre o futebol brasileiro, o maior vexame de toda a história do futebol. Quem viveu levará a lembrança dos 7 gols alemães na semifinal da Copa do Mundo de 2014 até o último dia de vida.

 

Exatamente na Copa sediada em casa, o status de país do futebol foi atirado no lixo. Aqueles que no século 20 levaram o jogo ao estado da arte e da sublimação hoje se encontram num limbo, em busca de toda a identidade perdida e vendida.

 

Nesses dias que marcam o nefasto aniversário, a mídia se esmera em relembrar todos os detalhes e jogadas da hecatombe do Mineirão e pergunta, meio sem imaginar qualquer resposta concreta, o que fazer para o Brasil retomar seu lugar histórico no cenário.

 

Como deixou bem clara a eliminação da Copa América nos últimos dias, nada mudou, inclusive após o escândalo que derrubou toda a cúpula da FIFA e colocou o futebol mundial num vazio de poder – além do ex-presidente da CBF numa cela, ao lado de pares da Confederação Sul-americana de Futebol e companhia.

 

Após o autoexílio de Ricardo Teixeira em Miami ainda em 2012, pois já se sabia de tudo que o FBI apenas tratou de executar, a festa foi dada sob os auspícios de José Maria Marin, filhote da ARENA e da ditadura militar, até agora preso na Suíça e substituído na CBF por Marco Polo del Nero, de igual estirpe e talvez o mais inepto de todos – aquele que promoveu os piores Campeonatos Paulistas e cuja gestão viu vários times de tradição fechando as portas e dando lugar a times-empresas que sequer merecem menção.

 

É claro que ninguém poderia prever o absurdo placar da semifinal, que só as mais fracas seleções haviam experimentado num Mundial, sempre em jogos de fase inicial. Mas podemos relembrar que sempre apontamos a completa ausência de políticas e objetivos esportivos na recepção dos megaeventos, Olimpíadas incluídas.

 

Quanto à Matriz de Responsabilidades, muito pouco foi cumprido e praticamente nenhuma obra de mobilidade urbana, aquelas que realmente beneficiariam uma maioria, entregue. “Não dá pra reconhecer legado algum”, dizem os movimentos sociais e comunitários.

 

“O maior legado da Copa é a política de segurança pública”, nos disse certa vez Francisco Carneiro, da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, a resistência que se organizou contra os desmandos anunciados pelo Mundial.

 

Isso porque em nome das duas competições esportivas o Brasil, através de seu governo federal, firmou acordos, por exemplo, de compras de armas, bombas e outros equipamentos com firmas israelenses. Mais: editou o Decreto de Garantia da Lei e da Ordem, o que significa uma maior militarização da vida cotidiana dos brasileiros – ao menos daqueles mais pobres e bronzeados. A desastrada entrada do exército no Complexo da Maré (RJ) é o exemplo.

 

Tratava-se, criticávamos, de uma política de pilhagem e acumulação capitalista, comprovadas por um custo que superou todas as demais Copas da história somadas e um evidente sobrepreço em diversas obras. Complementa-se por um maior controle social e direito estatal de criminalização do protesto.

 

Porém, apesar de todo o castelo desmoronado, nada muda. É incrível, mas absolutamente nada, mesmo. E não nos enganemos: para eles está tudo muito bem. Sim, muito bem, obrigado.

 

Bem pra quem?

 

Nos últimos anos, o futebol brasileiro recebeu inéditas injeções de dinheiro, do mercado publicitário e, principalmente, da televisão e seus novos contratos com os clubes.

 

As práticas não mudaram muito, apesar dos discursos de “novos tempos”, “modernidade” etc. Gastou-se de forma desvairada e os clubes têm pagado salários fora de qualquer realidade sustentável para jogadores medianos ou em fim de linha, ao passo que continuamos uma colônia exportadora de atletas jovens, inclusive antes de que se profissionalizem em seus formadores.

 

Falando em categorias de base, é tudo desregulado, para alegria dos empresários, que loteiam as vagas nos grandes times e têm influência ilimitada, quando não clubes de fachada.

 

Para que mudar, para quem ganha muito vendendo jogadores jovens, trabalha com “empresas de marketing esportivo” (aspirantes a Traffic), assina contratos com federações e tevês, aplana carreiras políticas e estabelece relações com as maiores empresas do país?

 

Por isso que só vemos perfumarias sendo discutidas, a exemplo do encontro promovido pela CBF nesta semana entre os técnicos das últimas Copas do Mundo, a fim de discutir as mudanças necessárias ao nosso futebol. Como só havia gente que acredita ser a CBF “o Brasil que deu certo”, para usar a imortal frase de Carlos Alberto Parreira, nada de útil poderá ser extraído.

 

Até porque foi essa turma que reconduziu Dunga ao cargo de técnico da seleção, mostrando todo o momento intelectual e filosófico do nosso esporte. Já passou da infantilidade a maneira como se rejeita a proposta de trazermos ideias e treinadores estrangeiros, por mais que figuras de referência do futebol mundial digam “não entendi nada do que quis o Brasil nessa Copa América”, para mencionar Cesar Luiz Menotti, técnico campeão mundial de 1978 pela Argentina, dentre outros ilustres, como Cruyff, Beckenbauer e Breitner.

 

Sempre tapando o sol com o dinheiro, também escondemos os variados fiascos contra equipes dos países vizinhos, que com muito menos recursos, mas muito afinco e estudo, também são bons exemplos de futebol a se jogar e pensar. Mesmo com folhas de pagamento 10 ou 20 vezes maior em alguns casos, os clubes brasileiros não mostram nem uma fração de tal superioridade na hora que a bola rola.

 

O “projeto” é esse mesmo

 

Desse modo, concordamos com o historiador Marcos Alvito, um dos que anos atrás tentou alertar a sociedade para onde rumávamos, com o evidente processo de elitização do jogo, exclusão do povo e deturpação cultural da nossa maneira de viver o futebol – tudo devidamente tapado por muita publicidade da mídia que monopoliza as transmissões esportivas, salvo raras exceções.

 

“Dizer agora que a culpa é da CBF seria hilariante, não fosse ofensa à inteligência”, disse o fundador da breve Associação Nacional dos Torcedores – que se desmobilizou em 2011, após lamentável campanha de difamação e sabotagem promovida por atual auxiliar político do deputado federal Andres Sánchez, eleito pelo PT, amigo de Lula e grande articulador da construção do Itaquerão.

 

Sob o inexplicável preço de 1,2 bilhão de reais, tal estádio foi apontado até pela distante revista New Yorker como símbolo da elitização e gentrificação do futebol brasileiro, algo facilmente verificável no branqueamento da torcida do Corinthians, o “time do povo”. É certo que o mesmo ocorre em todos os grandes clubes brasileiros e seus mal copiados sonhos de primeiro mundo, mas talvez o alvinegro da zona leste paulistana seja o caso mais emblemático.

 

Jogo de cena

 

Enquanto “celebramos” a data, vemos em Brasília o Congresso aprovar a chamada MP do Futebol, que visa refinanciar os quase 5 bilhões de reais em dívidas fiscais dos clubes brasileiros. O projeto exige contrapartidas no controle de gastos e transparência das associações, mas, na verdade, não há nada de muito ousado ou inovador. Pode perfeitamente ser uma “fuga para a frente”, a redundar em medidas semelhantes no futuro.

 

O que, sim, poderia contar com uma interferência mais forte do Estado brasileiro seria uma autêntica reforma política e democratizante do nosso futebol, encampada também por clubes, a por fim na proeminência da CBF e, principalmente, das federações estaduais nos rumos do nosso futebol, colocando a responsabilidade nas costas de quem realmente faz a roda girar, isto é, as camisas.

 

Outro ponto crucial seria enfrentar o poder de empresários e “grupos investidores” nas categorias de base, coisa que até a FIFA de Blatter encampou, tamanho o grau de abuso e corrupção a partir da exploração do talento de menores. No caso, a Federação Internacional visa proibir que possuam quaisquer direitos federativos de jogadores amadores, mas parece que a notícia ainda não chegou no Brasil.

 

Pelo jeito, o Estado – ou se preferir os contribuintes e torcedores – continua bem vindo apenas na hora de pagar a conta. Ao mesmo tempo, Dunga vai à mídia declarar que pedir pela contratação de profissionais do futebol que falem outra língua é “modismo”. Seria útil que alguém lhe informasse das contribuições de figuras como Ramon Platero, Dori Kruschner, Bela Guttman, Fleitas Solich, Ricardo Díez, Ondino Viera e Filpo Nuñez, pra ficar nos mais famosos da história (dentre os citados, apenas o último passou por aqui depois de 1958, ano do primeiro título mundial brasileiro).

 

Assim, está tudo bem para os donos do jogo e o 7 a 1 foi um estorvo muito fora do previsto, um ponto muito fora da curva. Rola dinheiro como nunca para quem está dentro do circo e uma derrota por placar normal, ainda mais com o desfalque de Neymar, certamente estaria sendo vendida até hoje como obra do azar ou de “pequenos detalhes”, facilmente corrigíveis – “um apagão”, como diria a Comissão Técnica.

 

Na mais implacável metáfora, deus mostrou que não é brasileiro. E, passado um ano, não nos acudiu.

 

 

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Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Quarta, 22 de Julho de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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