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Lava Jato – mar de lama Imprimir E-mail
Escrito por Emanuel Cancella   
Sexta, 03 de Julho de 2015
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A parcialidade está desmoralizando a justiça brasileira. O “mensalão” tucano está completando dez anos sem que nenhum dos réus tenha sido condenado e muitos deles já com os processos prescritos. O principal acusado, o ex-governador de Minas pelo PSDB, Eduardo Azeredo, anunciou que vai se “aposentar” da política. Ou seja, vai sair de cena mais uma vez, para evitar o escândalo.

 

Nem precisava, já que conta com o silêncio e a cumplicidade da grande mídia. Acusações envolvem peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro, durante a campanha eleitoral, em 1998. Depois de várias protelações, adiamentos e transferências, o processo contra Azeredo agora tramita na 9ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, em Minas Gerais, mas está parado desde o ano passado, aguardando apenas a sentença.

 

Já Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato, tem como objetivo destruir a Petrobrás e a indústria brasileira. Para isso, não se envergonha de rasgar conceitos consagrados no Direito, como a presunção da inocência. No Brasil, quem acusa tem a obrigação de provar. Mas esse preceito virou letra morta. A delação premida pode ser a expressão de uma mentira deslavada. Mas se for contra o PT será considerada pelo referido juiz. As acusações, ainda que falsas, vão virar manchete de jornal, ganhando ares de verdade diante da população.

 

Não importa se o “mensalão” do PSDB foi anterior ao do PT. O fato é que até hoje não foi julgado e já foi totalmente esvaziado. Já se livraram das acusações dois personagens centrais do caso: o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e Claudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Azeredo. Ambos, após completarem 70 anos de idade, o primeiro em novembro de 2012 e o segundo em janeiro de 2014.

 

A parcialidade de Moro e da grande mídia é indecorosa. A  Lava Jato permitiu o vazamento da delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa. A mídia publicou que o grande favorecido pelas doações foi o PT. No entanto, vários partidos receberam doação, inclusive o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Ele recebia R$ 50 mil mensais, segundo o delator. O candidato Aécio Neves, do PSDB, recebeu mais da UTC do que Dilma. Mas isso não virou manchete. Mais uma vez, a Rede Globo manipula os fatos e desinforma seus leitores e telespectadores.

 

A OAB já protestou quanto ao tratamento dado aos advogados pela Operação Lava Jato. Vários juristas vêm se insurgindo contra a forma como o juiz Sérgio Moro utiliza a delação premiada. Finalmente, também a presidenta Dilma questiona a delação manipulada do dono da UTC.

 

Na sequência, sem qualquer respeito pelas instituições, o panfleto diário da direita reacionária e porta-voz da Lava Jato, jornal O Globo, estampa a seguinte manchete: “Dilma ataca delator, mas investigação é ampliada”.

 

Não restam dúvidas de que o objetivo maior da Operação Lava Jato não é prender os donos das principais empresas do país e sim paralisar as principais obras e, principalmente, a Petrobrás.

 

Nos Estados Unidos, a Lockheed Martin, uma das principais companhias de aviação e de defesa dos EUA, protagonizou um caso emblemático de corrupção, como lembrou André Motta Araújo, no Jornal GGN: entre as décadas de 1950 e 1970, portanto, durante 20 anos, pagou propina a autoridades estrangeiras estimadas em mais de 300 milhões de dólares, o equivalente a 3,7 bilhões de dólares em dinheiro de hoje.

 

Alguém imagina que a Lockheed foi destruída por isso? Como também informa Motta Araújo, seus principais dirigentes renunciaram alguns anos depois e o governo norte-americano, no lugar de multar a empresa, ofereceu-lhe generoso empréstimo para que fizesse frente, em melhores condições, aos eventuais efeitos do escândalo sobre os seus negócios.

 

Já no Brasil, a Operação Lava Jato é contra o contrato de leniência que justamente prevê a punição dos responsáveis e a continuidade dos negócios das empresas. O contrato de leniência permite que os agentes da corrupção sejam punidos, mas as empresas sejam poupadas e os postos de trabalho preservados. Parece lógico. Quem está contra isso, de que lado está?

 

A revista Época publicou que a Lava Jato vai derrubar a República. Resta saber quem vai cair primeiro: a Lava Jato ou a República brasileira!

 

 

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Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

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