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12ª Caminhada Pela Vida e pela Paz Imprimir E-mail
Escrito por Augusto Rossini   
Segunda, 12 de Novembro de 2007
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Em 02 de novembro de 2007, das 8h00 às 12h00, ocorreu a 12ª Caminhada do Fórum em Defesa da Vida – Juntos por uma Cidade Justa, com o tema "Álcool sem Limites – Sociedade sem Controle".

 

Tal caminhada é o momento alto do Fórum em Defesa da Vida e Pela Paz do Jardim Angela e região (www.santosmartires.org.br) e foi criada há exatos doze anos para chamar a atenção para o grande número de vítimas de homicídios nas periferias da capital de São Paulo, especialmente na Região Sul, como o Jardim Angela, Capão Redondo e Campo Limpo.

 

Aliás, o Fórum em Defesa da Vida é que foi criado a partir da primeira caminhada, pois seus organizadores não tinham idéia da quantidade de pessoas que estavam indignadas com aquela realidade, e no dia milhares de parentes, amigos e conhecidos de vítimas da violência compareceram à inicial manifestação pacífica, que se repete todos os anos no dia de finados, cada uma com um tema. O deste ano (2007) tratou do alcoolismo e das conseqüências de seu descontrole.

 

Os manifestantes saíram de três lugares distintos: da Igreja do Jardim Angela, da Estrada do Campo Limpo e do Capão Redondo, da sede do CDHEP – www.cdhep.org.br, e caminharam até o Cemitério do Jardim São Luiz, que teve sua capacidade máxima antecipada em dez anos, resultado do extermínio dos jovens de 15 a 25 anos da região, na sua maioria enterrados neste cemitério.

 

O Fórum se organizou e, sob a coordenação de um grupo de lideranças de entidades sociais, muita pressão vem sendo exercida, tanto que inúmeras melhorias foram levadas àquela região, como a criação de várias bases comunitárias da Polícia Militar e o Hospital do M’Boi Mirim, que está em construção. Não se trata de troca de favores. Trata-se de pressão política qualificada, realizada pela comunidade. É política e não politicagem. Dois Tribunais populares foram realizados nos últimos cinco anos: o de 2002, que colocou no banco dos réus a segurança pública e a saúde, e o de 2007, que colocou no mesmo banco as políticas de educação fundamental, esportes, lazer e cultura.

 

Ou seja, muita coisa está sendo construída naquela região, fruto da criação de uma verdadeira e legítima rede composta fundamentalmente pela sociedade organizada.

 

O tema deste ano da caminhada foi amadurecido a partir de quatro seminários. O Fórum em Defesa da Vida tratou da questão do controle social do uso do álcool e da saúde, educação, violência/segurança e economia, trazendo para a região vários estudiosos e especialistas no assunto, como professores da Faculdade Paulista de Medicina e da FGV, tendo sido elaborado um grande documento. Durante a caminhada, um panfleto foi distribuído aos manifestantes e à população. Dele consta, em resumo, o seguinte:

 

Sob o aspecto da Saúde, constatou-se que o alcoolismo causa 60 tipos de doenças, com 1,8 milhão de mortes por ano e R$ 143 milhões de investimento pelo SUS em tratamentos (2002 a 2004). A reivindicação é a criação de mais equipamentos de saúde, com atuação na prevenção e no apoio às famílias e na capacitação dos funcionários da saúde para tratar do assunto.

 

Sob o enfoque da Educação, constatou-se que 5,2% dos adolescentes são dependentes de álcool (CEBRID 2001) e que  a propaganda estimula o consumo entre os adolescentes e jovens. A reivindicação é que, pela criação e desenvolvimento de programas educativos de prevenção, o tema seja matéria obrigatória nas escolas desde o primeiro ano.

 

Sob o prisma da Segurança, constatou-se que o alcoolismo é causa de 52% dos casos de violência doméstica no estado de São Paulo e 61% dos acidentes de trânsito. A reivindicação é pelo maior controle por parte da segurança e administração públicas, com a limitação dos pontos de venda e consumo de bebidas alcoólicas e efetiva fiscalização dos existentes.

 

Sob o enfoque da Economia, constatou-se que o alcoolismo é causa de 50% das faltas no trabalho. Que, se de um lado, a produção de álcool aumenta em 3,5% do PIB, gera um gasto correspondente a 7,3% do mesmo PIB, com problemas causados pelo álcool. A reivindicação é a criação de incentivos para que os bares sejam transformados em outros negócios, dificultando seu licenciamento, sem se esquecer do aumento do preço das bebidas.

 

O documento completo é extenso, impossível de ser transcrito nesse espaço. Mas indica que a comunidade exige um controle  rigoroso da venda e uso do álcool por parte do poder público, que não enxerga a questão como uma verdadeira epidemia, que desencadeia mais problemas a um povo já tão cansado de tanto sofrimento.

 

O Fórum em Defesa da Vida e todos os que o integram, não somente constataram a demanda, mas sugerem caminhos para sua solução, invertendo-se a lógica do poder público, de que tudo deve vir de cima para baixo. Se forem espertos, nossos gestores públicos encontrarão as trilhas já abertas. E, o mais importante, se depararão com algo incomum: seus atos administrativos encontrarão legitimidade, verdadeiro estofo para agir.

 

O povo quer e aponta as soluções. Basta sair da letargia e agir em prol dos interesses comuns.

 

Os movimentos sociais da região sul de São Paulo, capital, estão fazendo sua parte.

 

Com muito orgulho!

 

 

Augusto Rossini, é promotor de Justiça do Tribunal do Júri de Santo Amaro/São Paulo e diretor do CDHEP.

 

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