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A PUC e Foucault Imprimir E-mail
Escrito por Marcelo Barros   
Sexta, 19 de Junho de 2015
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Apesar de ter muitos amigos que atuam na Academia e ter o maior respeito pelas grandes e veneráveis Universidades brasileiras, estou mais inserido em movimentos populares, comunidades eclesiais de base e pastorais sociais. Entretanto, senti-me tocado ao ler que os responsáveis maiores pela PUC de São Paulo teriam proibido que se instaurasse no Curso de Filosofia da Universidade uma cadeira sobre Michel de Foucault. Do modo como a notícia me chegou, a sentença contrária teria sido da direção da arquidiocese, responsável maior pela Universidade Católica.

 

Tenho dificuldade de compreender o que está por trás de tal atitude. Antes de mais nada porque, independentemente da linha ideológica, teológica e social à qual o atual arcebispo e seus auxiliares diretos se sintam ligados, são responsáveis por uma Igreja Católica, isso é, por princípio universalista e capaz de conviver com a diversidade e o pluralismo de posições.

 

Principalmente, em uma metrópole cosmopolita como São Paulo e com a história que essa Igreja local tem dos tempos de censura e ditadura política, por mais que se queira compreender, fica difícil assimilar uma atitude tão provinciana, obscurantista e além do mais contraproducente.

 

Obscurantista por não se justificar com argumentos e sim com a força do poder eclesiástico, como antigamente a Igreja se sentia com o direito de publicar lista de livros proibidos para católicos. Agora, um representante da hierarquia ressuscita um autor proibido. É difícil compreender quem ganha com isso.

 

Contraproducente porque, ao contrário de impedir, divulga a ideia. Soube que, à medida que a notícia se tornou conhecida, jovens que começam agora a universidade decidiram formar um grupo de estudos sobre Foucault. Interrogados sobre a causa da decisão, responderam: "A censura da direção da PUC atiçou nossa curiosidade. Se ‘a Igreja’ resolveu comprar uma briga desse tamanho com a intelectualidade do nosso tempo, esse autor deve ser muito importante e devemos conhecê-lo”.

 

Além dos motivos humanitários, intelectuais e metodológicos contrários a tal atitude, mesmo como atitude pastoral, os responsáveis pela PUC dão uma imagem de Igreja que não se esperaria na conjuntura atual. Afinal, o atual arcebispo de São Paulo, há poucos anos, foi visto até como candidato ao papado. E ele, ao menos, assumiu essa postura. Agora, uma atitude como essa com relação à PUC dá a impressão de alguém que dá um tiro no próprio pé.

 

Será que não houve ninguém suficientemente sensível entre os assessores mais diretos que lhe mostrasse o desastre dessa orientação na linha da censura pura e simples ao nome de um dos maiores filósofos e pensadores do século XX? Por que não abrir o debate sobre o ponto do ensinamento ou teoria sobre o qual a direção da PUC não pode concordar ou pensa ser prejudicial à linha de uma Universidade Católica? Afinal, a discordância é sobre alguma obra específica ou sobre toda a produção intelectual de Foucault ou ainda sobre a própria pessoa dele?

 

Nos anos 80, em uma diocese de Minas Gerais, o bispo proibiu os padres da sua diocese de lerem as obras de um determinado teólogo. Um dos padres ponderou: "Mas, além dos livros de teologia propriamente dita, esse teólogo tem livros sobre espiritualidade e oração, sobre ecologia e até escreveu contos. É tudo proibido, ou o senhor acha prejudicial tal livro, mas podemos ler outros?” O bispo respondeu: “Se eu proíbo vocês de lerem os livros dele, como eu daria o mau exemplo e leria algum? Não li nenhum. Estão todos proibidos!”.

 

Proibir uma Universidade de abrir uma cadeira em homenagem a um filósofo parece com a posição de tal bispo, santo, mas limitado. Diante de tal postura dos responsáveis por uma Igreja local da importância da arquidiocese de São Paulo, como fica o papa Francisco, que propõe celebrar 50 anos do Concilio Vaticano II através de um jubileu da misericórdia e para retomar o diálogo amigo entre Igreja e a humanidade atual?

 

É certo que a maioria dos bispos e padres da geração atual foi formada quando esse diálogo iniciado amorosamente pelo papa João XXIII já tinha sido interrompido. É também verdade que o modelo de Igreja dominante com o qual se comprometeram ao se tornarem pastores não foi esse de uma Igreja "em saída”, isso é, irmã e parceira de todos os que querem construir um mundo novo possível.

 

Mas, seja como for, minha esperança seria que quem afirma sempre acreditar tanto em uma Igreja centralizada e institucionalmente organizada, fosse ao menos capaz de obedecer quando o papa que eles consideram chefe supremo da Cristandade assume uma posição clara e dá uma orientação diferente daquela à qual eles estavam habituados.

 

Era de se esperar que, ao menos, aqueles que sempre defendem a linha dura da disciplina, fossem mais disciplinados e seguissem a linha do papa. Eu, e os que pensam como eu, o seguimos não apenas por ele ser o bispo de Roma, e sim porque ele nos chama a viver o evangelho de Jesus. Mas, como Paulo afirmou: "Se o Cristo é anunciado por alguns, movidos por amor e por outros, motivados por ciúme e interesses menos nobres, contanto que ele seja anunciado, sempre me alegrarei. O importante é que o Cristo e o reino de Deus sejam testemunhados” (Cf. Fl 1, 18).

 

Publicado originalmente em Adital.

 

Marcelo Barros é monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro.

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