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Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 12 de Junho de 2015
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Em 12 de junho de 2014, começava a Copa do Mundo brasileira, como certamente os leitores foram lembrados pelas matérias que ocuparam a mídia nessa sexta-feira. Exatamente um ano depois, vemos inaugurada a Copa América do Chile.

 

As coincidências estão longe de se resumirem ao calendário gregoriano. E observá-las pode ser útil àqueles que se interessam em entender as realidades cotidianas e os processos sociais nas mais diversas partes.

 

Horas antes de Brasil x Croácia se enfrentarem diante de bizarra e anódina “torcida”, o pau comia na Radial Leste, momentos após a assembleia dos metroviários suspender a greve da categoria.

 

A repressão veio com tudo e dois manifestantes ligados ao movimento ‘Não Vai Ter Copa’, que protestava por perto ao mesmo tempo, foram presos. Além disso, 42 metroviários foram demitidos nos dias anteriores e seus processos de readmissão tramitam até hoje.

 

Vale assinalar que a coincidência de encontros entre os trabalhadores do metrô e os militantes anti-Copa da FIFA deveu-se ao fato de o Sindicato dos Metroviários, local da assembleia, se localizar ao lado da Radial Leste, principal via de acesso ao Itaquerão, que sediou a abertura do Mundial.

 

Enquanto isso, a semana inaugural do certame chileno também foi agitada. Nas últimas semanas, os estudantes vêm fazendo uma série de manifestações, marca dos últimos quatro anos, em favor de uma reforma educacional que retire o viés privado do ensino público.

 

Isso porque, como herança do regime pinochetista, até as universidades públicas cobram mensalidades, por sinal altas, o que fez gerações inteiras se endividarem a fim de obterem formação superior, algo que já esgotou a paciência dos chilenos.

 

Massivos e vigorosos, os atos são frequentemente marcados pela repressão estatal, através dos famosos carabineros, que, tal como as polícias brasileiras, carregam as mesmas diretrizes dos tempos de ditadura militar.

 

Além disso, a manhã desta sexta amanheceu com a linha 1 do metrô de Santiago paralisada, devido a protestos de funcionários da empresa Express, da Transantiago, administradora da linha, em greve há quatro dias.

 

Lá como cá, a resposta dos governos é parecida. Dizem “pode protestar, mas sem vandalismo, sem atrapalhar o andamento da vida das pessoas”, ao melhor estilo dona Florinda liberando Quico a brincar na vila: “pode gritar, mas em voz baixa”.

 

Obviamente, não querem cobrança alguma sobre seus confortáveis cargos. Tanto é assim que, em ambos os momentos, logo se evocaram leis de exceção.

 

No Brasil, além de ainda vigorar a Lei de Segurança Nacional, promulgada pela ditadura, o governo federal petista produziu, no final de 2013, o Decreto de Garantia da Lei e Ordem (GLO), que libera a intervenção do exército em casos de manifestações de “movimentos e organizações” ou “de forças oponentes”, com “paralisação de atividades produtivas”, um autêntico descalabro autoritário.

 

Depois das críticas, alterou-se o texto para “tentativas potenciais capazes de comprometer a preservação da ordem pública ou ameaçar a incolumidade das pessoas e do patrimônio”, o que dá na mesma.

 

O decreto foi vendido como instrumento de “combate ao terrorismo”, dentro da doutrina mundialmente dominante, mas claramente dirige-se à contenção dos protestos internos e criminalização dos movimentos sociais de nosso território. Como boa muleta, incluiu-se o narcotráfico no pacote.

 

Já em relação aos metroviários chilenos, o governo ameaçou acionar a “Lei de Segurança do Interior do Estado”, promulgada em 1937 pelo presidente democrata-cristão Alessandri, a fim de criminalizar partidos e grupos de viés “revolucionário”, ou seja, mais uma das inúmeras tentativas históricas de tirar do mapa ideias e projetos socialistas, anarquistas, comunistas. Não à toa, o Partido Comunista chileno passou cerca de dois anos sob o disfarce de Partido Democrático Nacional.

 

Ainda assim, os chilenos também contam, ainda, com seu entulho ditatorial, que é a Lei Antiterrorismo ditada por Pinochet, finalmente sob revisão, mas largamente utilizada depois do fim de seu regime para criminalizar, por exemplo, a luta dos mapuches por suas terras ancestrais.

 

Saindo da política, as coincidências também entraram em campo.

 

Se no Itaquerão o Brasil precisou de um vergonhoso pênalti sancionado pelo japonês Yuishi Nishimura para desenrolar a estreia, ontem o Chile contou com o apito muy amigo do argentino Nestor Pitana, capaz de ver pênalti na jogada em que Arturo Vidal claramente largou o corpo sobre o equatoriano Miller Bolanõs. Ambos os pênaltis na mesma altura da partida, lá pela metade do segundo tempo.

 

Situações lamentáveis, dentro e fora de campo, a colocar sob suspeita a legitimidade das esferas da nossa governança, tanto das sociedades ditas democráticas como do próprio futebol.

 

Isso no meio do estouro do escândalo de maior relevância na história do esporte bretão, deflagrado por investigações do FBI que derrubaram toda a cúpula da FIFA e vem levando os capos de Conmebol, AFA, CBF e afins de roldão.

 

Aparentemente, a única diferença no meio disso é que no Chile foi feita uma Copa “humilde”, sem invenção de suntuosas “arenas” e um projeto de higienização/elitização do futebol.

 

Enquanto o Brasil gastou 9 bilhões de reais apenas em estádios, o torneio das seleções sul-americanas teve um custo total de 60 milhões de dólares e contou com reparos muito menos complexos nos estádios, todos existentes há muito tempo.

 

Por ver abençoada a festa da Copa do Mundo com generosíssimos financiamentos estatais, e toda a evidente corrupção, os brasileiros protestarem contra o evento, o que no Chile não ocorreu.

 

Apesar disso, os amigos da cordilheira perceberam que há público interessado suficiente para abusar um pouco nos preços dos ingressos, o que inclusive tem sido tema na mídia do país sede. Presente na Copa América de 2011, na Argentina, o amigo Leandro Iamin me informou que as entradas para jogos do Brasil custaram 60 reais. Nesta edição, atingiram 200.

 

Enquanto isso, vemos todos os apoiadores da Copa e das maracutaias, de lado a lado, tentando capitalizar e criar seu discurso de crítica aos desmandos de Blatter e cia., como se Andrew Jennings não existisse e não tivesse avisado o mundo inteiro, há anos, do que agora o FBI põe a nu (e brigar pela revogação do Decreto GLO que é bom, nada).

 

Entre o desfrute das partidas e a tarefa de combater os usurpadores de sempre, da nossa vida e do nosso jogo, seguimos adiante. Uma boa Copa América a todos.

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Segunda, 15 de Junho de 2015
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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