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A energia nuclear Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Metri   
Sexta, 12 de Junho de 2015
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Gostaria de comentar artigo sobre a questão nuclear, endereçada ao ministro Levy, publicada neste “Correio da Cidadania”. A leitura não é imprescindível para a compreensão do presente complemento, mas está no endereço: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10826:submanchete030615&catid=32:meio-ambiente&Itemid=68

 

Desde já, parabenizo a exposição honesta de posições sobre o setor nuclear. Sou engenheiro, funcionário do Estado, lotado no setor nuclear. Não ocupo cargo de direção nem de assessoramento. Trabalho na área de planejamento do setor. Contudo, as posições aqui expressas são pessoais e não representam, necessariamente, as posições de órgãos do setor. Casualmente, algumas podem coincidir com posições oficiais.

 

Divido as críticas em duas classes, sendo a primeira relativa à atratividade econômica da geração a partir da fonte nuclear, enquanto a segunda se refere à segurança nuclear. Discordo da crítica sobre a economicidade da geração nuclear, que não é expressa desta forma, mas está implícita quando se diz, por exemplo, que a obra de Angra III é cara. Em primeiro lugar, ela é cara, mas tem a capacidade de gerar mais de 1.200 MW. Para se comparar fontes geradoras, há a necessidade de se considerar o fato que as diferentes obras, na maioria das vezes, têm diferentes capacidades de geração.

 

Depois, Angra III deve ser lembrada como o melhor exemplo de como não se deve construir uma usina nuclear. A tomada de decisão de construí-la foi dos militares, que deixaram o poder em 1985. Esta obra se arrasta desde então, enquanto, em outros países, o tempo entre a tomada de decisão da construção e o início da geração é só de seis anos. Quanto mais se posterga uma obra, maiores são os “custos improdutivos”, definidos como aqueles que não existiriam se a obra fosse construída no seu tempo ótimo. Os juros durante a construção, o custo da manutenção de um canteiro de obra mínimo e o custo de manutenção de equipamentos comprados e não montados são três exemplos destes custos.

 

Ainda sob o critério da atratividade econômica, não irei mostrar números que comprovam o bom desempenho nuclear dentre as fontes geradoras, porque poderei ser acusado de usar números não compatíveis com a realidade. Mas irei descrever um fato. Neste exato momento, tramita no Congresso nacional um projeto de emenda constitucional que permite empresas estrangeiras possuírem, construírem e operarem usinas nucleares, além de venderem a eletricidade gerada.

 

Quem está apoiando a iniciativa parlamentar são as empresas Areva, Westinghouse, Mitsubishi e Rosatom. Elas pretendem vir ao Brasil para construírem reatores, sem incentivo do Estado, cumprindo as exigências requeridas pelo órgão brasileiro garantidor da segurança nuclear e venderem a energia elétrica gerada. Não existe a possibilidade de estas empresas estarem fazendo fluxos de caixa errados, portanto, a energia nuclear é economicamente atrativa.

 

Passo a me ater nos argumentos relacionados com a segurança nuclear do texto mencionado. Respeito o medo que algumas pessoas têm da energia nuclear. Acho que, em alguns casos, o medo ocorre por falta de informação ao cidadão, ocasionada por uma mídia que não busca a informação fidedigna. Acho também que a comunicação oficial do setor tende a ser muito técnica e, assim, de difícil compreensão pelo cidadão comum.

 

Mas, compreendo que um órgão oficial não pode fugir de ser tecnicamente preciso, o que leva a um impasse. Outro fator que contribui para o debate irracional, emocional mesmo, é que há interesse de grupos econômicos envolvidos. Imaginem como deve ser conveniente a retirada da opção de geração nuclear da matriz energética nacional, para os grupos interessados em ter lucro com as demais opções, que seriam as substitutas para as usinas nucleares. Por outro lado, pode-se supor que há grupos econômicos também com interesse na opção nuclear.

 

De qualquer forma, sendo o medo um sentimento, posso discordar de conceitos e dados que contribuem para a sua indução, como associar a geração nuclear com a possibilidade de uma explosão nuclear, ou associar a opção nuclear a uma imposição militar, mas nunca poderei me opor ao medo. Creio que a única maneira de a sociedade conseguir avançar em direção a uma compreensão das posições conflitantes sobre este ponto seria através do diálogo honesto, em que as partes quisessem entender o raciocínio do outro, obviamente sem o compromisso de ter que o aceitar.

 

Para fechar esta análise, lembro que 78% da energia elétrica gerada na França em 2011 foram de origem nuclear. Quase 20% da eletricidade gerada nos Estados Unidos, no mesmo ano, foram oriundos da fonte nuclear. Estes 20% foram gerados a partir de uma capacidade nuclear instalada de 101.465 MW, quase igual à de geração brasileira, considerando todas as fontes existentes no Brasil em 2009, 106.600 MW.

 

Ninguém pode concluir que os franceses e os norte-americanos não são preocupados com segurança. Pode-se argumentar, em contraposição, que a Alemanha está desativando seus reatores. No entanto, a população alemã está subsidiando alternativas de geração mais caras, como a eólica e a solar, via recursos federais oriundos de arrecadações de impostos. Assim, estamos longe do consenso, mas na direção correta do diálogo.

 

Esta é a minha contribuição para o início de um debate nuclear racional, em respeito à sociedade.

 

Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania.

Blog do autor: http://www.paulometri.blogspot.com.br/

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Última atualização em Segunda, 15 de Junho de 2015
 

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